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Aposentadoria

Aposentadoria

      É um prêmio alcançado por alguém que viveu quase uma vida inteira prestando serviços a empresa particular e/ou ao governo através de órgãos públicos.
     Homens e mulheres por longos anos contribuíram de alguma forma, com seu trabalho para o desenvolvimento do nosso país.O trabalho tem a sua grande importância na vida social de qualquer indivíduo. Todos precisam trabalhar. Isso é indiscutível. Uma prova disso é que até o própria pessoa que se aposenta tem desejo de voltar a trabalhar. É um paradoxo? Não. Na verdade, aquele que se aposenta, aposenta porque quer  usufruir de um direito adquirido. É como se fosse uma garantia.Há porém quem diga: “não aposente” . O autor desta frase foi o Prêmio Nobel James Watson. /“Nunca se aposente.Seu cérebro precisa de exercício, ou senão atrofia”/. Ele, aos 75 anos, estava em boa forma, sem aflições e sem tédio! Ele tem razões suficientes para fazer essas declarações.
     A mente exercitada facilita à concentração,a habilidade de comunicação, a capacidade de raciocínio e evita os esquecimentos.
     Como exercitar a mente?
     Fazendo-a funcionar. Por exemplo: pensando, lendo, escrevendo, refletindo sobre tudo que for necessário, sobretudo, encarando de frente as próprias dificuldades e responsabilidades.
     Certa vez li uma reportagem científica, a qual me despertou muita curiosidade quando em certo ponto dizia o seguinte: “O cérebro possui “filamentos”, tipos de fios por onde circulam os neurônios, que são as células nervosas os quais formam a “fiação ou rede" do cérebro. Esses neurônios sãos os responsáveis pela recepção e transmissão das informações armazenadas em nossa memória. Os filamentos são interrompidos vez por outra e interligados por “pontes” chamadas de sinapses. O cérebro humano é formado de 100 bilhões de neurônios e 60 trilhões de sinapses. É aí que reside algo muito curioso. Um cientista relatou na reportagem que, quando a pessoa faz pouco uso de seu cérebro (exercita pouco), as sinapses são gradativamente obstruídas, o que dificultará a passagem dos neurônios que são necessários para exercer o raciocínio”.
      Assim, podemos entender porque muitas pessoas ficam velhas precocemente, esquecem quase tudo com facilidade, é porque não exercitam a mente.
     O nosso cérebro precisa ser treinado para criar e realizar mais. Sabe-se que o homem utiliza apenas 10% do seu cérebro, e ele é uma máquina fantástica que nenhum computador consegue igualar.
      Podemos fazer aplicação desta realidade em muitas situações nossas. Como você tem usado sua mente? Vamos desobstruir as nossas sinapses e deixar passar os nossos neurônios, para que o nosso raciocínio esteja ativo.
      Os neurônios precisam ser sacudidos para se ter novas idéias. Os continuísmos precisam ser substituídos por alternativas diferentes. Assim, devemos entender que a aposentadoria não deve significar um atrofiamento do nosso cérebro, mas um tempo útil com muitas opções.
      A aposentadoria é mais aceita entre as mulheres, e isso é explicado porque quase sempre, elas têm porque já planejaram outras atividades ou ocupações para o preenchimento do seu tempo. E isso lhes torna a vida salutar. Os homens, contudo,  já oferecem uma certa resistência ao evento da aposentadoria e na maioria só o fazem, quando já atingiram o limite de seu tempo de atividade. Essa atitude dos homens está muito ligada ao aspecto cultura, porque eles já se acostumaram a fazer do ambiente de trabalho o centro de sua vida social e têm dificuldade em abrir mão dele.
     Existe um estigma quanto à aposentadoria e muitos sofrem com as expressões pejorativas: “recebeu o bastão”, “pendurou as chuteiras”, “está de pijama”, etc. Isso nada mais é do que uma demonstração de desconhecimento sobre a realidade dos aposentados. Aposentadoria não significa afastar-se da vida social, da vida laborativa. Eu, particularmente costumo dizer: se não estivesse aposentada, não daria conta de fazer tudo o que faço. Sou/estou aposentada, mas nunca desocupada. Sou/estou aposentada, mas não inútil; continuarei sempre sendo útil.
     Nós aposentados estamos sendo recolocados na vida profissional com outras atividades. Estamos mais livres para escolher o futuro, apesar de outro inevitável estigma: da queda de rendimentos financeiros. Essa verdade não é absoluta, porque existem muitos na vida ativa normal que estão em piores condições que os aposentados. Creiam!
     Aposentadoria não é o fim. Pode ser o começo.O brasileiro sempre foi reconhecido pela sua capacidade de trabalho. O Brasil que hoje temos não deveria ser esse que aí está, contudo, a carga dessa responsabilidade não cabe a nós brasileiros, mas à incapacidade administrativa, a política incoerente e corrupta. Muitas atividades exercidas por trabalhadores brasileiros não têm sido reconhecidas para efeito de aposentadoria. Movimentos têm sido realizados reiterando direitos. Infelizmente nem sempre são ouvidos e tão pouco considerados. Até quando perdurará essa ignorância governamental?
A aposentadoria não deve ser motivo para o tédio. Existem oficinas que preparam pessoas para essa etapa de vida. Não se trata de um curso teórico, mas sim debates sobre questões afligitivas. Os questionamentos levantados nem sempre estão ligados ao fator financeiro, mas sim como ser útil e como enfrentar o isolamento social, especialmente os homens.É importante ainda observar que na Terceira Idade muitos aprendem como desenvolver seu potencial. Algo que estava latente, mas ainda não descoberto. As oficinas ensinam as pessoas candidatas à aposentadoria, a lidarem com o tempo, já que não mais estão vinculados a obrigações de horários. As pessoas aprendem a manter novos relacionamentos: trocam entre si os telefones e endereços, para desenvolverem uma boa amizade. Elas percebem aptidões para trabalhos manuais e artísticos. Com isso tomam consciência que sempre é tempo de recomeçar. Não precisamos ir muito longe, mas observemos: quantos artistas, como escritor, artista plástico, teatrólogo, músicos e muitos outros descobrem e dedicam a essas funções após se aposentarem.



Maria Loussa
Enviado por Maria Loussa em 16/10/2005
Reeditado em 08/05/2007
Código do texto: T60321

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Maria Loussa
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