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Balas de hortelã e bombas de chocolate...

As crianças são portadoras de singular espontaneidade e simplicidade. Vêem o mundo real , o mundo como deve ser, sem as maquiagens sociais que nós adultos enxergamos e fazemos questão de enxertar em nossa vida. Dia desses, meu filho caçula de 4 anos, perguntou:
- Pai, o policial é mau?
Respondi ao garoto:
- Não filho. Ao contrário, o policial é bom, ele observa se as pessoas estão se comportando bem ou não, e assim, prestam grande auxílio a todos nós.
O garoto, confuso com a resposta, tascou outra pergunta:
- Se ele é bom, pai, por que está armado?
Fiquei refletindo... Por trás dessa curiosidade infantil encerra-se grande verdade. A vida é tão simples, e nós, quando atingimos a idade adulta, complicamos tudo. Ficamos indiferentes a dor, a tristeza e penúria do semelhante. Alguns usam as armas de fogo, outros as armas da indiferença. Não sei qual a pior, ambas são cruéis. Usamos armas para nos defender de nossos próprios irmãos. Um contra senso! Assustados, vivemos armados ou trancafiados em nossas casas, nos escondendo das pessoas, e, não raro, tratando o semelhante como fera que deve ser enjaulada e não criatura que deve ser educada. Nos afastamos dos outros e convivemos tranqüilamente ao lado da miséria social, que freqüentemente empurra as frágeis criaturas ao crime e desatino. Por isso, caro leitor, imperioso lembrar que, as armas de fogo e as armas da indiferença agridem, ceifam vidas, impõem medo, acarretam dores, disseminam a fome... Para se ter uma idéia da triste realidade que assola à sociedade, segundo pesquisas, na cidade de Bauru onde vivem aproximadamente 400 mil habitantes, 54 mil vivem abaixo da linha da pobreza. Triste constatação!
Com relação as armas de fogo a culpa por utilizá-las não são de nossos policiais, que se vêem obrigados a empunhar malfadado revólver para o desempenho de sua digna atividade profissional. São as contingências de um mundo onde a bondade ainda não impera.
Engraçado que nosso Brasil, com fama de país solidário e fraterno, que deveria exportar bondade ao resto do mundo, lamentavelmente exporta armas de fogo. Nestes últimos anos confeccionamos 2,3 milhões de armas de pequeno porte, exportando cerca de 1,7 milhão. Sim, caro leitor, somos ao lado de países como China, Rússia e Estados Unidos, um dos maiores produtores de armas de pequeno porte do mundo. Apenas para saciar sua curiosidade, em cinco anos, construímos um arsenal de armas cinco vezes maior do que aquelas que foram recolhidas na Campanha do Desarmamento, estão lembrados? Sem contar que algumas pesquisas apontam que, cerca de 80% das armas apreendidas no estado do Rio de Janeiro são pistolas e revólveres de produção brasileira, e não metralhadoras e fuzis importados.
Precisamos nos conscientizar de que devemos exportar solidariedade, fraternidade, renuncia, compreensão, utilizando as armas do amor a explodir a granada da indiferença de nosso coração, porquanto, na sociedade ideal e pacífica que todos sonhamos, as balas são de hortelã, as bombas somente de chocolate e revólver apenas aqueles que borrifam águas em planta.
Pensemos nisso.
Pesquisa – www.agenciabrasil.gov.br, acessado em 10/09/2007.

Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 09/09/2007
Código do texto: T644806
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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Wellington Balbo