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Método "William Bonner" para desmaios seguros. Funciona?

Eis um clichê dos mais conhecidos na TV e no Cinema. Dois personagens: um coloca o outro para dormir com uma porrada na cabeça, geralmente com um objeto de ferro ou madeira. Se estão em luta ou são inimigos, tudo bem. "A" pretendia machucar "B", desferiu o golpe, "B" desmaiou, ok. Se porventura "A" for um expert em artes-marciais ou algo do gênero e, em vez da porrada na cabeça, desfere um daqueles golpes modulados em pontos vitais de "B", sem problema. O vacilo maior ocorre quando este método "infalível" e "seguro" é utilizado como uma espécie de substituto do conhecido clorofórmio e o autor da pancada (que pouco conhece sobre artes marciais ou pontos vitais) sequer pretende comprometer seriamente a saúde da vítima, mas APENAS fazê-la desmaiar por um tempo, seja para levá-la a um local secreto, impedí-la de atrapalhar uma ação ou de testemunhar um fato, como se, ao bater, fosse realmente possível a este agressor avaliar a intensidade ideal de se fazer um sujeito desmaiar sem que, simultaneamente, um osso do crânio seja quebrado, um vaso importante seja rompido, um coágulo sério ocorra, e isso quando também não se pressupõe que a porrada pode, apesar de intensa, NÃO acarretar o almejado desmaio, mas apenas dano físico. É incrível como este "recurso" se calcificou na cabeça dos roteiristas (e do público) a ponto de ser aplicado indiscriminadamente - às vezes precedido de um "Sinto muito, parceiro, mas preciso fazer isso", ou "É apenas para o seu bem!" (suponhamos, por exemplo, que o "agressor" não deseja ver a "vitima" se arriscar numa operação perigosa na qual ela insiste em participar e a faz "dormir" para protegê-la) - , como se a pancada apertasse um botão na cabeça do agredido, desligando-o apenas. Uma pancada para fazer desmaiar tem de ser forte, e, só por isso, já representa um perigo. Além do desmaio, o agredido pode sofrer danos sérios, ou simplesmente não desmaiar. William Bonner talvez tenha confiado demais nesse recurso-clichê quando agrediu o bandido relapso em sua casa e possivelmente tomou um grande susto ao perceber que a realidade responde a nossas ações de modo bem mais complexo do que a ficção (Um rolo de massa funcionaria melhor?). Felizmente o referido meliante não era um víciado em filmes de gangsters, quase sempre implacáveis com a desobediencia de suas vítimas.




Luiz Mendes Junior é escritor, cronista e roteirista
Seus textos também podem ser encontrados no blog http://noticiasdofront3.blogspot.com e http://dominiocultural.com
Luiz Mendes Junior
Enviado por Luiz Mendes Junior em 06/09/2007
Reeditado em 11/09/2007
Código do texto: T640630

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Sobre o autor
Luiz Mendes Junior
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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