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Transitando pelo perigo

Hoje em dia ao sairmos de nossas casas, dependendo do lugar em que moramos, implicitamente há o receio de que possamos não retornar. Isto porque vivemos um tempo de incertezas e onde o comportamento humano sofre considerável alteração, por conta de todas essas mudanças bruscas, rápidas e nem sempre bem “digeridas”.
O Homem, quando se sente ameaçado torna-se violento e assim, os dias que estamos vivendo propiciam em larga escala a manifestação desta violência interior, que se afigura de forma tão grotesca e desenfreada.
O elevado número de veículos, e a diversidade que existe no meio de transporte motorizado, deve nos preocupar e receber nossa atenção como elemento direto que interfere na qualidade de vida que podemos alcançar.
Não raras vezes sabemos de acidentes no trânsito. Alguns provocados pela imprudência no uso do veículo; outros pela impaciência, intolerância; algumas vezes por falta de responsabilidade; outras ainda envolvendo motoristas alcoolizados ou que não possuem a habilitação, enfim, há toda uma gama de motivos e de situações que favorecem a incidência de verdadeiros desastres.
Claro está que ninguém se envolve em acidente por vontade própria, mas sabemos que há fatores de riscos que podem ser evitados e que as conseqüências dos acidentes nem sempre são facilmente contornadas.
Quantas pessoas sabemos, tiveram suas vidas alteradas radicalmente, do dia para a noite, sem possibilidade alguma de reverter a situação; e viram-se condenadas a passar o resto de seus dias atrelados a aparelhos, situações e dependências das mais variadas possíveis, porém todas tendo em comum a falta de liberdade, a perda da capacidade de ser independente, o encerramento de uma história que não teve fim, para dar inicio a outra completamente diferente e inevitavelmente difícil.
Nos indagamos então, onde estamos errando? Onde está nos escapando algo tão determinante para a segurança, a qualidade de vida de todos nós? Onde poderíamos repensar e talvez, rever nossas ações, nossos valores, nossa conduta em relação à vida? A vida por excelência, em sua integralidade e não no que nos envolve ou nas possíveis formas de vivê-la.
Sabemos que há sempre um preço a se pagar para cada escolha que fazemos.
Não podemos abdicar do modernismo, nem fingir que vivemos no passado e abolir o que o progresso nos trouxe.
Parece-me que a questão é mais profunda. Não se trata apenas de querer ou não, aceitar ou não, fingir ou enfrentar.
Penso que é mais uma questão de consciência, de sensibilidade mais aguçada para que se percebam as reais implicações dos riscos que coremos e então, limitá-los ao máximo, para que tenhamos uma margem quase irrisória deixada ao destino, se é que assim a ele podemos nos referir.
Temos hoje em nossa sociedade diversos aspectos que exigem do Homem uma imediata atenção, com o risco de ser ele mesmo destruído por tudo que ele próprio criou. Também temos a obrigação de reestruturarmos a maneira de encarar o transito.
Nossa posição em meio ao cenário que se apresenta, com o enorme contingente de veículos, com as dificuldades que os engarrafamentos provocam, com a escassa sensibilização da população em geral aos aspectos mais sutis da cidadania saudável, precisa ser revista e estabelecida em fundamentos humanos, para que possamos nos beneficiar dos recursos que a tecnologia nos oferece, sem torna-los armas voltadas contra nós mesmos.
Para que possamos evitar o elevado numero de acidentes no transito, é mister que façamos uma avaliação do quanto realmente damos atenção a esta função, hoje vital, que é a de motorista (condutor).
Praticamente todos nos estamos expostos a este tipo de situação, uma vez que estamos rodando pela vida, motorizados.
Assim, nada melhor que nos prepararmos com consciência, responsabilidade e mais que tudo com sensibilidade, para alcançarmos, mesmo que em certa medida apenas, a total responsabilidade que temos ao nos colocarmos como motorista, não importa qual seja o veiculo ou o meio de transporte. Ter a plena compreensão do quanto nossas atitudes interferem na vida dos que estão a nossa volta, e ate aonde vai minha liberdade de escolha, para que não aconteça de invadir o espaço que não nos é devido.
Evitarmos que tenhamos em nossa família, pessoas que se mutilam, tanto no físico como na alma e que por conta disso, deixam de usufruir a vida com que Deus a presenteou, é no mínimo nossa obrigação.
Falo por mim, nas vezes em que me vi envolvida com situações de acidentes de transito, tendo familiares envolvidos. Alguns escapando com vida, outros que a perderam no próprio local ou logo depois, e lidando de perto com as conseqüências que cada situação provocou na vida de um grande número de pessoas.
Há que se repensar, que dedicarmos tempo, energia e partirmos para uma ação conjunta onde todos nós seremos beneficiados, de uma forma ou de outra.
Quando aprimoramos qualquer habilidade que nos é nata, damos saltos enormes na escala da evolução e preparamos um mundo melhor, aos que vieram seguindo nossos passos.

Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas

Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 09/02/2005
Código do texto: T3839
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho