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Revendo a História


Eu tenho uma posição meio crítica quanto à história. Quando a gente vai pesquisar a fundo, fugindo das “fontes oficiais” se observa muita distorção, ufanismo e, em geral, fantasias, tendências. A escrita de fatos históricos em livros, via-de-regra, interesse ao sistema, cujas desafinadas de alguns personagens nada somam ao processo ideológico.

Há tempos ao escrever um livro, a respeito dos “Mucker” de Sapiranga, sofri pressão para não escrever a obra, o que me levou à convicção de que a narrativa da verdadeira história, não interessa, ainda hoje, a muita gente. Pois eu tenho uma posição crítica com relação a fatos históricos, onde o historiador escreveu os textos sob a ótica do vencedor; ou a soldo deste. Para o sistema, não é negócio que a verdadeira história venha à luz. É melhor um enredo romântico, “patriótico” e formidável.

Assim foi o “descobrimento”, a colonização, as guerras (Paraguai, Farrapos, Mundial). Sempre há que se reverenciar heróis e execrar vilões.

República
O 15 de novembro não foge desse esforço. Para que se entenda como ocorreu a instauração da República brasileira, é necessário que se conheça alguns antecedentes políticos. A monarquia imperial vinha caindo pelas. As idéias liberais vindas dos Estados Unidos e da Europa, sopravam contra as cortes. Os norte-americanos eram república desde 1776, e nós em 1888 ainda éramos uma atrasada monarquia. Eram 112 anos de desvantagem. Cresciam, no Brasil, junto com desejos abolicionistas, os projetos republicanos de liberdade política. Houve, por parte do império, um grave erro de avaliação política. Os republicanos eram abolicionistas, enquanto os senhores de engenhos (e de escravos), monarquistas. Como algo precisava ser feito, a coroa decidiu libertar os escravos, para ver se acalmava os republicanos. O imperador se licenciou, e a 13 de maio a princesa Isabel assinou a Lei-Áurea. Foi pior a emenda que o soneto.

Isso serviu para unir o latifúndio com os republicanos. Todos passaram a conspirar contra a monarquia, e a derrubada de Dom Pedro II era questão de ocasião. Depois da queda do gabinete de Ouro Preto, os militares decidiram proclamar a república. Mas como fazê-lo? Tinham medo do castigo imperial. Assim, na madrugada de 15 de novembro de 1889 (eram seis horas da manhã),  quando as cortes ainda curtiam a ressaca do baile da Ilha Fiscal, um grupo de jovens oficiais, chefiados por Deodoro da Fonseca, trezentos cavalarianos, ao todo, resolveram afrontar o império e à frente do paço imperial, tiraram seus chapéus e gritaram: “Viva a República!”. E voltaram para a caserna a espera de represálias. O gesto seria mais uma provocação que outra coisa.

Ao meio dia, o imperador mandou um emissário aos surpresos Deodoro e Floriano, saber se a família imperial podia levar consigo alguns móveis, roupas e jóias do paço.  Menos de 24 horas depois, o imperador e família partiam para o desterro. Num gesto bíblico, a princesa Isabel bateu o pó dos sapatos...

Depois, Deodoro e Floriano devem ter se olhado e perguntado, um ao outro: “E agora? Já que lavamos o elefante, como vamos enxugá-lo?”. Sem o patrulhamento da imprensa e de qualquer oposição, imaginem como começou a República... Coisas que a história não contou.

Bandeira
Outro detalhe são as cores da bandeira nacional. A nós ensinaram, no romantismo idealista da escola risonha-e-franca, que o verde simboliza as matas e o amarelo o ouro; o azul, o céu e o branco a paz. Nada disso! Na verdade, o verde era o cor da “casa de Bragança” (Dom Pedro) e o amarelo “a cor da família dos Habsburg” (Dona Leopoldina). A primeira bandeira, em verde e amarelo, tinha o modelo (listras e estrelas) da bandeira norte-americana.

 

Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 29/10/2005
Código do texto: T64896
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão