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PETRIFICUS TOTTALIS

PETRIFICUS TOTALLIS

Fazendo o que é necessário por seu voto: SIM

 

"Não se admire se um dia um beija-flor invadir

A porta da tua casa te der um beijo e partir.

Fui eu que mandei o beijo que é pra matar meu desejo,

Faz tempo que eu não te vejo, ai que saudades d'ocê."

Vital Farias

 

                                        "O homem livre

                      em nada pensa menos que na morte;

                                       e sua sabedoria

           não é uma meditação da morte, mas da vida."

                                            Espinosa: Ética

 

Desde a mais tenra idade aprendemos a esperar. Esperamos enquanto bebês, meninos, adolescentes, adultos e idosos. Esperamos enquanto envelhecemos. Esta cultura do esperar talvez tenha a grandiosa influência do judaísmo, que ainda espera fundamentado na emunah, verdade hebraica que significa confiança. Emunah tem a mesma origem que amém, amém significa: que assim seja. Esta verdade hebraica funda-se na crença existente na esperança e na confiança., estão no futuro, no que será e no que virá [1].

Emunah, como verdade relaciona-se com a espera de que o que foi prometido, pactuado aconteça, como uma profecia.

Os judeus não aceitam em cristo a existência da emunah, mas relegaram a nós ocidentais esta cultura que foi preservada, desenvolvida e diluída em cada espécime civilizado deste lado do mundo através do cristianismo. A santíssima trindade abarca   e explica Jesus, o Cristo como o deus dos protestantes, adversários capitalistas dos católicos apostólicos romanos para quem cristo é apenas o filho de deus, enviado para sarar as feridas humanas dando às suas maior inflamação.

Se a China conquistar realmente o que se pode conquistar - com o que tem demonstrado com tamanho crescimento econômico a cada ano - ou o que espera conquistar, quem sabe Buda, Sidartha Gautama, passe a ser o venerado e esperado por todo o mundo ocidental, como a confiança que virá?

Enfim, a espera que com suas bases religiosas, econômico-sociais e políticas transformou-se em instituição cultural do mundo civilizado está mais uma vez presente a nível nacional entre nós brasileiros, trazendo o referendo que pergunta se devemos ou não admitir a comercialização de armas e   munições em território nacional.

O que se espera é que a resposta indique o caminho que todo o brasileiro espera: A contenção da violência e dos índices de criminalidade.

A campanha desce do mundo virtual das rádios, televisões, jornais  e revistas e ganha as ruas. A espera, está nas articulações e argumentações dos que apóiam o SIM (deve-se proibir a comercialização de armas e munições). Espera-se com o SIM, que os índices positivos obtidos a partip4orgação do novo código do desarmamento e da campanha para o desarmamento, sejam anabolizados para um potencial e vertiginoso declínio das mortes e ferimentos por armas de fogo no país. Embora haja provas concretas de que a diminuição do número de armas em circulação e postas a venda tem a capacidade de evitar que barbaridades como as cometidas no último domingo dia 17/10/05 em São Paulo, quando duas torcidas rivais se digladiaram e deixaram um saldo horrendo de feridos e uma vítima fatal por ferimento à bala aconteçam, a campanha do NÃO tem ousado falar de uma verdade relativa que é a atual incapacidade da Segurança Pública Nacional em desarmar os marginais e também no fato destes mesmos bandidos passarem a saber que não se tem uma arma em casa e daí potencializarem suas ações criminosas, assim vão ganhado mais adeptos e já ultrapassam em números percentuais (embora com pequena diferença) a boa vontade e a esperança – emunah - do assim seja, SIM.

1.Os argumentos e as bandeiras dos partidários do não sublevam o significado de várias palavras e instituições: liberdade, direito, conquista, verdade, segurança pública., a legítima defesa e até o hino nacional. O discurso da campanha do NÃO, confunde o foco principal do referendo, criando argumentos que na simples leitura do Titulo 1, Dos Princípios Fundamentais, que tratam dos fundamentos e dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (Art. 1º e 3º) e a leitura do Título 2, Dos Direitos e Garantias Fundamentais (Art. 5º) – vale uma boa lida ainda nos itens XVI, XVII, XXII, XXIII, XXXV e XXXVI - da Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de Out de 88, seriam derrubados; [2]

2.Essa corrente, escrava do capitalismo, pois que, somente querem continuar a vender armas e munições, essa corrente que é puxada pela bancada dos parlamentares que defendem os empresários (indústria e comércio), fazendo um lobby nojento e funesto, quer lucro, quer dinheiro, não quer absolutamente defender direitos e garantias, pois se assim fosse, com a Constituição Brasileira a mão, gritariam uníssono SIM, eles articulam-se filosoficamente de forma contraditória, lembrando e muito "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Weber [3], pois nada mais contraditório que a boa vontade contida em Jesus e presente no cristianismo e a sisudez da propriedade privada, do lucro e a guerra insana que se trava entre as pessoas por conta das luxúrias e concorrências a que são submetidas;

3.Já que o NÃO se articula filosoficamente, trazendo a tona uma discussão ética e moral é bom lembrar que a ética e a moral estão muito intensamente ligadas para nós pessoas comuns e simples mortais. Como senso comum, seriam as doutrinas dos deveres do homem, mas no alto das escadarias da filosofia espinosana foram bem separadas e assim para Espinosa [4], "a Ética, é a definição (ou apresentação genética) do Ser do homem tal como ele é, e demonstrando porque o homem é tal como é". Já a Moral é colocada junto à religião, que seriam "sistemas que impõem certos deveres ao homem".

 

Pela Constituição brasileira que em seu Art. 1º, já citado, fundamenta a sociedade brasileira na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: VOTE SIM (2)

Ainda pela Constituição brasileira em seu parágrafo único do Art 1º, que diz que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição": VOTE SIM (2)

Por esperar (embora ateu (um ateu moreno, é bem verdade, daqueles que tem medo de cemitério a noite, de macumba e de baratas), sou produto do meio. E da cultura desse país cristão me alimento como criador, pensador e poeta) que os objetivos fundamentais da Constituição sejam metas alcançáveis e que assim se possa construir uma sociedade livre, justa e solidária, que se possa erradicar a pobreza e a marginalização e também reduzir as desigualdades sociais e regionais,   promovendo o bem de todos: VOTO SIM (2)

Pela Ética espinosana que é a teoria do ser, a explicitação da inteligibilidade desse ser e a sua definição como ser humano que tem como causa de sua ação o desejo e daí as paixões [5] (ira, maldade, vontade, ódio, cólera, e os tiros, os tiros, os tiros): VOTE SIM (2)

Por meu filho Caio, que pretendo ver a caminhar com meus netos (minha melhor espera) e por teus filhos e netos: VOTE SIM (2)

 

Está claro que crio aqui, com a minha grande e arguta capacidade de ser prolixo, uma ligeira confusão a meu leitor, pois que, não sendo filósofo (será que nós poetas não somos naturalmente filósofos?) e   me pondo a comparar ações do mundo real as ações do intelecto que não enfrentam ainda o calor do deserto do real e do reinado de fogo, crio a possibilidade da anatematização do axioma possível existente no voto SIM.

 

Se assim o real se fizer, tentarei no dia 23 usar minha capacidade poética e de concentração evocando Hermione, a amiguinha bruxa de Harry Potter , para abrir-lhes as portas da mente, boa vontade, esperança e imaginação, e direi em seu nome (ou escreverei) com minha caneta: - alu rumores. Se esta bruxaria não bastar, serei mais drástico e diante da iminência de vossos dedos aproximarem-se da tecla 1 – NÃO, direi rápido e perplexo (ou escreverei): - petrificus tottallis. Paralizando-os completamente até que passe vosso engano, cólera, opinião...sei lá.

 

Mas, como explica Espinosa que a verdade é imanente ao próprio conhecimento, não necessitando de qualquer garantia externa, e sendo esta verdade que se autoproduz, deus, a verdade que se produz a si mesma, na produção do real. Espero que os crentes ou tementes a deus não se contradigam - como os protestantes ao redimensionar e permitir que o talentoso capitalismo aflorasse até os dias de hoje – e votem em deus, que atende na tecla SIM (2), agindo assim e de acordo com o texto, sequer precisam das garantias da Constituição ou da verdade, emunah, a que virá...

 

Beijo a todos. Está com vocês



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[1] CHAUÍ, Marilena.Convite a Filosofia, São Paulo, Ática, p 99

[2] Constituição da república Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988

[3] Fundador de uma das três vertentes fundamentais da sociologia moderna, disputando espaço com as formulações teóricas de Karl Marx e Émile Durkheim

[4] Filósofo, nascido em Amsterdam no século XVII, marcado pelo conflito de suas origens:Judeu, português e holandês. Sua filosofia é uma crítica da superstição em todas as suas formas:religiosa, política e filosófica

[5] Baruch de Espinosa, Os pensadores, por Marilena Chauí, 1983, Ed Abril

Sylvio Neto
Enviado por Sylvio Neto em 24/10/2005
Código do texto: T63136
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Sobre o autor
Sylvio Neto
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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Sylvio Neto