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MAIOR CRISE DA HISTÓRIA

Setembro de 2005

A doutrina que reserva à oposição o direito de criticar, sem aconselhar, de destruir, sem comprometer-se, é desleal e insensata. Ruy Barbosa

"A maior desgraça para um homem é ocupar um cargo para o qual não esteja preparado" - Napoleão Bonaparte

Crise significa dificuldade. Também quer dizer transformação.

Pode ser de ordem política, financeira, de relacionamento inter-pessoal, pode estar localizada no comércio, na indústria, nos serviços, no Lar.

O Brasil tem convivido nestes 505 anos, com muitas crises políticas, crises sociais, financeiras, entre outras. Atualmente, convivemos com duas crises: uma crise financeira, fruto da política globalizada, ditada por instituições internacionais e por políticas de protecionismo das grandes potências mundiais, pontificando os Estados Unidos da América e alguns países europeus; a outra crise é moral e ética.

Em 2001, tivemos a crise da energia, quando fomos obrigados a economizar luz para evitar apagões em grandes regiões do país. Neste período, convivemos com crises financeiras da Ásia e, posteriormente, da Argentina.

No ano de 2002 convivemos com uma crise que parece ter sido criada pelos especuladores. Foi a crise eleitoral... O candidato "A" subia nas pesquisas e o candidato do governo descia. O dólar disparava e ultrapassava os três reais...
Acusações contra os economistas do governo e palpites de economistas de linhas diferentes, davam-nos conta das dificuldades para sabermos quem estava certo ou errado. Com certeza, a política governamental não estava correta. Se estivesse, nosso país estaria em condições mais equilibradas.
Vamos, então, analisar as diversas correntes, visando entender um pouco dessa crise econômica que engole os salários, causa inflação, desemprego e falta de perspectivas.

Segundo os economistas, os altos juros para alcançar o superávit primário de 5% do PIB – Produto interno bruto, impede o crescimento da economia, desestimula investimentos, o emprego, e torna a dívida interna e externa impagáveis.

Vale salientar que o Brasil tem pago anualmente, desde 2003, uma média de 150 bilhões de reais de juros e serviço da dívida.

O governo Lula vem usando do contingenciamento do orçamento da União para pagar serviços da dívida, empobrecendo cada vez mais o país e aumentando as desigualdades sociais.

O discurso dos representantes do atual governo, segundo o qual a economia está uma maravilha, não se coaduna com a triste realidade vivida no país.
Por falar nisso, no início do mês de agosto de 2005, encontravam-se presos nos Estados Unidos, 25.600 brasileiros que tentaram entrar ilegalmente naquele país via fronteiras mexicanas. O êxodo de brasileiros para o exterior entre 2003 e 2005 bate todos os recordes da nossa história.

Os programas sociais do governo Lula são mal geridos. Não há grandes obras na construção civil e o presidente viaja com grandes comitivas para inaugurar pequenas obras, que poderiam ser realizadas por pequenas comunidades...

A partir de maio de 2005 o país foi assaltado por denúncias de corrupção no Executivo e no Legislativo, cujas denúncias vinham se avolumando desde 2004 e que não foram levadas a sério pelo governo Lula. Por fim, um episódio filmado nos Correios levou o deputado Roberto Jefferson a denunciar vários focos de corrupção no governo federal, envolvendo figuras centrais da administração e dirigentes do PT – Partido dos Trabalhadores.

O governo federal trabalhou para impedir a instalação de CPIs, mas capitulou, pela pressão da opinião pública. Posteriormente, ao invés de estimular as apurações, colocou seus deputados e senadores para tentar tumultuar as investigações, a ponto de quase causar um impasse nas comissões. A imprensa e a opinião pública, mais uma vez, impediram que o trabalho das comissões terminasse em pizza.

Envolvidos na lama da corrupção, ex ministros, assessores, deputados, dirigentes partidários, num escândalo sem precedentes na história do nosso país.

Ninguém sabe onde tudo isso vai chegar. O povo está atônito.

O presidente Lula nos palanques, compara-se a Juscelino Kubistcheck, demonstrando ter perdido todo o senso de auto-crítica.

A situação política do país é caótica. Deputados dirigem desaforos ao deputado Severino Cavalcanti, presidente da Câmara Federal que tentou uma operação abafa e sai do episódio desmoralizado, principalmente depois da acusação de ter recebido um mensalinho do proprietário do restaurante da Câmara. Outros nomes vão aparecer. Pessoas importantes, de vários partidos. Os dezoito da lista da CPMI são simbólicos. Ainda vem muita sujeira por aí.

Os dirigentes governistas, cinicamente, argumentam que caixa 2, recursos não contabilizados, furto do erário público e outras maracutaias foram herdadas pelo PT desde governos passados.

Não existem crimes e crimes. O crime eleitoral é um crime e um crime não justifica outro. Assim fica difícil consertar o Brasil!

Qualquer prognóstico de como será o fim  desta crise seria, no mínimo, leviano.

Como dizem que Deus é brasileiro, cabe-nos aguardar a dragagem de todo o lamaçal que toma conta de Brasília para sabermos como fica o país depois de tanta desmoralização, tanta mentira e tanta falta de respeito dos governantes para com o nosso povo.

Se a capacidade de mobilização não soa bem, talvez em função da falta de recursos financeiros para levar o povo às ruas, o que fazer?

Esperar é preciso.
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 02/09/2005
Reeditado em 27/09/2005
Código do texto: T47001

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis