Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O QUE VEM AÍ APÓS A DELAÇÃO DA JBS

Em um texto anterior, AH, SE OS VENTOS DA FRANÇA SOPRAREM AQUI, eu falava sobre ventos de mudança e torcia para ventarem aqui. Veio um verdadeiro furacão. Seguem os cenários do que pode acontecer, pelo que ouvi até agora, e o que acho a opção menos ruim.

RENÚNCIA DE TEMER: seria a saída mais rápida e decente (coisa que Temer já provou que não é). Assume o Rodrigo Maia, presidente da Câmara, se não puder o Eunicio Oliveira, presidente do Senado, e se nenhum deles puder, a Carmen Lúcia, presidente do STF. Hoje, os dois primeiros não tem impedimento, mas são investigados na Lava Jato, e se virarem réus, não podem assumir. O substituto tem de convocar eleições indiretas em 90 dias, e o Congresso terá de definir regras para essas eleições.

TSE CASSA A CHAPA DILMA/TEMER : nesse caso, Temer perderia o mandato. O problema é que cabe recurso no TSE e depois ao STF. Não imagino um julgamento em menos de 1 ano.

IMPEACHMENT: o processo nós já conhecemos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aliado de Temer, tem de aceitar a denúncia, formar comissão, essa tem de produzir relatório, aprová-lo, vota na Câmara, tem de ter 2/3 favoráveis, aí Temer é afastado. Depois, vai para o Senado, passa pelo mesmo processo. Levou quase um ano com Dilma. Com alguém do PMDB de acusado, pode levar mais, não faltam aliados interessados na continuidade do governo, vai ser mais difícil ter 2/3 dos votos.

ELEIÇÕES DIRETAS JÁ: há projeto de emenda no Congresso. Se votar em um ou 2 meses, dá para ter eleições em 2017. Não sei de o projeto é só para eleições para presidente ou para todo Congresso. Se forem eleições gerais, os congressistas indicados na Lava Jato que não se reelegerem perdem o foro privilegiado e serão julgados pelo Moro. Seria lindo, mas não passa nem a pau. Se forem só para presidente, o eleito terá de governar com esse Congresso que está aí. Leva uns 3 a quatro meses no mínimo, 2/3 do Congresso têm de concordar e aprovarem a emenda. Sem contar que é quase como declarar Lula presidente e dar-lhe foro privilegiado, não haveria tempo para surgirem novos nomes.

TEMER VIRA RÉU NA INVESTIGAÇÃO DO MPF: se virar réu, Temer é afastado, Rodrigo Maia assume, e o presidente poderá se defender. Também é coisa para meses ou anos.

Resumindo a coisa: teremos Temer, Rodrigo Maia, Eunicio Oliveira ou alguém eleito pelos políticos (com certeza outro deles, tão ilibado quanto esses) até as eleições, ou teremos eleições diretas para presidente e Lula ganha.

Eu sei que vai ser sofrido aguentar até 2018 governados por um desses, porém acho que é o melhor para nós. Nenhum desses canalhas tem apoio popular, logo poderá fazer nesse período um ajuste nas contas públicas. Sejam as reformas que estão aí, seja uma outra reforma, algo tem de ser feito porque o governo simplesmente não paga suas contas hoje e sem acertar minimamente isso, ninguém governa.
 
Com um pouco de sorte, o STF entende o momento histórico que vive, a chance que tem de mudar para sempre o país, e condena ao menos alguns menores dentre os corruptos, mostrando que a impunidade diminuirá. E em 2018 elegeremos novo presidente e Congresso, que pode ser melhor do que está aí, no mínimo será diferente. É sofrer alguns meses a mais pela chance de melhorar após eleições gerais.

Meus amigos petistas vão discordar de mim e vão dizer que Diretas Já com é o melhor para o país. Além de duvidar muito que essa emenda possa ser aprovada por 2/3 do Congresso, discordo até de que seja melhor para o próprio Lula, ou para qualquer candidato, ter eleições agora.

Explico melhor o ponto sobre Lula. Se ele fosse eleito agora, antes do julgamento do tríplex, ganharia foro privilegiado e estaria a salvo. Porém, com certeza teria a oposição de uns 40% da sociedade que odeiam o PT e das forças econômicas e políticas que derrubaram Dilma. Se Lula for condenado por Moro em primeira instância no caso do tríplex, que acontece em junho, antes das eleições, arma-se o cenário para seu impeachment.
 
Por outro lado, vamos supor que seja verdade a crença de vocês de que ele é inocente, e que apenas seu perseguidor, o vilão Moro vai condená-lo, e que será inocentado em segunda instância, o que ocorrerá antes das eleições de 2018. Nesse caso, ele seria eleito com ficha limpa e um Congresso novo, conseguiria governar.

Não gosto nem um pouco da ideia de passar os meses até a eleição sendo governado por um dos canalhas que podem assumir. Não vejo diferença entre Temer, Maia, Eunicio ou 95% dos atuais congressistas. Mesmo se ao invés deles for a ministra Carmen Lúcia ou uma figura ilibada – se é que alguma aceitaria governar com um Congresso de Corruptos – não será fácil. Como não seria fácil para qualquer presidente eleito de emergência, mesmo Lula.

Entretanto, é ainda pior imaginar a eleição de um presidente agora sem Congresso para apoiá-lo, com risco de entrarmos em mais 4 anos de instabilidade após 2018. Precisamos de ajuste na economia e do fim do mandato de ao menos parte dessa corja para podermos ter um país governável.

Concordem ou não com meu raciocínio, a única certeza é que teremos muitos meses mais até as eleições, mesmo que sejam diretas, preparem-se para aguentar. Se alguém consegue ver algum cenário melhor, por favor, me conta, estou “precisado” disso.
Rorscharch
Enviado por Rorscharch em 19/05/2017
Código do texto: T6003781
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Rorscharch
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
186 textos (4363 leituras)
19 áudios (192 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/07/17 18:04)
Rorscharch