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À mulher que está por vir



Amiga, irmã, amante, amada, parceira, ah!, que saudades de você!

Não sei em que lugar você está, nem por onde você anda, apenas sinto que existes, que espero por ti, que caminhas na minha direção e nosso encontro é iminente.

Eu sou meio cético a destino, fatalismo ou coisa parecida. Não acredito nessas coisas, de “escrito nas estrelas”, mas sinto que você está por vir, vai acontecer na minha vida, como uma explosão de carinho, afeto, entrega e sentimentos. Quando chegares e me olhares nos olhos, diremos “oi, como vai, boa noite!”, como se já nos conhecêssemos desde sempre... Como se tivéssemos feito amor à tarde e marcado outro encontro ao anoitecer para o jantar,  uma ida ao teatro e retomada da paixão...

Nosso romance, eternamente expectado, terá a magia do sonho, a certeza do fato consumado, a velocidade da luz, o sabor de todas as maçãs e a duração da eternidade. Nossas noites serão indelevelmente bordadas com a marca instintiva da fantasia, dos sonhos que sonhávamos antes do encontro, da loucura alimentada em nossos corpos, espíritos e corações por tanto tempo. Você ainda é futuro, mas sinto-te como passado e também como um presente, enraizado em meus devaneios.

Na vida da gente, o passado é história, o futuro, um mistério e só presente, se bem vivido se converte em dádiva. Seremos amigos, amantes, cúmplices... inseparáveis! Onde está você, mulher da minha vida? Onde estavas ontem enquanto eu chorava? Em que lugar te escondias, naquela recente tarde de chuva e solidão? Na noite escura, minhas mãos te procuraram na cama larga, fria, vazia... Meu pensamento vagueia há séculos, solto por aí, correndo pelo céu e pela terra, voando pelas montanhas e mergulhando no mar, a tua procura... Onde estavas?

Encontrei-te nos livros, nas fábulas, nas românticas histórias populares, nas obras de arte. Vi teu rosto nas crianças que brincavam no parque, na mãe que amamentava o filho, nos beijos furtivos dos namorados, no vento que soprava no cimo das árvores... No entanto, essa era uma visão irreal, uma conquista metafísica, pois só acontecia no sonho e no desejo. Eu te esperava no real, em carne e osso, em desejos e caprichos, loucuras e fantasias... Sabia que vinhas, risonha e deslumbrante, pois para esse encontro foste criada.

Tinha certeza que ias acontecer na minha vida, como um sol que nasce após uma madrugada de angústia, ou do jeito de uma lua que despontou no céu após uma noite de chuva.

Eu te vejo chegando, cheia de amor, paixão, loucura e carinho. Teus braços, também ávidos por me abraçar, têm a amplidão do universo e o calor dos rios de lava subterrânea. Mesmo sem te conhecer ainda, escuto tua risada, contemplo teu sorriso muito branco, me enxergo na profundidade dos teus olhos e me deslumbro com tuas formas de deusa. Tenho sonhado, todos os dias da minha vida, com nosso abraço, os beijos que vamos trocar, as palavras doces que serão proferidas, as loucuras que faremos em nome da paixão que nos une. Será que sonhei demais? Será que, como simples mortal não tenho o direito de elevar os olhos para a contemplação de uma divindade pagã?

Como um Lohengrin, meu pecado será imperdoável? Não sei onde estás, mas tenho a certeza que existes, que anseias por todo o carinho que vou te dar. A vida, de nós dois, só terá sentido, após esse encontro, escrito em nossas mentes, bordado no mar, revelado pela luz do luar, anunciado pelo vento das colinas nas ramas dos pinheiros.... Não sei como pude ter vivido antes de te encontrar. Onde estás, paixão da minha vida? Por que demoras?

Sei que agora estás mais perto do que estavas ontem...Por que teimas em não aparecer? Eu estou te esperando há séculos, meu amor.
Não tardes, por favor...

(crônica escrita em 06/11/95)


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 26/10/2005
Código do texto: T63933
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
983 textos (321868 leituras)
10 e-livros (3490 leituras)
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Antônio Mesquita Galvão