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Um acaso menos triste

Já foi vítima de roubo? Alguma vez levaram seu celular, bolsa, moto, carro, tênis, carteira? Entraram na sua casa? Levaram TV, notebook, som, videogame?

Se você ainda não passou por isso, sugiro que leia nos jornais - ou releia - as matérias sobre os crimes que tem acontecido na cidade. Assista aos vídeos flagrando a ação de ladrões e tente se pôr no lugar de quem foi roubado. Além das situações de roubo e furto, este texto e as recomendações nele contidas servem também para os casos de perda ou quebra de objetos de valor. Algumas - que venho aqui reafirmar - já vem sendo dadas há bastante tempo por diversas pessoas e veículos de comunicação. Uma em especial, entretanto, acredito não ser  comum porque infelizmente vai contra o pensamento da maioria das pessoas. Farei tal recomendação mesmo assim.

Antes, porém, eu gostaria de explicar o motivo de haver no texto várias perguntas. O objetivo delas é para que você leia cada uma e reflita por algum tempo antes de prosseguir com a leitura. As  respostas a estas perguntas estarão presentes em alguma parte do texto.

Seguem, então, mais algumas delas: quanto valem suas coisas? Quanto vale sua TV, seu carro, seu celular? São modelos caros? Você ainda está pagando por eles? Você precisa ter o mais caro? Precisa mesmo da tecnologia e/ou marca deles? Se seu celular for roubado, cair no bueiro ou cair no asfalto e um caminhão passar por cima, a chateação vai ser maior se ele valer quatrocentos reais ou quatro mil?

Algumas destas questões, como você deve ter percebido, servem também como respostas e tem a ver com a primeira recomendação que farei: sempre que possível, tenha o de valor mais baixo, o menos chamativo. Ainda usando o exemplo do celular: se você tem quatro mil disponíveis, invista uns quatrocentos ou quinhentos num modelo mais simples e o restante do dinheiro você pode poupar, passear, contribuir com entidades, dar uns presentes, fazer outras coisas boas.

Percebi pela primeira vez este comportamento de adquirir coisas mais baratas há cerca de vinte e cinco anos, ainda criança, em São Paulo. As pessoas deixavam de usar relógios e calçados caros, jóias, bonés e jaquetas importados por questão de segurança. É o que teríamos que fazer até mesmo em cidades menores. Teríamos! Eu achava que era o curso natural, que todo mundo fosse notar a importância deste hábito e, para o próprio bem, copiá-lo. Mas o que se vê por aí é gente comprando os hi-techs dos comerciais gritados na TV. Adolescentes jogando os joguinhos da moda com os aparelhinhos em riste, anestesiados, com a noção do perigo apagada pelo êxtase da diversão. Adultos em lugares  movimentados, andando e falando ao celular, sendo também isca fácil para os observadores. Gente que se desespera quando não consegue achar o celular, suando frio, coração saindo pela boca, emitindo frases como "nem paguei ainda, ai meu Deus!". Essa gente, que pensou estar comprando um celular, comprou na verdade - muito em função do valor - um problema. Se tivesse comprado um do mais barato e este tivesse sido roubado ou perdido, claro, teria um aborrecimento, mas bem menor. E se tivesse o hábito de comprar coisas mais baratas e somente as necessárias (veja, o consumismo acaba se tornando um tiro no pé aqui também), teria condições de comprar um outro para ficar no lugar daquele que foi perdido.

Resumindo: viva com o mínimo e, sempre que possível, do mais barato, e a vida vai ser mais tranquila. Falo por experiência própria.

Agora, se você realmente precisar de objetos de modelos mais caros - repetindo nesta linha um bom conselho que já li em vários lugares - faça um seguro. Um fotógrafo que usa equipamentos caros, por exemplo, pode usar este recurso. Dependendo do modelo do seu carro, considere também este investimento. E, relacionando com a dica anterior, se possível, tenha um modelo mais simples. Antes ter um carro mais barato com um seguro que possa ser pago do que um modelo mais caro sem essa proteção. O próprio ato de ter um carro em certas situações é questionável, mas deixemos este assunto para outro dia.

Você pedala? Tem uma bicicleta cara? Primeira pergunta: precisa ser um modelo caro? Se você é ciclista profissional, então pode dar esta justificativa. Claro que bikes que custam mais podem oferecer mais conforto e isso é importante para quem pedala muito, mas procure no momento da compra testar modelos mais baratos também. A diferença do conforto da pedalada pode ser menor do que a diferença do preço. Caso seja mesmo essencial comprar a mais sofisticada, vale o conselho do seguro.

E aquele seu amigo que teve um item valioso roubado? O que ele fez? Comprou um do mesmo valor e modelo? Acho que está na hora de você dar uns conselhos para ele...
Gabriel LFT
Enviado por Gabriel LFT em 13/09/2017
Código do texto: T6112773
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Gabriel LFT
São Paulo - São Paulo - Brasil, 86 anos
268 textos (17336 leituras)
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