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Bodas de Ouro Musical

No final deste ano estarei completando e comemorando 50 anos de música, profissionalmente falando.
     Fazendo uma retrospectiva deste meio século de vida e atividades musicais, fico pensando no que a Música me proporcionou e concluo que além de ter conhecido pessoas talentosíssimas que encontraram na música a sua melhor forma de se exprimir, independente de seu grau de estudos, informação ou posição social e lugares que nunca pensei conhecer,(da Tailândia a Singapura) as duas maiores emoções que a música me deu foram: descobrir que eu podia compor e ensinar música a crianças e adolescentes: passar pra eles um pouco do que aprendi,reuní-los para tocarmos juntos. Não fosse pela música que brotava de seus corações, talvez muitas dessas pessoas não tivessem outra maneira tão honrosa e nobre de expressar seus verdadeiros sentimentos.
     Com que alegria ouvi meu pai contar orgulhoso que fez o solo de clarinete de um trecho de uma ária da ópera AIDA de Verdi. Num esforço e exemplo de superação, da Banda de música “Euterpe Sta Cecília”da cidade do Cedro, onde ele viveu grande parte de sua juventude.
     Este talvez tenha sido seu maior feito de músico amador, pois, profissionalmente era operário. Aquelas notas escritas especialmente para o instrumento que ele executava, o clarinete, atravessaram dezenas, senão centenas de anos e vieram fazê-lo sentir-se uma pessoa importante ao interpretá-las, pois naquele momento, materializava o sonho do compositor, porque a música é uma arte que só existe no momento em que está sendo executada, em que o músico passa a ser o instrumento que dá vida aquela obra de arte, que só teve importância igual no momento que foi criada.
A partir daí, sempre dependeu do músico para executá-la, expressando o sentimento do compositor, os  sentimentos do músico intérprete e contagiando de uma maneira mágica as pessoas que solenemente a escutavam.
Instrumento aglutinador é a música, que une as pessoas por um sentimento bom, que transmite paz, beleza e uma vontade enorme de sermos pessoas melhores.
O jovem, quando depois de aprender começa a praticar e tocar em conjunto, se torna mais centrado, desenvolve seu raciocínio, aprende a respeitar a vez e o espaço do outro. Quando faz uma pausa, por exemplo, enquanto ouve o que o campanheiro está tocando, percebe que, apesar de estar tocando uma nota diferente, ela está se harmonizando com todas as outras notas da Orquestra, o que torna  a sonoridade, o resultado final, muito mais bonito e contagia as pessoas que estão ali só para ouví-los e fica feliz e gratificado com os aplausos. Aplausos esees, que significam que seu trabalho foi reconhecido e trouxe felicidade a outras pessoas. A Orquestra é um grande barco, onde se todos remam na mesma direção ,deslisa suavemente e nos dá a sensação de que rapidamente chegaremos ao próximo porto em segurança e harmoniosamente.
     Minha relação com os jovens músicos, que dirijo numa Orquestra, é não só de liderança mas de aprendizado também. Dá uma alegria muito grande perceber e acompanhar o desenvolvimento deles como instrumentistas e como pessoas também. Dá pra perceber, pelo brilho em seus olhos, a emoção que seu coração sente ao serem aplaudidos, por exemplo.

Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 11/09/2007
Reeditado em 11/09/2007
Código do texto: T647873
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
139 textos (21070 leituras)
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Aecio Flávio