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"A SECA, E A INDÚSTRIA DA SECA NO NORDESTE


Desde criança eu ouvia muito os adultos falarem sobre a seca no Nordeste. Falavam também sobre a "famosa" indústria da seca. Eu não entendia nada além da seca por falta de chuvas. Além dos açudes e lagoas onde a terra, de tão ressecada ficava rachada, produzindo nas pessoas uma sensação de tristeza, impotência e improdutividade.

E... cujo significado traduzido era a ausência de fartura na mesa para os agricultores e suas famílias.

Era a dor de ver os filhos passando necessidade e nada poder fazer.

Era a angústia, o sofrimento de não ter onde trabalhar, porque, mesmo se tivesse um "patrão" ele não pagaria porque também não tinha como cultivar a terra seca.

Era a dor também de, além do sofrimento das pessoas, ver o rebanho ou alguns animais morrendo de fome e de sede.

Era nada poder fazer e ver as lágrimas rolarem no rosto de milhares de pais e mães de famílias.

Cresci ouvindo essas histórias tristes. Ouvindo as pessoas dizerem que tudo que não poderiam perder era a fé e a confiança em Deus. E aquelas pessoas resignadas entregavam o "problema" da seca a Deus.

Depois que eu cresci, fui aprendendo e entendendo que a seca não é culpa de Deus, mas do próprio ser humano. Porque sendo a "seca" um problema climático, cabe ao próprio homem encontrar formas eficazes de conviver com "ela".

No entanto, a irresponsabilidade de muitas gerações de políticos incompetentes e "usurpadores" da bondade, da boa fé, da ingenuidade e da falta de informação de milhares de nordestinos, ao longo de dezenas de décadas, serviu para que eles tirassem  proveito político dessa situação de calamidade da população.

Esses salafrários, infelizmente, sempre se elegeram e reelegeram-se por vários mandatos consecutivos, utilizando em seus "discursos clonados" o problema da seca no Nordeste. Mas ainda há quem fature e continue tirando proveito político do "fenômeno" da seca.

Tentar angariar votos, utilizando como "discurso" a questão da escassez de água, é no mínimo não ter vocação para a política, ser pobre de idéias e não ter respeito pelas pessoas mais pobres e menos escolarizadas.

Pasmem vocês queridos poetas, poetisas e leitores, que não conhecem de perto essa realidade, em pleno século XXI, com a reportagem abaixo, que peguei da página do UOL.
Desculpem, amores, o texto é longo, mas eu precisava falar.
Muito grata. Um beijo com meu carinho"
Isis Dumont



 "A seca no Nordeste é sempre sinal de sofrimento para o sertanejo. Mas a falta de chuva também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada “indústria da seca” fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores."

"O uso político da água é histórico no Nordeste, mas vem perdendo força nos últimos anos. “A indústria da seca, na história brasileira, é um instrumento de alguns, em detrimento de outros, para aumento de poder econômico, político ou social de determinado grupos. Embora ela venha perdendo força, não seria possível erradicar uma prática de 400 anos em apenas 10”.



"Minha região, felizmente não faz parte do polígono da seca. Minha cidade fica a uma hora e meia da Capital João Pessoa. Ainda pertence ao litoral. Mas eu não deixo de me indignar com esses absurdos, e de ser solidária com os que sofrem e são a cada mandato, enganados."

Isis Dumont
 
 
 




Ísis Dumont
Enviado por Ísis Dumont em 25/05/2012
Código do texto: T3687867

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Sobre a autora
Ísis Dumont
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 57 anos
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