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Médico ou engenheiro?

Marido e mulher passeavam pelas ruas da grande cidade, onde trocavam juras de amor. O momento era de intensa felicidade, porquanto, a esposa trazia em seu ventre um filho, fruto do legítimo amor que os unia. Em um momento do passeio, a futura mamãe parou em frente a grande e imponente edifício, e exclamou ao marido:
- Nosso filho será o que não consegui ser, sonhava em ser médica, porém, não foi possível, mas nosso filho realizará esse meu antigo sonho, com certeza. Estou disposta a me desdobrar para isso!
O pai, nada satisfeito com as escolhas da mãe, rebateu:
- Nada disso. Nosso filho será um engenheiro de grande fama, sempre quis aprender a arte da engenharia, não consegui, portanto, nosso filho estudará engenharia.
E ficaram naquele entrave:
- Medico!
- Engenheiro!
- Médico!
- Engenheiro!
Contudo, o garoto nasceu, cresceu e... não se tornou nem médico, nem engenheiro. Foi sim grande músico a fazer alegria de inúmeras platéias.
Há algumas décadas os filhos não tinham o privilégio de decidir seus destinos. Não raro, o primeiro filho seria padre, o segundo militar e o terceiro ajudaria o pai em seu labor, assim como o quarto o quinto e o sexto filho. Sorte dos homens, porque para as mulheres a única profissão disponível era a de dona de casa. Não tinham as filhas direito a sonhos, a escolher  profissão e a desenvolver suas habilidades, inclusive nem no coração mandavam, porquanto eram os pais que escolhiam o futuro marido.
Eram imposições de uma sociedade patriarcal com os olhos nublados pela ignorância. Hoje, porém, o panorama começa a se modificar, os pais, atendendo aos imperativos do progresso, começam a aprender que os filhos devem decidir seus destinos, optando pela profissão que mais poderão dar vazão a criatividade. Contudo, ainda há os teimosos e impertinentes, que querem porque querem que os filhos satisfaçam seus sonhos a qualquer custo.
Se há algo nessa vida que devemos compreender é que não podemos depositar a responsabilidade de nossos sonhos no ombro de nossos filhos.
Por mais que os amemos e os queiramos bem, imprescindível se conscientizar que são individualidades trazendo bagagens existenciais diferentes das nossas. Em realidade, antes de serem nossos filhos, são filhos de Deus, dotados de capacidade para escolher seus próprios caminhos. A nós, pais, cabe a tarefa de orientar, amparar, conduzir, sem contudo violentar e desrespeitar as vontades e habilidades daqueles que são companheiros de caminhada, e não fantoches que iremos manipular ao bel prazer para satisfação de nossos próprios sonhos.
Pensemos nisso.

Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 01/09/2007
Código do texto: T633461
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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