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INDIVÍDUO E SOCIEDADE

Não há como pensar a sociedade sem pensar os indivíduos que a compõe. Ela se dá numa relação de interação, se constrói e se estrutura, economicamente, culturalmente, politicamente ... por que o homem faz parte dela como e se ajusta as suas estruturas organizacionais.
Pensar a sociedade sem estar inserido no seu contexto histórico é estra fora dela, da cultura que a sustenta, como ciência.
Entre os pensadores que mais se destacaram nesse assunto foram:
Karl Marx, Émile Durkheim, Norbert Elias e Pierre Bordieu. assim buscaremos entender melhor como se dá essa relação entre individuo e sociedade.
Para Marx (1818-1883), cada indivíduo deve ser analisado de acordo com o contexto de suas condições e situações sócias,, já que produzem sua existência em grupos. Os hominídeos primitivos se distanciavam de outros animais, não só pela sua anatomia tisica, mas especialmente por sua forma de agir e se comportar, por exemplo forma de caçar, defender-se de predadores, subir em árvores com técnica, criando instrumentos que facilitavam sua vida nas savanas africanas, a maneira de se comportarem em grupos e de proteção de seus iguais.
segundo Marx, a ideia de indivíduo isolado só apareceu efetivamente na sociedade de livre escolhas e concorrências, com o surgimento do capitalismo. Tomemos como exemplo, um trabalhador contratado em uma fábrica, assina um contrato, recebe um salário, deve cumprir um número de horas trabalhadas segundo o que estipula a Lei, tem direitos e deveres a cumprir. nesse exemplo encontramos dois indivíduos distintos, o que produz ou vende sua mão de obra, e o que compra e vende o que é produzido pelo seu funcionário. A princípio nos parece haver uma semelhança entre ambos, mas é só aparentemente, pois essa relação se dá sem liberdade de escolha, pois o funcionário nem sempre está feliz com o que faz mas para se firmar na sociedade e se manter economicamente se sujeita a essa condição. Isso já está imposto pela sociedade e pelo empresário. Essa relação entre os dois, no entanto, não é apenas entre indivíduos, mas também entre classes sociais: Operário e burguesia. Eles só se relacionam nesse caso, por causa do trabalho.
Assim fica claro que os seres humanos constroem suas histórias, mas não de maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocorre essa construção.
Marx se interessou por estudar as condições de existência de homens reais na sociedade.
Para Émile Durkheim (1858-1917), fundador da Escola Francesa de Sociologia, trata das instituições e dos indivíduos. Diz ele que que a sociedade sempre prevalece sobre os indivíduos, dispondo de certas regras, normas, costumes e leis que assegurem sua perpetuação. Essas normas, leis e regras independem do indivíduo, e pairam acima de todos uma consciência coletiva, que dá o sentido de integração entre os membros da sociedade. Elas se solidificam em instituições, que são a base da sociedade e que correspondem, nas palavras de Durkheim, a " Toda crença e todo comportamento é instituído pela sociedade'.
O que lhe dá sustentação são as instituições como, a família, a escola, o sistema judiciário, e o estado. esses sistemas congregam os elementos essenciais da sociedade. Durkheim dava tanta importância a essa questão que definia a SOCIOLOGIA como " A CIÊNCIA DAS INSTITUIÇÕES SOCIAIS, DE SUA GÊNESE E DE SEU FUNCIONAMENTO".
Para que isso funcione, tem que estar enraizada nas heranças do passado, que vão se firmando lentamente ao longo da evolução histórica da humanidade e de seus sistemas.
Para Max Weber (1864-1920), o indivíduo é a ação social. Difere de Marx e Durkheim , tendo com fundamentação, compreender o indivíduo através de suas ações. Perguntava ele: por que algumas pessoas tomam certas decisões determinadas? Quais são as razões para para que tenha tomado tal atitude?
Segundo ele a sociedade existe concretamente, mas não é algo externo e acima das pessoas, e sim o conjunto das ações dos indivíduos relacionando-se reciprocamente. assim pretende compreender a sociedade como um todo.
Seu conceito é o de ação social, entendida como um ato de se comunicar, de se relacionar, tendo alguma orientação, quanto às ações dos outros. Esse "outros", pode ser um indivíduo isolado ou um grupo.
Weber trata desas ações de formas diferentes umas das outras elas se diferenciam, por necessidades, por afinidades ou por relação.
Essas ações podem estar ligadas ou por uma relação familiar ou por hábitos. São ações que se tomam quase involuntariamente. Por exemplo  várias pessoas estão andando na calçada, de repente começa a chover, todos abrem seus guarda chuvas instantaneamente sem pensar muito na ação daquele momento. essa se diferencia da ação de alguém que compra algo, pois ele esta passando o dinheiro e recebendo o produto o qual vai ser passado para outros...
Essa teoria passa pela racionalidade como ação de valores das ações que estruturam e organizam a sociedade.
Norbert Elias e Pierre Bordieu, pensam a sociedade dos individuo.
Podemos identificar  três aspectos distintos no que se refere ao estudo sobre individuo e sociedade. Para Marx, o foco recai sobre os indivíduos, inseridas nas classes sociais. Para Durkheim, o fundamental é a sociedade e a integração dos indivíduos nela. Para Weber,os indivíduos e suas ações são os elementos constitutivos da sociedade.
dois sociólogos contemporâneos analisaram essas teorias sobre individuo e sociedade procurando interagir esses polos:
Primeiro está o conceito de configuração, elaborado pelo sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990), é comum diz ele distanciarmos indivíduo e sociedade quando falamos dessa relação, pois parece que parece que julgamos impossível haver, ao mesmo tempo, bem estre felicidade individual e uma sociedade livre de conflitos. De um lado está o o pensamento de que  as instituições, família, escola, e Estado, devem estra a serviço da felicidade e do bem estar de todos e de outros, a ideia  de uma unidade social acima da vida individual.
As distinções entre os indivíduos e sociedade levam a pensar que se trata de duas coisas separadas, como mesa e cadeira. Ora, é somente nas relações e por meio delas que "os indivíduos podem possuir características humanas, como falar, pensar e amar". segundo ele só podemos conviver, trabalhar, estudar e divertir-se em uma sociedade que tenha história, cultura, educação, e não isoladamente.
Essa configuração apresentada por Elias,  é dinâmica, como acontece na vida real da sociedade. Imaginemos uma mesa com jogadores de carta, ela só se dá nessa relação entre os participantes pois um sozinho não teria configuração social para estar ali.Outro exemplo é um jogo de futebol. Todos tem que estar ali para que aconteça o jogo, caso contrário o jogo não será possível.  sozinho não conseguem jogar, mas juntos, cada um terá sua regra, suas estratégias, assim seguindo as regras e vencer a competição.
Habitus é outro conceito utilizado por Elias estabelecendo uma relação com o pensamento de Bordieu (1930-2002).
Para Elias, habitus, é algo como uma segunda natureza, ou melhor, um saber social incorporado durante nossa vida em sociedade. Ele afirma que o destino de uma nação, ao longo dos séculos, fica sedimentado no habitu de seus membros. é algo que muda constantemente, mas não rapidamente,e,por isso, há equilíbrio entre comunidade e mudança.
Bourdieu toma o habitu como referencial em seus estudos, ligando indivíduo e sociedade. O habitus se apresenta como social e individual ao mesmo tempo, e refere-se tanto a um grupo quanto a uma classe e, obrigatoriamente, também ao indivíduo.
Tenta mostrar as ações dos indivíduos tanto fora como dentro do grupo. o habitus segundo Bourdieu é o que articula práticas cotidianas, a vida concreta dos indivíduos, com as condições de classes determinadas da sociedade, ou seja, a conduta dos indivíduos e as estruturas mais amplas. fundem-se assim as condições objetivas e subjetivas.
Para Bourdieu, o habitus é estruturado por meio de instituições de socialização dos agentes, ( a família e a escola principalmente), e é ai que a ênfase na analise do habitus deve ser colocada,pois são essas primeiras categorias e valores que orientam a prática futura dos indivíduos. Na realidade a Sociologia oferece várias formas de interpretar a sociedade.

Dr. Ms. Antonio M Bataioli
 
 
antonio marcelei bataioli
Enviado por antonio marcelei bataioli em 18/04/2012
Código do texto: T3620713

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Sobre o autor
antonio marcelei bataioli
Cuiabá - Mato Grosso - Brasil, 49 anos
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antonio marcelei bataioli



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