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                O APITO DA PANELA DE PRESSÃO


Sempre que acontecem manifestações e atos públicos de protesto, lembro-me de dois conselhos que já ouvi na vida.
O primeiro é o conselho do velho Kimura, pai de um antigo colega de prancheta da Cobrasma e exímio cozinheiro: quando um caminhão faz muito barulho ele está vazio, nada tem em seu interior; porém se ele fizer um barulho audível e marcante, ele está pleno de carga e conteúdo.
O segundo conselho que tive um dia e que marca minha vida é aquele da panela de pressão; minha mãe Guidinha, quando teve sua primeira panela de pressão, estava um dia cozinhando nosso jantar, quando a panela começou a apitar. Preocupado e não menos curioso, perguntei a minha mãe: - por que a panela estava apitando? Ela me disse que o apito era a confirmação de que “as coisas” que estavam dentro dela estavam começando a ferver e que era quase impossível conseguir que “aquelas coisas” não começassem a se transformar a partir do momento do apito. Acrescentou ainda que era muito perigoso tentar fazê-la parar de apitar, visto que podia explodir, causando estragos inimagináveis.

Bem; a par e passo com a copa das confederações, está acontecendo no Brasil (país tradicionalmente não afeito a protestos populares), as passeatas de cunho econômico, político e social.
Diferente das outras que tivemos (“caras pintadas”; “diretas já”; etc.), dessa vez não são políticos que comandam as passeatas; embora alguns partidos tentem tirar proveito da situação, pagando para seus aliados a se misturarem à ror, com a bandeira do partido, com o fito específico de granjear simpatias que se transformem em votos: - Que fiasco e que mico!
Eu lamento que alguns anarquistas imiscuídos nas passeatas, acabem por prejudicar a ideia e conceito dessas passeatas, fazendo quebra-quebras, pixando, tocando fogo nas lixeiras e destruindo a cidade; sem dizer que a ação ainda prejudica aqueles que ainda têm a benção de ter um emprego e que, depois de um dia de labuta, não pode voltar para casa, pois as linhas de ônibus não funcionam e os trens e metrôs, incrivelmente mal planejados, não cobrem a necessidade nem de vinte por cento da população.
Parece-me que o país está amadurecendo, ainda que tardiamente! Lamento não poder ver o dia em que os políticos fantasiados de defensores dos fracos e oprimidos, apanhem nas urnas... . Afinal, finalmente o povo brasileiro quer mudanças; ainda que não tenham saído às ruas para denunciar o “mensalão”, ou os casos “Cachoeira” e outros eventos, que denigrem a classe política do país. Políticos visivelmente ímprobos continuam aparecendo nos programas políticos de TV, continuam fazendo parte de “esquemas” e ainda participam da política, inclusive na Assembleia Federal e no Senado. O esforço que todos nós fizemos para que a “Lei da Ficha Limpa” entrasse em vigor em 2012, foi relegada a um plano secundário, para que alguns líderes políticos pudessem manter sua equipe de asseclas ao seu dispor atuando na sorrelfa. Muitos políticos sem nenhuma qualificação e preparo escolar, estão à testa de alguns dos trinta e oito ministérios da presidência da república; que fazer? Agora os políticos sabem: o povo está começando a rugir, embora segundo os políticos, os ratos não rugem, porém eles terão de receber nas urnas o recado, ora iniciado. E hão de ter, tanto quanto eu já tive, medo do apito da panela de pressão e do barulho moderado das carroçarias dos caminhões da vida.
-Quais serão os resultados desses eventos recentes?
Infelizmente não sei prever o futuro, mas me leva a pensar que as pessoas que fazem as passeatas com dignidade e clareza de propósitos, têm sim uma moeda de troca muito valiosa: o voto. E já que a hora é de falar e protestar, que os líderes desses eventos não me desanimem: suas vozes serão ouvidas; o povo quer mudanças. Lembro que, por motivos políticos, a cidade de São Paulo ficou fora da copa das confederações, porque os políticos assim o quiseram. Sei que é afirmação inocente, porém muita gente diz que o governo federal poderia resolver a maioria dos problemas do povo brasileiro com o dinheiro gasto nas construções dos estádios faraônicos, vários em locais onde não há sequer atividades olímpicas. Os políticos tinham o dinheiro antes das copas e nunca quiseram resolver os problemas do povo. Talvez algum político vá lucrar com os estádios, alugando-os para shows artísticos, onde a figura do palhaço fica na plateia e não na arena. Afinal, os próprios romanos diziam que o povo quer apenas “pão e circo”! Será que os políticos brasucas estão certos? O jovem e inexperiente alcaide paulistano está à altura do cargo e da responsabilidade do cargo que ocupa? Será que ele terá que pedir penico para os chefes do partido o qual representa? Quanto aos gastos com estádios, cujos valores extrapolam o bom senso, serão os circos propostos. Os políticos prepararam os circos. Esqueceram-se, no entanto, do pão que o povo precisa e quer. Creio que eles estão errados! Gostaria que os poderosos deste país maravilhoso, pudessem entender o significado do apito da panela de pressão, ainda mais agora, quando toda a voz pode ser ouvida nas ruas, nas rádios, nos jornais, nas redes sociais e na TV; basta entender a epífrase.
 
ACAS
Enviado por ACAS em 18/06/2013
Reeditado em 27/09/2013
Código do texto: T4347859
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Sobre o autor
ACAS
Taboão da Serra - São Paulo - Brasil
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