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A importância da mídia ambiental

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

As informações ambientais chegam à opinião pública através dos veículos da chamada Grande Mídia, não especializada em meio ambiente, e dos veículos da Mídia Ambiental, sejam institucionais, que refletem as opiniões e informações de uma determinada organização, ou não-institucionais, que procuram mostrar diferentes ângulos da questão. Apesar das diferenças, inclusive ideológicas, tratam-se de mídias complementares. Os veículos da Grande Mídia dispõem de recursos que a mídia ambiental não tem, por exemplo, na cobertura de um grande acidente ecológico, quando o interesse dos veículos não especializados dura o tempo em que o problema ambiental permanece visível. Já a mídia ambiental tende a manter o assunto na pauta mesmo depois de passado o problema, oferecendo à opinião pública uma análise mais aprofundada sobre as conseqüências, responsabilidades, desdobramentos.

A informação ambiental de qualidade e em quantidade suficiente é ferramenta indispensável para a formação e mobilização da cidadania ambiental. Por outro lado, informação ambiental deficiente, mentirosa, incompleta, pode levar à desmobilização da cidadania.

Quanto ao aspecto ideológico, a diferença entre diferentes mídias pode ser enorme. Os veículos da Grande Mídia são de propriedade de poucas famílias e tendem a reproduzir o pensamento do modelo econômico dominante. Já a mídia ambiental está mais ligada à resistência social, à denúncia, à crítica, à oposição a este modelo dominante. Existem exceções em ambos os lados, mas que apenas confirmam as regras.

Entre os veículos da mídia ambiental, por sua vez, existem aqueles que focalizam em sua pauta mais os aspectos da natureza, seja suas agressões ou belezas, outros veículos focalizam mais os aspectos produtivos como gestão ambiental, tecnologias, legislação, licenciamento, e outros ainda os aspectos sociais e políticos. Então, mesmo entre os veículos da mídia ambiental, existe uma complementaridade entre eles.

O desafio é como sobreviver sem recursos diante de uma sociedade que, apesar de precisar de
informação ambiental a fim de fazer escolhas melhores entre as diferentes alternativas, não se dispõe, pelo menos ainda, a comprar esta informação, seja nas bancas seja através de assinaturas?

Este desafio tem sido enfrentado dia a dia pelas mídias ambientais e cada uma tem buscado seu caminho de sobrevivência, sempre com muita dificuldade, quase como uma missão de cidadania ambiental, uma espécie de apostolado.

Existem organizações da sociedade civil, geralmente comprometidas com mudanças, que editam mídias ambientais de distribuição gratuita, mas são veículos que, apesar de importantes para democratizar informações institucionais, estão comprometidos em divulgar notícias e informações de interesse das causas que defendem, constituindo-se em veículos limitados para o grande público que não pertence a tais organizações.

Resta uma pequena quantidade revistas, jornais, rádios, TVs e sites dedicados de forma plural à democratização da informação ambiental, entretanto, somadas as tiragens, não chegam a atender 10% da sociedade brasileira. A mídia ambiental brasileira ainda é uma ilustre desconhecida da sociedade em geral. Não é à toa que o pensamento dominante na sociedade ainda considere a poluição e a degradação ambiental como preços a pagar pelo progresso. Apesar de falso, este pensamento tem contribuído para a desmobilização da cidadania e para a perpetuação do atual modelo dominante.

A alternativa de financiamento para a mídia alternativa não-institucional pode estar no acesso às verbas de publicidade dos governos federal, estaduais e municipais para a comunicação ambiental, como já é feito com os veículos da chamada Grande Mídia não-especializada, incluída, através de suas agências de publicidade, em seus planos de mídia. Também pode estar no financiamento através da publicidade de empresas líderes que, apesar de poluidoras, aceitam as críticas como inerentes a qualquer sociedade democrática, e mesmo vêem nas críticas uma possibilidade de se anteciparem a problemas que poderão gerar multas e perdas de produção.

* editor da Revista do Meio Ambiente, do boletim Notícias do Meio Ambiente e do www.portaldomeioambiente.org.br Em 1999, foi o único brasileiro reconhecido com o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente.
José Luís de Freitas
Enviado por José Luís de Freitas em 29/08/2007
Reeditado em 14/06/2011
Código do texto: T629315

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Sobre o autor
José Luís de Freitas
Diadema - São Paulo - Brasil, 33 anos
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