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Amulher que vende o corpo...

Participei, há dias atrás, de um conclave, onde fui encarregado de relatar o debate sobre a questão da prostituição feminina. Por trabalharmos em cima dos depoimentos de pessoas do ramo, não houve idealizações nem teorizações. Segundo elas, a profissão mais antiga não é a de prostituta, mas de bruxa.  A sociedade, estrategicamente à distância, no pedestal de sua hipócrita e acomodada “decência”, não consegue imaginar os dramas existenciais dessas pessoas, que são obrigadas a renunciar à sua dignidade para sobreviver. O primeiro julgamento que se faz dessas pessoas é que são pessoas sem vergonha, depravadas, que gostam do que fazem, que têm prazer em fazer sexo com cinco ou seis pessoas diferentes por dia a troco de dinheiro. Encastelada em seus preconceitos, a sociedade é pródiga em julgamentos e achismos. A prostituta vende seu corpo para poder nutri-lo, ou seja, entrega-se para conseguir dinheiro e assim poder alimentar a si e à sua família. Ah!, dirão os moralistas de plantão, mas há outras coisa para fazer a não ser isso!   É, de fato há, mas quem tem acesso aos bons empregos? No grupo, havia duas moças, uma ex-bancária e a outra formada em curso superior que, diante do desemprego e da impossibilidade de arrumar trabalho, optaram pela prostituição para pagar a prestação da moradia, bem como alimentar e sustentar filhos no colégio. Se uma prostituta chegar em nossa porta e pedir um trabalho de babá ou cozinheira, será que nós lhe daremos a vaga? Ou se uma dessas bater num colégio cristão, obterá escola para o filho sem pagar? Na maioria dos casos, a prostituição é o único e último caminho. No entanto, elas têm coisas curiosas. A maioria afirma que não sente prazer sexual, fixada apenas nos quarenta ou cinqüenta Reais que vai faturar, às vezes de homens casados, psicologicamente deslocados, que nem querem sexo mas apenas com quem conversar e desabafar. Há também os que procuram as prostitutas para dar vazão a taras e desvios. “Eles pagam por meu corpo mas não por meu espírito” disse uma delas. Há também casos de prostituição masculina entre homossexuais (passivos) e jovens desempregados (passivos). Prostituição não é indicador moral mas social. Saí de lá com a frase da mulher que disse que seu espírito não podia ser comprado e me lembrei de nossos políticos. Quantos são donos de um bem nutrido corpo, mas vendem a alma e a honra ao diabo, às empreiteiras ou lobistas, em troca de espúrios favores...


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 27/10/2005
Código do texto: T64197
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
983 textos (321778 leituras)
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Antônio Mesquita Galvão