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ACONTECEU NA PRIMAVERA PASSADA

(ACONTECEU NA PRIMAVERA PASSADA)


Surgiu como um conto de fadas e, como um encanto infiltrou-se na minha alma, com o espelhar de uma imagem, numa reflexão rápida e embriagadora.
No meio de tantas pessoas, passou a reter a minha imagem, o meu coração, a minha alma, o meu amor. Roubou-me também meus olhares cobiçosos, passando a ser o centro das minhas atenções.
Nesta atração enigmática, nossas almas e nossos olhares se confundiam. Não havia qualquer hipótese de interrupção, como não há até agora. Pelo contrário, nossas almas e nossos olhares mergulhavam-se um no outro e seguiam seu destino logo após.
Nossos olhares naquela concentração humana, diziam palavras emocionadas, que deveríamos dizer como se neste mundo existissem apenas nós dois.
Ficamos namorando telepaticamente, enquanto muitas pessoas, que circulavam por perto escondia-nos a face. Então tive de admitir a persistência em seu olhar, suas mãos suando frio, seu corpo obedecendo as ordens cerebrais, uma verdadeira alucinação.
Meus beijos profundos lançados ao vento através de correio eletrônicos, mas que no entanto, atingiam sua face, seus lábios, sua boca. Dando-me a impressão que, houve algum beijo mais ousado, que tocou-lhe as suas partes mais íntimas.
Como você não deu sinal algum de reprovação a tamanha ousadia, muitos outros beijos acariciaram os seus lábios à distância.
Uma sensação que não cabe nas palavras, se apoderou desta minh’alma distante e tão cheia de amor. Chamas incessantes consumiam todas as forças. De repente, num ato de aprovação, carregado de desejo e de admiração tocamos nossa mãos frias, que rapidamente obtiveram um superaquecimento.
Diante dessas maravilhas e outras que estavam por vir, você sentiu o orgulho dessa vida de seus encantamentos, descobriu os segredos e o bem estar invejável, que a natureza é capaz de proporcionar aos seus amantes e filhos. Perdida em tantos acontecimentos eletrizantes, senti suas mãos tocarem e segurarem as minhas, que obviamente fez nossos corpos estremecerem.
Não se contendo mais, fitou-me, então pude distinguir o seu olhar sensual, o aroma embriagador de seu perfume difuso ao vento, sua pele afável; Ah, se eu pudesse por tudo isso num simples pedaço de papel...
Como um casal de apaixonados em final de festa, dançamos conforme o rítmo do nosso coração, falando-nos apenas com o nosso olhar, e compreendemos que este ato seria uma forma de acariciarmos. Pela primeira vez, vimos, que nem tudo as palavras dizem.
Neste conto de fadas, bebemos longos e enfeitiçados beijos e, num abraço se encontramos, tendo as mãos juntas retivemos o calor de ambos.
O tempo assinalou o final desse sonho bruscamente e, uma chuva de lágrimas caiu tempestuosamente sobre a terra, misturando as lágrimas em gotas ao seu perfume.
Embora freqüentando ambientes diversos, compreendeu sua paixão e o tamanho do seu sofrimento. Mas, por razões consideradas burocráticas por você, se comparadas com a pureza do seu amor, adiamos o nosso reencontro.
A vida então se transformou num mar de sofrimentos durante tempos. Uma dor infinita e a vontade de viver foram definhando-se como águas nas areias quentes do deserto. Via-se então, o final de um vida e a eternidade de um grande amor.
Apesar das muitas contradições, havia uma luz sempre acesa, uma luz que representava a esperança de encontrar braços acolhedores da grande paixão, a cura para tanta dor e tanto desatino.
Mas o tempo continuava a passar, a passar descompassadamente e uma tristeza imensa enchia sua pequena alma. Dizendo a mais verossímil verdade, tudo me trazia à mente a sua imagem. A esperança de reencontrá-la crescia em proporções à tristeza que minh’alma detinha.
Repentinamente, um novo brilho se acendeu no seu olhar, todo aquele processo de transformação se sucedeu novamente com o uso das três grandes palavras, indispensáveis entre dois amantes:
- “Eu te amo.”
- “Eu te amo”.
Elas soaram além do infinito, selando e tornando concreta o seu início e sem fim, uma maravilhosa história de amor, que aconteceu na primavera passada.



tancredo
Enviado por tancredo em 27/10/2005
Código do texto: T64146
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Sobre o autor
tancredo
Valença - Rio de Janeiro - Brasil, 76 anos
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