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O DEFICIENTE VISUAL: um relato de observação do meio e suas contribuições para o desenvolvimento bio-psico-social do indivíduo


RESUMO


O presente artigo objetiva apresentar algumas orientações de sala de recursos multifuncional no que diz respeito ao atendimento do deficiente visual e o uso de recursos tecnológicos subsidiando o desenvolvimento da criança cega e/ou baixa visão como aporte educacional. A escolha do tema parte de experiências adquiridas pela pesquisadora que tenta fomentar os seguintes questionamentos: È possível a criança com deficiência visual desenvolver-se integralmente, sendo capaz de interagir com perfeita harmonia (dentro de suas possibilidades) no meio em que vive? Que possibilidades de desenvolvimento a escola pode propiciar a essas pessoas promovendo com dignidade a inclusão social? Para a elaboração desse trabalho utilizamos as pesquisas: experimental e social.

Palavras- chave: deficiência visual. Acessibilidade. Inclusão. Tecnologia. Escola.

1 INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem por base o desenvolvimento da criança com deficiência visual (cegueira/ baixa visão) e a utilização dos recursos tecnológicos como suporte para esse desenvolvimento.
A pesquisa partiu do fato de que por recursos entendem-se todos os instrumentos utilizados para promover a integração do deficiente no meio em que vive.  Hoje com a inserção de vários objetos de natureza tecnológica a vida tornou-se bem mais produtiva e prazerosa.
Dessa forma surgiu a tecnologia assistiva com produtos de extrema necessidade à vida dos deficientes distribuídos entre órteses, próteses e tecnologia assistiva (recursos e serviços).
O objetivo da tecnologia assistiva é o de proporcionar independência, qualidade de vida e inclusão social através da ampliação da comunicação, orientação e mobilidade, controle de seu ambiente, desenvolvimento de habilidades, trabalho e integração.
A Tecnologia Assistiva tem por princípio melhorar a funcionalidade do deficiente e que segundo a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) “o modelo de intervenção para a funcionalidade deve ser biopsicosocial” relacionada a avaliação e intervenção em: Funções e estruturas do corpo – (deficiência) Atividades e participação – (Limitações de atividades e de participação) Fatores Contextuais – (Ambientais e pessoais) Disponível em: http://www.assistiva.com.br/. Acesso em 02 de jul. de 2010

2 TECNOLOGIA ASSISTIVA

                   A tecnologia assistiva passou a fazer parte da inclusão social dos deficientes visuais. Apesar de não se ter um arsenal de produtos tecnológicos circulando em nosso meio, podemos encontrá-los em várias esferas da sociedade em especial em escolas com salas de recursos multifuncional que atende além das outras deficiências a visual.
                   Sabe-se, entretanto que essas salas não são suficientes para atender a demanda de pessoas com deficiência em nossa sociedade.  Acreditamos, portanto, que essa realidade pode mudar bastante em pouco tempo.
                         Entende-se por tecnologia assistiva um amplo conjunto de objetos, destinados a subsidiar a vida dos deficientes, promovendo qualidade de vida, independência e inclusão social.
Além disso, encontramos com facilidade softwares voltados ao atendimento de pessoas com deficiências como o Dos Vox, Braille Fácil, Falador, o Open book, Virtual Vision Jaws entre outros de muita popularidade entre deficientes visuais com acesso ao computador e wordwares especializados para dar suporte a alunos e professor em sala de aula.
A Tecnologia Assistiva se divide entre recursos, serviços e estratégias aplicadas para minorar o atendimento aos deficientes.

A Tecnologia Assistiva se compõe de Recursos e Serviços. Os Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob medida utilizada para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Os Serviços são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos. Disponível em: <http://www.cedionline.com.br/ta.html>. Acesso em: 26 de jun. de 2010.

                   Os Recursos podem variar conforme a necessidade do deficiente partindo de simples recursos como a bengala a vários sistemas computadorizados. Estão incluídos artigos especiais, que contemplam questões de acessibilidade criadas para ajudar na mobilidade dos deficientes. Já os Serviços são aqueles prestados profissionalmente à pessoa com deficiência visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistiva. Disponível em: http://www.cedionline.com.br/ta.html Acesso em: Acesso em 02 de jul. de 2010
  A Tecnologia Assistiva presta serviço em várias áreas de atendimento profissional e serve para restaurar a função humana através de dispositivos assistivos que tem a função de permitir ao deficiente maior independência em suas tarefas diárias.
2.1Salas de recursos multifuncionais
                   As salas de recursos multifuncionais se constituem em espaços para atendimento educacional especializado aos deficientes.

As salas de recursos multifuncionais são espaços da escola onde se realiza o atendimento educacional especializado para alunos com necessidades educacionais especiais, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, centradas em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida escolar. Sala de recursos multifuncionais: espaços para atendimento educacional especializado – (BRASIL/MEC, 2006. p. 13).


                   O atendimento em salas de recursos tem caráter estritamente pedagógico, suplementando alunos com altas habilidades/superdotação e complementando o ensino de alunos com deficiência física e sensorial, transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
Essas salas são equipadas com recursos pedagógicos apropriados às necessidades e dificuldades dos alunos podendo também atender alunos de escolas próximas e que não possuem esse tipo de atendimento.
                   O atendimento se dá de forma individualizada ou em grupo. Para isso o aluno necessita estar matriculado em outra escola e deve freqüentar a sala no contra turno para que não prejudique seu aprendizado.
A sala de recurso não é sala de reforço. As atividades da sala de recurso são inerentes somente a ou as dificuldades que o aluno apresenta. Portanto sala de Atendimento Educacional Especializada - AEE.

Uma mesma sala de recursos, organizada com diferentes equipamentos e materiais, pode atender, conforme cronograma e horários, alunos com deficiência, altas habilidades/superdotação, dislexia, hiperatividade, déficit de atenção ou outras necessidades educacionais especiais. Para atender alunos cegos, por exemplo, deve dispor de professores com formação e recursos necessários para seu atendimento educacional especializado. (BRASIL/MEC SEESP 2006. p. 14).


                   No caso de atendimento aos portadores de deficiência visual, a sala de recursos deve estar preparada de modo a favorecer a mobilidade desse aluno. Os recursos multifuncionais para deficientes visuais (cegos ou com baixa acuidade visual) devem estar equipadas com material didático pedagógico para melhorar o aprendizado sendo, voltados exclusivamente para essa deficiência (calculadoras sonoras, impressoras em braile e computadores com registro de voz (sintetizadores de voz), regletes, sorobãs, cadernos de pautas ampliadas, máquinas datilográficas com leitura em Braille, globo adaptado, materiais em alto relevo).

§ 1º As salas de recursos multifuncionais são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado.
 
§ 2º A produção e distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade incluem livros didáticos e paradidáticos em braile, áudio e Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, laptops com sintetizador de voz, softwares para comunicação alternativa e outras ajudas técnicas que possibilitam o acesso ao currículo. (DECRETO Nº. 6.571, DE 17 DE SETEMBRO DE 2008).

                   Esses materiais específicos são encontrados nas salas de recursos multifuncionais tipo II implantadas pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC. O AEE atende a todas as etapas e modalidades da educação básica e do ensino superior.

2.2 Jogos, Recursos didáticos e Brincadeiras, adequados ao desenvolvimento do deficiente visual (alguns modelos)

   Os jogos, os recursos e as brincadeiras constituem-se em importantes aliados ao aprendizado de crianças deficientes visuais “DV”. Dependendo do tipo de jogo aplicado, contribui para o processo de aprendizagem do sistema de leitura e escrita braille.
Os jogos confeccionados ou mesmo comprados prontos quando em alto relevo e peças de encaixe, ajudam a apurar o tato preparando a criança “DV” para as primeiras noções do alfabeto braille.
 Um dos maiores problemas enfrentados pelo deficiente é a noção e o contato com o espaço físico.  Por isso deve-se atentar para a falta de recursos didáticos apropriados para que a criança com deficiência visual (cega) ou com limitação visual (baixa visão) tenha seu aprendizado desvinculando da realidade.
         A criança precisa ter contato com o mundo ao seu entorno para que possa formar seus próprios conceitos, necessitando de motivação para que aconteça a aprendizagem significativa que contribuirá para o seu desenvolvimento.
                   Alfabetizar é uma tarefa extremamente difícil. Imagine então, alfabetizar uma criança cega?  É necessário utilizar métodos “criativos” para que se ministre as primeiras noções de braille com essas crianças.
Existem hoje vários recursos ou jogos pedagógicos que podem ajudar na hora dessa iniciação.  Por isso é possível ao professor inovar dentro da sala de aula fazendo com que essas crianças também possam ter uma educação de qualidade.
   Os materiais escolhidos devem obedecer a alguns critérios quanto ao tamanho, (adequados à situação visual do aluno) aceitação, (agradáveis ao manuseio) significação tátil, (com relevos e texturas para diferenciar cada parte) estimulação visual, (cores fortes e contrastes para estimular a visão residual) fidelidade, (sua representação deverá ser exata), facilidade de manuseio, (simples sem dificuldades de manuseio) resistência (confeccionados em materiais resistentes para que não se estrague com facilidade) e acima de tudo oferecer segurança.
   Os recursos didáticos devem ser grandes aliados no desenvolvimento dos conceitos de Tamanho, Forma, Percepção do Espaço e Cor. A conceitualização de dimensão, distância e lateralização são também fundamentais para a inserção no meio social e aprendizagem do Braille.
   Aprender o sistema de escrita braille, requer um forte domínio desses conceitos. Para esse domínio é necessário a criança ter desenvolvido a percepção da lateralidade bem como reconhecer a combinação dos seis pontos que compõem a cela braille.
A cela é formada por duas colunas e três linhas de pontos. A localização dos pontos é dada de cima para baixo, primeiramente na coluna da esquerda e posteriormente na coluna da direita e são denominados respectivamente pontos números 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Cada combinação de pontos em relevo forma, portanto, determinada letra ou sinal de pontuação.

 
Figura 1- Célula braille


2.2.1 Modelos de Jogos e Recursos Pedagógicos para cegueira e baixa visão     (ampliados).

   Na sala de aula os recursos didáticos assumem grande importância na educação de pessoas com deficiência visual, levando em consideração problemas básicos de contato com o ambiente físico; sem esses materiais a aprendizagem vira um mero verbalismo descontextualizado da realidade.
Para formar conceitos é necessário o contato direto da criança com o mundo. Na criança com deficiência tal qual na vidente é necessário que se estimule e motive a aprendizagem.
   Dessa forma é necessário que professores tenham conhecimento de quais recursos pedagógicos aceleram ou maximizam a aprendizagem pela criança deficiente visual para suprir lacunas na aquisição de informações, pois o manuseio adequado de diferentes materiais possibilita o treinamento da percepção tátil e facilita a discriminação de detalhes suscitando a realização de movimentos delicados com os dedos. Esses movimentos se fazem necessários para o domínio do sistema de escrita e de leitura braille.
   Na escolarização de pessoas cegas ou com baixa visão todos os recursos pedagógicos que dispõe o professor, podem ser aproveitados. È necessário, porém que seja feita algumas adaptações que vão desde ampliação para alunos com baixa visão e escrita em Braille para cegos.

Um dos princípios fundamentais das escolas inclusivas é de que todos  os alunos possam aprender juntos, devendo se adaptar aos diferentes estilos de aprendizagem, necessitando então de currículos adequados e de estratégias pedagógicas de cooperação entre comunidades.
(FERNANDES, 1999, p.5)


   Porém o bom uso dos materiais está condicionado à: Capacidade do aluno, Experiência tátil, Técnicas de emprego que o professor apresenta e uso limitado para não causar desinteresse.
   Na educação de deficientes visuais é importante que se leve em consideração a seleção dos recursos como, por exemplo, os sólidos geométricos, a adaptação que mediante algumas alterações serve tanto para pessoas videntes como para cegos e baixa visão (instrumentos de medir como o metro, a balança, os mapas de encaixe, globo terrestre, jogos e outros) e confecção, que deve ser feita com a participação do próprio aluno (materiais de baixo custo ou de fácil obtenção podem ser freqüentemente empregados, como: palito de fósforos, contas, chapinhas, barbantes, cartolinas, botões e outros).
O presente artigo apresenta alguns recursos necessários à educação dos deficientes visuais como estratégias de ensino, para que o professor possa agir dentro do seu ambiente educacional promovendo a interação da criança com o meio físico.

         
Figura 2 - adição                                       Figura 3 - Associação de idéias

         
Figura 4 - Jogo da memória                                 Figura 5 – Material dourado
                                                               
ESTIMULAÇÃO VISUAL - TAPETES (cores e formas)

       
               Figura 6 – Contrastes preto e branco                        Figura 7 - Contraste colorido

TAPETES PARA ESTIMULAÇÃO SENSORIAL E AUDITIVA

                             
Figura 8                                                                   Figura 9




ESTÍMULOS AUDITIVOS
           
Figura 10 cubos para encaixar e sensoriar                                        Figura 11 – Bandinha
( grosso, fino, áspero, liso, etc.)




ESTÍMULO TÁTIL (SENSORIAR)

     
Figura 12 (livro)                                  Figura 13 (mosaico)


LABIRINTOS
     
Figura 14
   Esses recursos servem para estimular os diferentes movimentos que favorecem o desenvolvimento da coordenação motora e da organização espacial.
QUANTIDADE E TAMANHO
                 
           Figura 15 (pinos coloridos)                                     Figura 16 (seqüência de numerais)

   Material de seqüência de tamanhos e cores para treinamento da percepção visual, seriação e coordenação no encaixe.

GEOPLANOS

                           
                 Figura 17 - De pino                                                           Figura 18 – De pregos

   Formação de conceitos da Geometria - área, perímetro, ângulos, figuras geométricas.
CUBO ATIVIDADES DE VIDA AUTÔNOMA (A.V. A).
 
 Figura 19 (botões, cadarço, fivelas, colchetes).
RECURSO PARA INTRODUÇÃO DO SISTEMA DE LEITURA E ESCRITA TÀTIL BRAILLE – (dominós)
                             

Figura 20 - Brailindo                     Figura 21 - Brailex                   Figura 22 - Alfa – braille
                                                                             
                                                                            Figura 23 - Cela Braille                  Figura 24 - Leitura braille        Figura 25 - Grade para escrita cursiva

                                                         
      Figura 81- Sorobã          Figura 82 – Reglete                          Figura 83 Globo terrestre


(Fonte das figuras: arquivo pessoal)

                  Aprender através de recursos que assumem características de brinquedos e de brincadeiras é de extrema importância para desenvolver nas crianças “DV” a habilidades necessárias a sua percepção sensorial e sinestésica.
Brinquedos com estimulação auditiva são úteis para que compreendam e identifiquem os sons entendendo seu corpo e o ambiente. Já os brinquedos com cores contrastes e texturas diferentes visam despertar a curiosidade, estimular e a visão a busca do melhor ângulo e eficiência visual.
                   Os brinquedos com flexibilidade, tamanhos e formas variados, encaixes, velcros (aderência), movimentos, aguçam a mobilidade, realização de tarefas, o conhecimento e entendimento do próprio corpo e do ambiente e são úteis para desenvolver a integração dos sentidos remanescentes.
                   Outros brinquedos servem ainda para desenvolver na criança a habilidade para encaixar, pinçar (pegar) conhecer formas, seriação, seqüência e classificação, reconhecer os objetos do ambiente, seu nome, uso e função, desenvolver a coordenação motora, a habilidade para encaixar, empilhar, abrir, fechar zíper; desenvolver a habilidade tátil para reconhecimento de peso e consistência, a audição, o olfato e o paladar bem como adquirir independência e autonomia para movimentar-se e realizar as atividades cotidianas e ainda conhecer cores no caso do deficiente com baixa visão.
                   A brincadeira fornece meios para desenvolver todo o processo de socialização oportunizando atividades coletivas, desenvolve o processo de aprendizagem e estimula o crescimento das habilidades básicas e aquisição de novos conhecimentos. É ainda o aguilhão para o desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança.

O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil. (PIAGET 1976, p.160).


Verifica-se, portanto, que de uma forma ou de outra o jogo acaba contribuindo para a formação do adulto. Portanto brinquedos e brincadeiras são extremamente importantes na formação da criança.
                  É necessário, porém, que jogos, brinquedos e brincadeiras estejam adaptados para atender crianças com déficit visual. Crianças cegas podem progredir significativamente desde que lhes sejam oferecidos recursos adequados a sua deficiência.  Brinquedo é coisa séria.
                  Brincar é a melhor maneira de aprender. Através da brincadeira a criança estabelece vínculos para a sua aprendizagem, desenvolve a imaginação e a criatividade. Interage com o meio, desenvolve a linguagem e aumenta o nível de concentração e atenção.
                  Para a criança com deficiência visual é muito mais difícil o desenvolvimento desses “elementos” que se tornam essenciais ao desenvolvimento infantil. È preciso que se criem estímulos para acontecer à aprendizagem e aquisição de conhecimentos.
                  O jogo, quando relacionado ao conhecimento, se torna importante para o ensino e aprendizagem. Portanto torna-se ferramenta de enorme valor dentro da abordagem educacional, além disso, pode auxiliar o professor,
no que se refere ao papel de facilitador, em sala de aula.
                   É preciso que se atente para alguns fatores provocados pela deficiência na criança “DV”, Visto que elas apresentam algumas dificuldades na apreensão de alguns conteúdos, pois as mãos ficam cerradas ou espalmadas dificultando a preensão de objetos, acarretados pela falta de estímulos visuais que leva acriança a tocar, pegar, arranhar, apalpar, soltar, puxar pessoas e objetos e o próprio corpo. Pois a visão influência em todos os movimentos.
À medida que olhamos, aumentamos a nossa atividade motora. Esse jogo do olhar e do movimento das mãos pela criança faz com que desenvolva a sua coordenação viso-tátil-cinentésica.
                   Para a criança com deficiência visual esse jogo não acontece o que dificulta a conduta de preensão. É necessário por tanto que desde cedo essa criança passe pela estimulação precoce para que lhes sejam estimulados a integração de todos os seus esquemas de apreensão do conhecimento.
                   È de extrema necessidade que a criança realize experiências sensório-motoras para que esta não desenvolva estereotipias. Crianças com deficiências visuais desenvolvem esquemas rítmicos de movimentos próprios “necessitando observar cinetesicamente os movimentos para assimilar, conservar e reproduzir outros de movimentos”. (MARILDA BRUNO, 1993, p. 17)
                   Para que se ordenem as funções de antecipação e coordenação é necessário que o sentido da visão esteja intacto fazendo a assimilação viso-sensorial e transformado-a em percepções capazes de conduzir a orientação e a mobilidade do indivíduo.
                   A construção do tempo e do espaço relaciona-se a orientação e deslocamento. Como a criança com cegueira e/ou limitação visual não consegue desenvolver essas noções sozinhas, os jogos, as brincadeiras e os brinquedos passam a ter extrema importância no seu desenvolvimento.
                   No espaço escolar é preciso que o educador tome algumas medidas para que esses fatores não prejudiquem extremamente a aprendizagem do aluno para estimular a visão do deficiente com baixa visão faz-se necessário o uso de jogos tais como: jogos de seqüência lógica, de memória, figura/sombra, figura/fundo, de construção, elaboração, discriminação de cenas e maquetes, dominós, lotos de animais, painéis de figuras para classificação e seriação, elaboração e construção de cenas através de gravura, painéis luminosos, sensoriais, caixas de luz, jogos de encaixe, formas cores, tamanhos, detalhes, kits sensoriais para atividades da vida autônoma  (A.V.A) brincadeiras com bolas, balões, entre outros.
                   Em se tratando de crianças cegas, para “o brincar” também é necessário que se use brincadeiras que estimulem os outros sentidos, como os de seguir sons, pular obstáculos, saltar, correr, puxar, rolar, chutar, subir e descer escadas, brincadeiras com bonecas, carrinhos, escorrega, brinquedos sonoros, A.V.A. brinquedos móveis para dar mais equilíbrio e segurança, (pré-bengalas) que possibilitam a coordenação dos movimentos e a marcha independente fazendo com que a criança estabeleça sua organização postural.
Brincadeiras desenvolvidas em caminhos sensoriais de textura com estímulos auditivos ajudam a desenvolver as seqüências de suas ações, fazendo com que a criança perceba a noção de rastreamento necessário às técnicas de orientação e de mobilidade.

3 CONCLUSÃO

(Re) conhecer os serviços e atendimentos voltados às pessoas com necessidades visuais foi o objetivo desta pesquisa.O estudo ainda que não tenha acontecido de forma significativa valeu para o sucesso da pesquisa apontado dados que poderão vir a ser útil para professores e investigadores futuros.
   Considera-se, portanto positiva e de grande importância toda a variedade de informações obtidas através desta pesquisa assim como a vontade e o interesse em aprimorar o conhecimento em relação à educação de deficientes visuais e em especial a maneira de conduzi-los à reabilitação.
   Sempre surgem novidades dentro desse contexto e a literatura sobre esse assunto apesar de incomum está se renovando a cada dia mostrando-se um campo significativo para pesquisa e especialização do professor na área.  No entanto como podemos perceber, ainda assim, temos grande dificuldade em encontrar livros voltados a esse campo da educação o que dificulta o trabalho do professor de sala de aula.
                   Dedui-se, que cabe ao professor potencializar a aprendizagem desses alunos para que o processo de inclusão aconteça como meio facilitador da aprendizagem de deficientes visuais, mais que esta deva ser acompanhada por profissionais qualificados e habilitados para atuarem diretamente com eles.
   Fazer educação inclusiva não é difícil. Desde que se dê um direcionamento a essa educação como um processo que vise maximizar a capacidade das pessoas com deficiências na escola e na classe regular. É um processo contínuo e permanente que precisa ser constantemente analisado para que se faça valer o lema “Educação de qualidade para todos”.







ABSTRACT

The present article objective to present some orientations of multi-functional room of resources in what it says respect to the attendance of the deficient appearance and the use of technological resources subsidizing the development of the blind child and/or low vision as arrives in port educational. The choice of the subject has left of experiences acquired for the researcher who tries to foment the following questionings:  Possible È the child with visual deficiency to develop itself integrally, being capable to interact with perfect harmony (inside of its possibilities) in the way where lives? That development possibility the school can propitiate to these people promoting with dignity the social inclusion? For the elaboration of this work we use the research: experimental and social.

Words key: visual deficiency. Accessibility. Inclusion. Technology. School.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Resolução Nº. 2, de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília, DF, 11 set. 2001.

_________Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Direito à educação: Subsídios para a gestão dos sistemas educacionais – orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP, 2006.

 __________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Lei Nº. 7.853, de 24 de outubro de 1989

__________Declaração Mundial sobre Educação para Todos: plano de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem.

__________Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: UNESCO, 1994.

BRASILIA. DECRETO Nº. 6.571, DE 17 DE SETEMBRO DE 2008

BRUNO, M.M.G. O desenvolvimento integral do portador de deficiência visual: da intervenção precoce a integração escolar. São Paulo: LARAMARA, 1993.

FERNANDES, Edicléa Mascarenhas. Educação para todos, saúde para todos: a urgência da adoção de um paradigma multidisciplinar nas políticas públicas de atenção a pessoas portadoras de deficiências. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, 1999.

LORA, T.D.P. O professor especializado no ensino de deficientes visuais: um estudo centrado em seus papéis e competências.  São Paulo: Feusp, 2000 (tese de doutorado).

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. 2006.

PIAGET. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo, sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, [1976].
http://www.assistiva.com.br/. Acesso em 02 de jul. de 2010



NORMASUL
Enviado por NORMASUL em 01/04/2012
Código do texto: T3587785

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