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A Abalada fé do Universitário

Eu sou universitário, curso Comunicação Social habilitada em Publicidade & Propaganda numa instituição particular aqui do sul do Estado, eu sou apenas mais um dos cinco mil alunos matriculados aqui, não sei como eles pensam, nem no que acreditam, mas por mim, tenho por obrigação dizer que eu perdi toda ou qualquer fé no Ensino Superior.
Dentro de mais um ano, terei o meu diploma (eu acho) e me ingressarei no que eles chamam de “mercado de trabalho”, mas para a mentalidade daqueles que acreditam que a graduação é a consagração do aluno para ingressar no mercado de trabalho, encontra uma incoerência na vida de alguns jovens que já estão no mercado de trabalho. Tais como eu.
É fato, nenhum chefe, ninguém responsável pelo departamento pessoal de contratar empregados, perguntou para mim, o que acredito que deveria ser a pergunta mais útil ao se contratar um profissional da área: “cadê o seu diploma?”, ou melhor, “posso averiguar o seu portifólio? Pois aqui nós valorizamos tudo o que você aprendeu na universidade”. Graças a Deus não é dessa forma que as coisas acontecem, pelo menos aqui na cidade onde eu moro, que por sinal não é roça, nem antiquada é assim como o Brasil, uma cidade em desenvolvimento.
Se fosse dessa forma, eu não teria conseguido estagiar e trabalhar nos três maiores empresas de comunicação e propaganda. O motivo é que eu não aprendo muita coisa dentro da instituição, o que eu aprendo eu busco sozinho. Essa é a verdade, eu sou o meu próprio ensino.
Para exemplificar o que estou dizendo, recentemente enfrentamos um pequeno na sala de aula, um professor supostamente pediu as contas, abandonando os alunos, para contorna a situação, foram reunidos todos os professores do curso e mais o coordenador para encontrar uma solução. E a solução encontrada era a seguinte, apelar para as aulas não presenciáveis. Que segundo a doutrina da instituição, teoricamente funciona assim: de 15 em 15 dias o professor estará presente na sala de aula, dando o conteúdo da matéria e averiguando a presença do aluno (sim, a presença na sala de aula é bem mais importante que o ensinamento dado), como todos os demais professores fazem dia a dia. Porém nas semanas em que ele não estará dentro da sala de aula, ainda sim, terá a aula, haverá supostamente uma atividade para fazer e se o aluno não entregar na próxima semana, tomara falta. Fazendo a matemática, que não é o nosso curso, para explicar o problema que temos. Basta lembrar que para reprovar por falta numa instituição, basta ter apenas 15 faltas, contando que esse professor não-presenciavel tem três aulas por semana, se não entregar o trabalho na próxima semana, você terá então seis faltas, por dois dias faltados.
 Existe uma lei, que segundo o nosso coordenador mencionou, diz respeito a essas aulas não presenciáveis. Segundo ele 20% das grades curriculares podem fazer isso, e a gente deveria saber no contrato que assinamos ao nos matricular. Não sei como funciona a mentalidade de outros estudantes, mas por mim, a primeira pergunta que eu fiz a secretária na hora da matricula, não foi “bom dia, com licença, antes de eu me matricular nessa instituição privada e de fins filantrópicos, poderia me explicar às leis que vocês aqui dentro pregam?” não, minha pergunta foi: “É boa ou não essa instituição?”. Eu faço publicidade e deveria ter notado há tempos atrás essa falsa propaganda, mas como é fruto do meu curso promover falsas pessoas e falsas promessas, creio que esse foi o único ensinamento que eu aprendi, a ser falso. E por isso meus amigos, eu perdi a fé.
Maycon Batestin
Enviado por Maycon Batestin em 08/09/2007
Código do texto: T643530
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Sobre o autor
Maycon Batestin
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
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Maycon Batestin