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O triunfo da ignorância sobre a arte

O Movimento Brasil Livre (MBL), conseguiu com muito barulho e esforço acabar com uma exposição de arte: ''Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira''. A exposição, do Santander Cultural, funcionou em Porto Alegre (10/9).

A justificativa: ''A exposição em si é recheada de zoofilia, ofensas à fé cristã e imagens sexualizadas de crianças; pretende-se que escolas públicas e privadas façam visitas monitoradas, e material impresso foi feito –com dinheiro público– para ilustrar essas visitas'', diz Renan Santos, que é fundador do Movimento Brasil Livre.

É preciso dizer a verdade: certo e errado são conceitos que estão dentro de cada um de nós. Na realidade, eles não se aplicam a arte de um modo geral. São concepções subjetivas e pessoais.

Melhor dizendo, o cancelamento da exposição de arte, a partir da pressão do MBL, sinaliza o triunfo e o êxtase da ignorância. Aliás, uma obra de arte contém em seu bojo: polêmica, vivência e estética. Ou seja, cada um de nós percebe e vê isso a partir de seu referencial cultural.

Pois bem, quem perdeu com o cancelamento da exposição? Perdeu a sociedade que está refém de um bando de ignorantes no que tange a importância da arte e sua carga de expressão. De outro lado: é um prejuízo enorme para quem gosta. Mais: qualquer um é livre para ir - ou não a - uma exposição de arte.

Os argumentos usados por Renan e membros do MBL são frágeis e não se sustentam... esses argumentos revelam ranço e posturas estrábicas. Explico: ''Mona Lisa'', de Leonardo da Vinci, está entre as obras de arte mais admiradas mundialmente. No entanto, há quem considere a obra coisa do demônio.

Pergunta: o que é arte? O dicionário é claro a esse respeito. ''Arte é uma atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação''.

Portanto, a meu ver, a atitude do MBL, com relação à exposição ''Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira'', é  agressiva e estúpida. Beira o fanatismo. Vale lembrar, ainda, que além de perseguir os judeus na Alemanha, os nazistas caçaram, igualmente, os artistas e suas obras impiedosamente.

Para concluir, Demétrio Rebello, num artigo diz o seguinte: ''A arte talvez seja uma das mais belas fontes de contato entre o ser humano e sua essência, independentemente deste ser humano ser o criador ou o apreciador. Por consequência, ela tem o poder de nos elevar, visto que aproxima o sagrado e o profano que habitam dentro de nós''.


 
REALISMO
Enviado por REALISMO em 14/09/2017
Reeditado em 14/09/2017
Código do texto: T6113477
Classificação de conteúdo: seguro

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REALISMO
São Paulo - São Paulo - Brasil
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