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COR DE ROSA

Por Carlos Sena

 
 
Minha cor é azul. Mas, pode ser branca. Minha cor é... Qual é a minha cor preferida? E a sua? 

As cores são a mais perfeita tradução das nossas ações. Dos nossos sonhos, angústias, solidão. Das alegrias, por que não? As cores são alegres ou tristes muito mais em função dos matizes as pessoas estiverem utilizando por dentro. Mas as cores, como os homens são ora discriminadas ou enaltecidas em detrimento de algumas outras. As cores, como os homens, sofrem “assédio moral”. São, algumas delas, “patinhos feios” no arsenal que compõe o nosso arco-íris visual.
No viés das cores, cito a seguir algumas passagens envolvendo uma cor cheia de conflitos existências... Pelos humanos, claro. A cor de rosa:

1.     No meu trabalho, sempre que compareço vestido de camisa rosa, há colegas que, em tom de blague, fazem risos irônicos acerca da cor. As mulheres, pelo contrário, acham-na linda!

2.     Minha máquina de calcular! Sempre que a procurava alguém tinha levado e não devolvido. Até que noutro dia alguém afanou a pobrezinha que me era tão útil. Novamente eu comprava outra máquina e mais uma vez alguém surrupiava até que resolvi, definitivamente, o problema: comprei uma máquina de calcular na cor ROSA... Quase Pink. Estou com ela até hoje, por que será?

3.     Mochila Cor de Rosa! Passando no meu carro pela Avenida Boa Viagem, em pleno transito, eis que vejo um rapaz em sua bicicleta, conduzindo nas costas uma mochila cor de rosa. Ele, sem camisa, numa bicicleta simples, tudo indicava ser pessoa de pouca escolaridade e, portanto, provavelmente mais conservador quando ao uso da cor Rosa. Engano. Pela sua fisionomia, desfilava tranquilamente sem nenhuma preocupação aparente em esconder aquela mochila. Tudo indicava que o mesmo se deslocava para o seu trabalho, mas ele não tinha cara de preocupado com o que pudessem dizer da sua mochila.

4.     Liquidação masculina! No geral, as liquidações masculinas de roupas, sapatos, etc., disponibilizam produtos de difícil saída em dias normais. Por isto expõem produtos já saindo da moda ou mesmo com numerações grades e de cor duvidosa como a Rosa (ou assemelhada) ou as duas combinações juntas.
Vários poderiam ser os exemplos para adicionar. Uma coisa é certa: se não é o hábito que faz o monge, não é a cor que faz o bonde. O rapaz da bicicleta jamais será um gay por influencia da cor que usa. A máquina de calcular não será diferente no resultado dos cálculos por conta de ser rosa. Enfim, o sapato, a calça, a camisa, o que for não alteram o “status quo” do usuário. O  contrário é igualmente verdadeiro, se tomarmos o exemplo às avessas da cor azul, eminentemente masculina no imaginário popular. 
Como se vê, nós humanos gostamos mesmo de estimular o preconceito e, muitas vezes o utilizamos como forma de suposta proteção às nossas fraquezas interiores, principalmente no que concerne à sexualidade. Neste sentido, as cores são estigmatizadas ou não. Cria-se um grande arco-íris de cores nobres e plebéias, embora entre elas todas sejam importantes. O disco de Newton que nos diga! 
Nosso amor se for bom é roxo.
Nosso dia se for ruim é cinza.
Nosso luto preto.
Nossa coisa nunca pode estar ruim, pois estaria preta.
 
Mas, o asfalto não pode ser branco, como o sangue se branco for é leucemia. Dia de trabalho é dia “de branco”. Dia negro não é o mesmo que dia claro. Negro bom até se chama “de alma branca”. A pessoa estando branca pode estar passando mal. O dia quando quer chover é um dia escuro, cinzento. “Uma música bonita é “Dia Branco” de Geraldo Azevedo”, pois já imaginou se fosse “Dia Preto”? O campo verde é sinal de bom inverno. Cores vivas são as cores das festas, do carnaval nem se fala! Mas, há cores tidas como “mortas”, lúgubres. Ir a um enterro, normalmente requer roupas escuras, cinzas, marrons, etc. Um franguinho grelhado se não ficar “coradinho” parece não despertar apetite. Enfim, as cores são reflexos dos homens, das civilizações. TV preta e branca? Quem suportaria hoje? Por que as mulheres usam ruge, blache, batom, etc.? Porque alegram o visual, porque levantam o astral, porque realçam alguns traços que, sem cores, não ficam evidentes.

Nesse emaranhado, o ROSA se estabeleceu como a cor dos “frágeis” como a mulher e os gays, embora isto não corresponda a realidade concreta. Azul, como a cor que define a masculinidade. Mas há controvérsia, pois o azul também esconde certos homens que vivem no “armário”. O verde é esperança, o vermelho paixão. Verde-rosa é mangueira, é o preto do negro Cartola. O amarelo atenção. Cor de “burro quando foge”... Essa não, pois foi gerada da expressão “corra de burro quando foge”...
Assim, continuo usando o que acho que devo. Azul ou Rosa. Loura ou Morena? Não importa a cor, já nos dizia o compositor pernambucano Capiba. Dentro de cada um existem cores: amores roxos, muxoxo; risos amarelos e olhares de soslaio como se cinza fossem. Sinuca. Batuta de bolas brancas e numeradas. Bola sete – a pretinha! Partida negra – a melhor de três.
“Bate outra vez com esperanças o meu coração, pois já vai terminando o verão, enfim. Volto ao jardim, na certeza que devo chorar, pois bem sei que não queres voltar para mim. Queixo-me às rosas. As rosas não falam simplesmente as Rosas exalam o perfume que roubam de ti... (Cartola)”.
 

CARLOS SENA
Enviado por CARLOS SENA em 06/02/2012
Código do texto: T3484223
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Sobre o autor
CARLOS SENA
Recife - Pernambuco - Brasil
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