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A arte de ser mulher



Muito se fala no dia Internacional da Mulher, sobre as mais variadas facetas da arte de ser mulher. É evidente que isso é saudável e proativo, porém, não o suficiente quando pensamos nas necessidades urgentes, de políticas sociais efetivas que propiciem realmente a consolidação do reconhecimento da condição da mulher dentro da sociedade, tendo direitos e deveres estabelecidos e praticados.
Esta questão de gênero, quando considerada superficialmente, pode tomar um cunho desgastado por ser banalizada em alguns segmentos. Assim, mais que decantar poeticamente o valor da mulher, precisamos colocar as claras as discussões de políticas e acompanhar seu processo de gestação ate que vingue e se fortaleça, através de ações concretas e legitimas, que se estabeleçam como dinâmica social.
É vital que entendamos que a conquista da igualdade de tratamento de gênero dentro da sociedade, será plenamente consolidada quando não houver mais necessidade de falarmos sobre o assunto.
Entre os índios, quando questionados sobre cidadania e sua manifestação na comunidade, obtemos uma resposta clara: “cidadania é questão criada pelo branco, que progrediu mas não evoluiu... nós jamais precisamos discutir sobre valores e direitos nem deveres, porque os vivenciamos”.
Ao refletimos sobre o assunto, polemicamente discutido, sobre a segurança alimentar, não podemos deixar de incluir nele a necessidade de que se viva realmente à inclusão, no caso inclusão de gênero.
Segurança Alimentar é a garantia de saciar-se as fomes que o indivíduo tenha. Fomes concretas e subjetivas. Fome de respeito, dignidade, realização e confiança em si. Fome de oportunidade, de reconhecimento como ser participativo.
Quando uma sociedade estabelece tratamento específico para este ou aquele segmento, ela promove a exclusão em alguma medida e só pode provocar descontentamento, porque é expressão de injustiça.
A equanimidade é prioridade vital numa sociedade que pretenda justiça e respeito para todos.
Quando pensamos em equanimidade colocamos em pauta a pratica de privilégios, cerne de toda discórdia e de revelia a direitos.
Esta colocação expressa de maneira clara e forte a legitimidade da dinâmica social de um grupo. Não podemos deixar de refletir, mais agudamente nesta data, a importância da consciência de cidadania, compreendendo bem o processo de ação do ser humano. Nosso comportamento acompanha sempre nossas crenças, valores e idéias. Eis porque só teremos uma sociedade saudável quando tivermos todos a consciência de grupo, de interdependência legitima e coerente, e a compreensão de responsabilidade de cada um pelo todo.
Assim, o convite para hoje é: coloquemos em cheque nossos conceitos, pré-conceitos, idéias, valores. Há que se fortalecer a maneira com que os direitos constitucionais sejam realmente absorvidos por todos, de tal sorte que jamais seja necessário questiona-los quanto sua validade, por entendermos que o ser humano, independente de gênero, ou qualquer especificidade, têm todos o mesmo valor, os mesmos direitos e os mesmos deveres enquanto cidadão.
A vida perfeita é a expressão do amor autêntico, que em seu bojo abarca a verdadeira inclusão, no seu sentido mais profundo e prático.
Neste dia reservado para homenagear a Mulher, possam os homens de mãos dadas com elas, aprenderem a caminhar lado a lado, cada qual colaborando com seus talentos próprios, doados pelo Criador, complementando o companheiro de jornada, seja em que trecho for desta estrada, e assim possibilitando que em relativa harmonia todos consigam chegar ao seu destino.
Assim, salve o dia de hoje!
Dia da mulher, Dia do ser humano, Dia de Cidadania!
Que ela se estabeleça legitima e digna!

Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 01/03/2005
Código do texto: T5499
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho