Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

VULGARIDADE

O passado é um pilar simbólico que nos sustenta. É povoado de coisas e gentes. Nele habitam luzes, pequenas clareiras de felicidade e desertos enormes de grande tédio e pequenos e médios desencontros. Partes do passado já não o são. Integram o espaço virtual do esquecimento. Por vezes afloram de forma fugidia, mas não passam de pequenos relâmpagos longínquos, que não produzem som. Nem fúria. Há, porém, partes do passado que queremos que sejam sempre presente(s). Para tal, procedemos a gigantescos actos de sublimação. Tal e qual um escultor, vamos tirando tudo o que não nos agrada. E, um dia, ali está esse passado, essa narrativa com princípio, meio e fim. Tudo belo, perfeito, inatacável. Arrumamo-lo então, e visitamo-lo quando o presente nos falha ou nos magoa.
Porém, há sempre um tempo, em que alguém atira uma mão cheia de vulgaridade sobre a nossa estátua, longamente burilada, bela, perfeita... (quase) destrutível...!
Vulgaridade!
Adélia Rocha
Enviado por Adélia Rocha em 02/09/2007
Reeditado em 13/04/2008
Código do texto: T635269
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Adélia Rocha
Portugal
69 textos (10071 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 14:21)
Adélia Rocha