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AS RELAÇÕES DURADOURAS E O FIM

AS RELAÇÕES DURADOURAS E O FIM
MARÍLIA L. PAIXÃO

Não há nada mais difícil que terminar uma relação de amor que passa dos primeiros anos. Baseando-nos no fato deste período ter sido sustentado por um amor grandioso, geralmente nutrido pelas duas partes, a aproximação do término é geralmente mais percebida por um que por outro. Há dores, desencantos, tentativas de reconstrução e até mesmo um estado em que um tenta se adequar ao outro mais para encontrar saída ou formas de como manter aquela bela relação viva. Mas inevitavelmente, chega o dia em que o copo transborda e os limites, as tolerâncias, as concessões, as quebras de braços, tudo entorna. Um passa então a realçar os sacrifícios que tem feito, o vazio em que as coisas se encontram daquele jeito, e principalmente a falta de identidade ou sonho e os defeitos do outro. Nesta hora, o outro talvez menos infeliz sequer concorde com a metade do que ouve e acha que tudo pode ser recuperado, reconquistado, compreendido e acertado. A ilusão do grande amor tenta sobreviver até o final e se esforça com novas promessas. Um ou talvez até os dois ainda tentem por cores nos momentos ainda considerados mágicos. Nessa altura do campeonato essa última cartada só funciona bem entre casais cuja afinidade sexual ainda é prazerosa. Mas como o sexo não era o problema daquela relação, então por mais momentos mágicos como estes os problemas verdadeiros continuam reluzentes no espelho. Percebe-se então que não tem jeito! Essas relações são as mais difíceis e dolorosas de serem amadurecidas, assumidas e abaixo assinadas com o derradeiro basta e a decisão de tocar a vida um sem o outro. Tem sempre um que se prepara melhor emocionalmente para recomeçar. E tem o outro que acha que morrer será melhor que pensar em começar tudo outra vez com outra pessoa. Culpa do romantismo? Culpa de inseguranças sociais e econômicas? São tantas as culpas que os dois têm dificuldades ao enumerá-las. A verdadeira culpa acaba sendo a de pouco terem se conhecido antes de terem se apaixonado. Afinal, quanto tempo demora para que um ser realmente se conheça? Quanto tempo demora para que um ser realmente se apresente ao outro? E quando amamos, como é que nos apresentamos? Será que nos apresentamos bem enquanto encantados com um ser? E se este também estiver encantado? As relações de amor dependendo da idade em que elas se iniciam, podem parecer até uma fábula em um livro de paginas brilhantes. Vamos dizer então, que terminar essas relações seria como ir rasgando um pouco dessas páginas. Alguém consegue imaginar essa cena de uma forma bonita e elegante, sem lágrimas ou descontrole? Um amigo é que estava certo ao dizer que um vai estar querendo morrer e outro estará querendo nascer de novo. É preciso um pouco de tempo e paciência para que o novo passe a ser desejável por ambos. Ninguém consegue ser feliz com um reclamando infelicidade por estar do seu lado. Ambos terão que sair fora. Um abrindo mão do outro e o outro pulando de fora do outro para voltar-se para dentro de si. Quem sabe lá dentro encontrará novas paisagens, novas perspectivas de vida ou uma ou outra cerca precisando de reparos. A nossa paisagem tem que permanecer atrativa. Tanto para nossa auto-estima como para o nosso novo porta retrato da vida.

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 09/09/2007
Código do texto: T644786

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Sobre a autora
Marília L Paixão
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil
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