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A estrada de Mandalay

 

Os bons escritores têm a capacidade de elaborar uma descrição de um local sem o terem visto. Um deles, brilhante, é Karl May († 1937), um escritor germânico que escreveu obras de ficção sobre o faroeste (quem não leu “Winnetou”?) ou sobre a Ásia (“Pelo Curdistão bravio”)  sem nunca ter saído de sua Alemanha. Ao escrever uma ficção, a pessoa que tem o dom de elaborar uma produção literária consegue imaginar circunstâncias cuja realidade ela nunca experimentou. Por isso se chama ficção, que tem sua raiz na latim, fictione, que nada mais é que dar asas à imaginação com fins de simulação. Nesse aspecto, o escritor não mente, mas cria, de sua inteligência, da coleta de fatos e sonhos esparsos, um enredo, um quadro, uma situação que ele reveste com atributos lógicos, que parecem verdade. Nesse terreno, em 1931, o escritor britânico, Joseph Rudyard Kipling († 1936) nascido em Bombaim, Índia, escreveu “The road of Mandalay” (A estrada de Mandalay), onde ele narra com preciosos detalhes, a abertura de uma trilha nas florestas da Birmânia, lugar que ele jamais visitou. A obra é rica em revelações das formas sociais de vida do povo daquela terra, assolada pelo colonialismo britânico e pela ambição dos chefes locais. No livro, a narrativa nos conduz à natureza inclemente, entre monções, inundações e tempestades tropicais. Lendo a obra, assim como no mencionado trabalho de May, eu fico me perguntando, como é possível que uma pessoa possa descrever com tanta nitidez fatos e situações geográficas que ela nunca visitou. Por causa dessa imaginação e versatilidade, ele escreveu em 1897, “Histórias da Selva”, onde ele narra as peripécias de Mowgli, um menino criado pelos lobos. Sua consagração literária viria em 1907, quando ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, com o romance  “Kim”, levado às telas, onde ele narra as aventuras de um órfão indiano, com uma brutal revelação da sociedade indiana daquele tempo. Em “A estrada de Mandalay”, obra que reli há poucas semanas o escritor conseguiu me transportar para o interior da Birmânia, onde alguns aventureiros, saindo da capital Rangum,  caminham por uma trilha, varam as florestas de Pyin-mana, para chegar até a milenar cidade de Mandalay, no interior do país. A descrição é tão rica, que o leitor chega a escutar a chuva caindo sobre as folhas de inhame gigante, e sente o cheiro do barro, que forma um tapete sob a imensa floresta tropical.

 
Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 25/10/2005
Código do texto: T63370
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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