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O Relicário da prece

Quando nos recolhemos silenciosamente, permitindo que nosso mundo interior se expresse em sua peculiaridade, não deixando que os ruídos externos invadam o espaço da mansidão; então algo místico acontece. Uma suspensão de vida objetiva, possibilitando que nossa consciência se expanda lentamente fora dos limites da condição humana. Aos poucos vão se alargando as fronteiras da dimensão onde nos sentimos aprisionados.
Quando nos entregamos a esse momento, de forma plena, absoluta, íntegra, de tal sorte que nós mesmos perdemos a noção da temporalidade, experimentamos uma sensação de leveza, desprendimento e percebemos um movimento singular da centelha divina que se aloja no mais profundo de nosso ser.
Estranhamente nos sentimos confortáveis. A liberdade parece ser nossa condição natural! E o que por vezes sugere algo assustador, neste instante atua como fonte revitalizadora, encorajando a nos desvencilharmos de nossa identidade imediata.
Assim, na quietude que abraça o movimento da alma, cria-se quase como que um vácuo, onde nos deslocamos suavemente como a brisa.
Neste momento, quando tudo parece estar suspenso, quando a brisa deixa de soprar, o som da vida se dilui vagarosamente e a natureza sussurra sua Paz. Nos desligamos de tudo que é objetivo e que nos cerceia. O feixe de crenças que em nosso íntimo pretende nos moldar, se vê enfraquecido e tão empobrecido que timidamente se recolhe ao anonimato, envergonhado de sua superficialidade.
A vida se desfaz da futilidade de modo a permitir que tudo evolua na grandiosidade da sabedoria. Os equívocos, falhas de arranjos conceituais ou não, por si só se esgotam quando a energia se alinha ao ritmo cósmico, produzindo a harmonia que é essencialmente a natureza da vida, uma sonoridade mais antiga que o próprio tempo.
E é exatamente neste ponto, nesta fenda criada pela entrega deliberada da alma é que se dá a verdadeira prece, a autêntica experiência religiosa, o toque misterioso do que é sublime.
E quem a experimenta nestas condições, irremediavelmente jamais será o mesmo. Por mais que retorne aos momentos de obscuridade, mergulhado na vida cotidiana onde questões materiais repletas de urgências exigem sua atenção, nunca mais será como antes. A expansão da consciência é irreversível, um processo que se dá no campo do imponderável, onde os ditos milagres ocorrem. Na verdade milagre é a expressão da vida em sua natureza pura, una, sem a mácula do falso senso de separação.
Talvez a prece não seja facilmente compreendida por tratar-se de um estado todo próprio, único e com o qual o ser humano é pouco familiarizado, em decorrência de seu envolvimento com as solicitações da vida exterior.
Quem sabe o que importa não seja afinal a prece em si, mas o que ela provoca em nós. Nos coloca em estado de harmonia, de abertura, de receptividade, em absoluta sincronia com todo o universo, possibilitando a sintonia com a Fonte de Energia Vital e dela recebermos a substância divina, que a tudo preenche, vivifica, prospera e supre de todas as necessidades.
Quando vamos permanecendo por um bom tempo em estado de oração, acostumando nosso ser a desfrutar desta vibração mais amiúde, provocamos uma situação favorável em que a intuição (uma expressão da nossa alma) se manifesta e nos guia para os lugares certos, nos conduz onde teremos a possibilidade de resolvermos nossas questões ou realizarmos nossos mais caros desejos. Esta é a alquimia que ocorre quando nos colocamos em estado de oração.
Assim como acreditamos, assim é que tudo se processa. Nossa conduta acompanha nosso pensar que segue a direção de nossos sentimentos.
Desvendar o processo em que se desenrola nossa maturidade espiritual é descobrir atalhos que nos permitem acelerar nossa jornada rumo ao infinito.
O estado de oração sugerido por Jesus em seus ensinamentos, é sem dúvida nenhuma o mais autêntico relicário da prece.

Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 12/02/2005
Código do texto: T4139
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho