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Um amor que faz sofrer

 

Escrever é uma arte, dizem alguns. Já outros, minimizando o ato, afirmam que a composição é feita mais de técnica que outra coisa. Certas pessoas, no entanto, vêem na composição literária um ato de amor, recheado de todos os males que envolvem esse sentimento: ciúme, incerteza, distância, sofrimento. Eu acho que escrever reúne todos os elementos dos três itens: é arte, envolve técnica e é um amor que faz sofrer.

Quantas vezes a gente gostaria de falar sobre as folhas do outono, e é obrigado a falar em mortes do trânsito. O desejo era enaltecer as virtudes de um poeta, mas a crônica aponta para os vícios de um corrupto. Tinha-se vontade de escrever sobre a luz que brota do sorriso da mulher amada, e a gente acaba falando na escuridão das ruas da cidade. Eu comecei a escrever cedo. Na escola, colecionei alguns troféus, nos “concursos de redação”.

Nesse aspecto recordo o incentivo, no Colégio Nossa Senhora das Dores (eu deveria ter uns doze ou treze anos), do professor Dorvalino Franzon  (Irmão Tito, lassalista, falecido há um ano) que dizia que eu ainda seria um escritor ou jornalista. Como empregado da Caixa eu trabalhei três vezes em Canoas. Pois foi aqui que comecei a escrever. Pelos idos de 79-80 publiquei alguns tímidos poemas românticos em um jornal da cidade. Mais tarde (79-80) comecei a escrever crônicas, quando morava em Pelotas.

Em João Pessoa (PB) tinha coluna em dois jornais (“Correio da Paraíba” e “O Norte”). Retornando ao sul, escrevi no Pioneiro (Caxias) e quando vim morar em Canoas, pela terceira vez, pela mão do Tonito Canabarro entrei de vez nos meios jornalísticos da cidade. Em paralelo, mantive uma coluna diária em um jornal da Zona Sul do estado, por cinco anos. A história terminou na Justiça, pois os caras nunca me pagaram. Hoje escrevo semanalmente para o “Alto Jacui” (Ibirubá) e para o nosso “Diário de Canoas”.

Além, é claro, que várias revistas católicas de circulação nacional. A questão de jornais em Canoas é crítica. Desde “O Cruzeiro” que editores locais sentem a concorrência dos jornais da Capital. Este é o ônus que se paga pela proximidade. Mesmo assim, de uns anos para cá, embora a maioria haja sucumbido, o “Diário de Canoas”, mercê qualidade e técnica, vem sem impondo como o jornal da cidade. Outros, de menos expressão, tentaram ser “jornal” (diurnalis, quer dizer diário), mas sendo semanais ou quinzenais, perderam a eficácia. É preciso que se leia o jornal local, que se escute as rádios da cidade e se prestigie nosso comércio.

Outras cidades, mais distantes da Capital, têm esses segmentos mais fortes, em vista da preferência popular. No tocando ao aspecto filosófico da escrita, o jornalista, colunista, cronista ama o que faz. Ama mas sofre. Sofre porque só gostaria de escrever coisas bonitas. Sofre porque às vezes é censurado. Sofre, sobretudo, pela falta de espaço em colocar suas idéias. A dialética beleza/feiura é inerente à vida. A falta de espaço resulta de poucos jornais para muitos cronistas. A dor maior é a da censura, ideológica, moralista ou sectária.


(artigo elaborado para uma publicação no “dia da imprensa” em Canoas)
 
Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 25/10/2005
Código do texto: T63416
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão