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Tempus fugit


Isto é para todos nós, que tivemos a ventura de nascer e adolescer  entre 1940 e 1960. Respiguei esse tema de um “blog” Internet, que um amigo me mandou, e dedico aos remanescentes da "idade de ouro", onde, no dizer dos mais velhos, a escola era “risonha e franca”. Olhando para trás, é duro acreditar que estejamos vivos até hoje. Se não, vejamos:

Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag; nunca tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em vidros de remédios e andávamos de bicicleta sem capacete: pedíamos carona; bebíamos água direto da mangueira e nos riachos, e não da garrafa, ou em copos descartáveis: quantas vezes, recordo, nadando no Guaíba, bebi água direto do rio; nós gastávamos horas construindo nossos carrinhos de rolimã para descer ladeira abaixo, e só então descobríamos que tínhamos esquecido dos freios: depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema; a gente saía de casa pela manhã e brincava o dia inteiro, só voltando quando se acendiam as luzes da rua: ninguém podia nos localizar; não havia telefone celular. A mãe nunca teve chilique ou suspeitas de seqüestro...

Nós quebramos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes, dos quais nós éramos os culpados; nós tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto; amizade continuava a mesma. Meu pai nunca foi “tomar satisfações” por meu olho roxo: nós comemos doces e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos (pelo menos daquele tempo). Estávamos sempre ao ar livre, correndo e brincando. Comemos quindins dos feitiços e "despachos" das esquinas e não fomos atingidos por nenhuma maldição; não tínhamos tevê a cabo, filmes em vídeo, calculadoras, celular, computadores ou Internet.

Nós tivemos amigos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine tal coisa! Sem pedir permissão aos pais... por nós mesmos. Em cada esquina improvisávamos um campo de futebol; Os prédios não tinham porteiros eletrônicos nem vigilância. Nós brincamos e inventamos jogos com varas e bolas improvisadas, apanhamos do chão e comemos frutas caídas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca tivemos dor-de-barriga para sempre, ou uma contaminação fatal! Nos jogos da escola, nem todo o mundo fazia parte do time. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a frustração. Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano. Que horror! Não havia a tal de recuperação ou testes extras nem aprovação automática. Rodou estava rodado. Não havia ninguém que pudesse resolver por nós.

Hoje, os garotos são muito lôlas: qualquer coisinha correm pro analista... A idéia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Nossos pais protegiam mais as leis do que a nós! Imagine! Honravam mais os professores que nossas faltas. Nossa geração produziu alguns dos melhores enfrentadores de risco, negociadores de soluções, criadores e inventores! Gente capaz de pegar o touro a unha. As crianças hoje – uma boa parcela delas – não são crianças, mas “anões intelectuais”, pigmeus inchados de tecnologia e vazios de humanismo. Superprotegidos e indefesos. Isto vai gerar seres de muita cabeça e pouco coração. Como tempus fugit (o tempo voa), é melhor mudar hoje. Os últimos 50 anos foram uma explosão descomunal de inovações e novas idéias. Foi o esplendor da criatividade humana. Foi a verdadeira “renascença” da humanidade! Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com tudo isso... a viver, enfim! Se você é um deles, parabéns!

(texto adaptado pelo autor de um blog da Internet: autor desconhecido)

 



Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 25/10/2005
Código do texto: T63413
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão