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A Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner

                                       VALTÍVIO VIEIRA

Formação do Autor: Curso Superior em Gestão Pública, pela FATEC – Curitiba – PR; Licenciado em Filosofia, pelo Centro Universitário Claretiano – Curitiba – PR,  Licenciado em Ciências Sociais, pela UCB – Universidade Castelo Branco – Rio de Janeiro – RJ, Pós-Graduado em Ciências Humanas e suas Tecnologias; Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal; Formação de Docentes e Orientadores Acadêmicos em Educação à Distância, e Pós-Graduando em Metodologia do Ensino Religioso, ambos pela FACINTER – Curitiba – PR.


                                 SÃO BENTO DO SUL - SC
                                              2012

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner

A preocupação em medir a inteligência das pessoas sempre existiu na história da humanidade, associados à definição de inteligência: hereditariedade, classificação e mediação.
O primeiro pressuposto (hereditariedade) tem seu inicio com os gregos e romanos, que acreditavam que os filhos de soldados seriam ótimos atletas ou mesmo soldados, assim como os descendentes de grandes pensadores seriam bastante inteligentes.
Na China, o governo propõe e oficializa a união de grandes cientistas acreditando que seus filhos serão superiores cognitivamente, ou seja, filhos de sujeitos brilhantes serão também brilhantes. A inteligência não é perpassada biologicamente de pai para filho.
O segundo pressuposto a classificação, atrela-se à mediação. Por classificação compreende-se a inclusão do sujeito em determinado nível de inteligência, ou seja, classifica-lo como inteligente ou não inteligente, prática muito comum em nossas salas de aulas, ontem e hoje.
Descartes contribuiu com essa visão ao afirmar que a racionalidade estava acima de tudo, principalmente da emoção. Para Descartes o Homem é um ser racional, ou seja, um ser pensante é uma substância pensante (res cogitans), que pode conhecer tudo o que almejar. Na duvida o homem, enquanto pensamento, somente tem certeza do seu pensar. O pensamento é inseparável da existência do homem, o pensamento engloba o duvidar, o afirmar, negar, querer e imaginar. Descartes defende que no homem há a (res extensa), ou seja, o corpo e a (res cogitans), a alma ou o pensar, onde o mesmo homem é composto dos dois elementos.
O filosofo que constrói a ponte entre o Renascimento e o Iluminismo é René Descartes (1596 – 1650). Não pertence a nenhum dos movimentos culturais e, entretanto, é legatário de um e germinador de outro. A concepção racionalista de homem geralmente é devida a Descartes. O racionalismo e o pensamento cartesiano são expressões que se confundem. É um marco histórico para a antropologia filosófica a sua proposição de que “penso, logo existo”. É a razão humana posta no seu devido lugar, isto é, enquanto complexo característico da existência humana.
Descartes (1999, p. 57), é claro quando descreve a sua concepção de humanidade. O seu projeto é “utilizar toda minha existência em cultivar minha razão, e progredir o máximo que pudesse no conhecimento da verdade, de acordo com o método que me determinará”. Associam-se o cultivo da razão e o progresso do conhecimento da verdade.
O racionalismo considera que o real é em última análise racional e que a razão é, portanto capaz de conhecer o real e de chegar à verdade sobre a natureza das coisas. Descartes não pode reduzir o conhecimento racional, a um dogma, onde a razão é a verdade absoluta em relação ao conhecimento, ou seja, a única fonte segura de conhecimento temos os sentidos e a própria experiências empíricas, que nos auxilia para a busca de novos conhecimentos. Com Descartes, a filosofia deixa de ser o acabamento para tornar-se o pressuposto da ciência.
Uma das máximas do pensamento cartesiano era a de “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintivamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele” (Descartes, 1999, p.49).
Antonio R. Damásio, mostra que a pessoa humana não pode ser considerada como racional em seu todo, em bloco, dir-se-ia. O estudo sobre o que acontece com as cirurgias cerebrais mostra que há vários centros no cérebro. Há o centro do cérebro que comanda as operações denominadas racionais, responsáveis pelo raciocínio e operações lógicas e assemelhadas; há o centro de decisão ou da vontade ou do livre arbítrio, assim como existe o centro da afetividade e outros.
Com a conclusão dessa pesquisa, cai por terra o paradigma cartesiano de que o homem é por definição um ser racional, um animal racional. Há que se considerar nele muitas outras dimensões, entre as quais esta a racionalidade, não sendo a principal, mas uma dimensão entre outras. É preciso ver a pessoa como um todo e não apenas como seus elementos, nem se deve de modo algum, privilegiar um elemento ou uma dimensão em detrimento das outras.
Além do mais, outra questão também foi gerada: a idéia de que homens seriam mais inteligentes que mulheres. O conceito mediação seria associado ao pesquisador francês BINET (1908), o governo francês, juntamente com o Ministério da Educação, solicitou a Binet que elaborasse uma bateria de testes de inteligência para serem utilizados em escolas francesas, com o intuito de auxiliar as crianças que apresentassem dificuldades na aprendizagem ou na aquisição do conhecimento.
Na atualidade, novas pesquisas contribuem para a discussão acerca da inteligência humana, um dos estudos atuais que busca problematizar estas questões é o de Gadner: a teoria das inteligências múltiplas. Howard Gardner, psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propôs a Teoria das inteligências Múltiplas que questiona a concepção ainda vigente de inteligência.
Gardner, baseado nos estudos cognitivistas de Piaget e Vygotsky, afirma que nós possuímos capacidades diferentes ou várias inteligências, as quais utilizamos para criar algo (compor uma música, inventar uma máquina), resolver problemas (solucionar uma equação, escolher o melhor trajeto para a escola), criar projetos (elaborar um projeto de pesquisa) e contribuir para o entendimento do nosso contexto cultural.
Para o psicólogo, parte dos seguintes pressupostos: Pesquisas realizadas mostram que até agora existem pelo menos oito inteligências; As inteligências podem se desenvolver mediante estimulação do contexto social e, em particular, da escola; Todos nós nascemos com essas inteligências, mas a maneira como elas vão se combinar ou se desenvolver varia de pessoa para pessoa; Essas combinações são únicas para cada um de nós; são como nossas impressões digitais; As inteligências são um conjunto de habilidades que interagem, portanto não podem ser medidas. Também porque não existe uma única inteligência. Finalmente porque ela pode ser desenvolvida ao longo de toda a nossa vida mediante fatores biológicos, culturais, sociais e tecnológicos; As inteligências interagem constantemente nas atividades de solução de problemas, criação, elaboração e produção. Por exemplo: para solucionar um problema de física, é necessário utilizar as competências linguísticas, espaciais e matemáticas.
Howard Gardner, pesquisador norte-americano, basear-se na psicologia desenvolvimentista e na neuropsicologia. Ela salienta que o ser humano é capaz de desenvolver diferentes inteligências, que funcionam independemente, mas que estão combinadas em quase todas as atividades razoavelmente sofisticadas.
 Para Gardner as avaliações geralmente apresentam somente habilidades tradicionalmente valorizadas, como capacidade verbal e lógico-matemática. As capacidades artísticas e psicomotoras ficariam excluídas dos processos avaliativos. Por esta razão, os professores a escola e a família deveriam estimular os diversos tipos de inteligência, aproveitando aquelas que se evidenciam no cotidiano dos sujeitos. A teoria de Gardner, segundo o próprio pesquisador, não comporta testagem.
Isto descreve GARDNER (1995), em seu livro: Inteligências Múltiplas: A teoria na Prática:

Eu agora gostaria de mencionar brevemente as sete inteligências que localizamos e citar um ou dois exemplos de cada uma delas. A inteligência lingüística é o tipo de capacidade exibida em sua forma mais completa, talvez, pelos poetas. A inteligência lógico-matemática, como o nome implica, é a capacidade lógica e matemática, assim como a capacidade científica. Jean Piaget, o grande psicólogo do desenvolvimento, pensou que estava estudando toda a inteligência, mas eu acredito que ele estava estudando o desenvolvimento da inteligência lógico-matemática. Embora eu cite primeiro as inteligências lingüística e lógico matemática, não é porque as julgue as mais importantes – de fato, estou convencido de que todas as sete inteligências têm igual direito à prioridade. Em nossa sociedade, entretanto, nós colocamos as inteligências lingüística e lógico-matemática, figurativamente falando, num pedestal. Grande parte de nossa testagem está baseada nessa alta valorização das capacidades verbais e matemáticas. Se você se sai bem em linguagem e lógica, deverá sair-se bem em testes de QI e SATs, e é provável que entre numa universidade de prestígio, mas o fato de sair-se bem depois de concluir a faculdade provavelmente dependerá igualmente da extensão em que você possuir e utilizar as outras inteligências, e é essas que desejo dar igual atenção. A inteligência espacial é a capacidade de formar um modelo mental de um mundo espacial e de ser capaz de manobrar e operar utilizando esse modelo. Os marinheiros, engenheiros, cirurgiões, escultores e pintores, citando apenas alguns exemplos, todos eles possuem uma inteligência espacial altamente desenvolvida. A inteligência musical é a quarta categoria de capacidade identificada por nós: Leonard Berntein a possuía em alto grau; Mozart, presumivelmente, ainda mais. A inteligência corporal-cinestésica é a capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos utilizando o corpo inteiro, ou partes do corpo. Dançarinos, atletas, cirurgiões e artistas, todos apresentam uma inteligência corporal-cinestésica altamente desenvolvida. Finalmente, eu proponho duas formas de inteligência pessoal – não muito bem compreendidas, difíceis de estudar, mas imensamente importantes. A inteligência interpessoal é a capacidade de compreender outras pessoas: o que as motiva, como elas trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. Os vendedores, políticos, professores, clínicos (terapeutas) e líderes religiosos bem-sucedidos, todos provavelmente são indivíduos com altos graus de inteligência interpessoal. A inteligência intrapessoal, um sétimo tipo de inteligência, é uma capacidade correlativa, voltada para dentro. É a capacidade de formar um modelo acurado e verídico de si mesmo e de utilizar esse modelo para operar efetivamente na vida. (GARDNER, 1995, p. 15)

Apenas sete inteligências de Gardner, serão usadas neste trabalho, pois, há uma oitava inteligência que é a naturalista, para a conservação do meio ambiente. são competências que se desenvolvem ao longo da nossa vida. Todos nós as possuímos de formas diferentes. Para algumas pessoas, certas inteligências, por exemplo, são mais aparentes que outras. Além disso, a execução de uma tarefa sempre envolve a interação entre inteligências e podem, também, existir outras inteligências que ainda não foram descobertas.

REFERÊNCIA

DAMASIO, Antonio. O Erro de Descartes. São Paulo: Marins Fontes, 1999.
DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores).
_________________. Regras Para a Direção do Espírito. Lisboa: Edição 70, 1989.
GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: A teoria na prática. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
Valtivio Vieira
Enviado por Valtivio Vieira em 31/05/2012
Código do texto: T3698081

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Valtivio Vieira
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