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SONÍFERA ILHA


“Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz”.
Seria ótimo e prazeroso falar sobre a bela música dos Titãs, mas os componentes da “Ilha Senado” não me permitem. Insistem em me provocar, em querer me fazer um brasileiro tolo que enche a boca de fumaça, querendo aplacar os ímpetos da corrupção. Os ocupantes da ilha gozam de minha cara nas rodas de uísque. Chamam-me de inconseqüente; acusam-me de pertencente às zelites, somente porque, não sou analfabeto como o BABAca-mor que faz apologia à sua condição de migrante sofredor; acusam-me de chorar de barriga cheia, somente porque ralei a vida inteira e ainda ralo para romper com o que meu presidente não foi capaz – a pobreza. Ele é o nosso presidente, mas continua pobre e talvez, muito mais do que antes; desprezam e menosprezam as minhas idéias e de outros tantos brasileiros que acham que a “Ilha Senado” está em total dissonância com os anseios do povo brasileiro.
Os ocupantes da “Ilha Senado” fazem jogo de cena procurando embaçar ou empurrar com a barriga, o que está presta a acontecer: a derrocada de uma democracia imatura que procura ancorar suas fragilidades no passado, ou seja, como se a mãe fosse a culpada por termos nascido; os ocupantes da ilha não se dão conta de que o povo está a reclamar da quantidade de mamógrafos instalados no Estado do Acre; não se dão conta de que o povo está sabendo que um senador do Maranhão votou pela absolvição de Renan, retribuindo ao governo, o favor de ter nomeado seu filho para a diretoria da Brasilcap; não se dão conta de que, justificar seu voto a favor do Renan por saber dos traumas que uma cassação provoca, é no mínimo uma alegação covarde, pois ninguém foi ou é afastado do poder público sem um motivo plausível – a menos que o Poder Judiciário seja tão corrupto quanto os que não se julgam ser; não se dão conta de que o ABS do painel do senado federal está sendo comparado ao sistema de freio da indústria automobilística – é um freio imposto pela minoria poderosa do poder e que, ficar de cabeça baixa querendo justificar a abstenção, é outra forma de incompetência; não se dão conta de que o SUS está permitindo o reaparecimento da tuberculose, a morte de bebês nas maternidades, a falta de assistência médica nos corredores dos hospitais, a morte de hipertensos, a falta de atendimento assistencial, nada tem a ver com a CPMF, mas sim, com a incompetência dos gestores e de quem os nomeia; não se dão conta de que a absolvição de Renan é um incentivo à poligamia, ou seja, homem ou mulher pode prevaricar e fazer quantos filhos quiser à margem da Lei – basta assumi-los e está tudo bem, não interessando como o(s) filho(s) serão sustentados – com a receita da venda de bois, de cabritos ou de qualquer outra fonte. Tanto faz.
Ah! Ocupantes da “Ilha Senado”, os senhores não conseguem me convencer de que estou vivendo no país que sonhei para mim e para meus filhos; os senhores não fazem jus ao voto do povo. Os senhores passam para a população a deplorável sensação de que estamos à deriva e à mercê da idéias dos bárbaros que inventaram o AI-5 e de outros tantos que impuseram o “fechamento” do Senado para que o povo não ouvisse e nem assistisse o que os senadores tinham a dizer sobre a acusação e a defesa do senador Renan.
Eu, como humilde brasileiro letrado, tenho o direito de dizer aos quatro ventos que, em sendo senador, votaria pela cassação, pois não fui suficientemente informado sobre as alegações do Conselho de Ética da ilha e nem pelos defensores do senador. Portanto, culpa não me cabe se declaro meu voto, mesmo não pertencendo ao seleto abrigo democrático.
Para mim, está tudo muito claro: o senado brasileiro deletou de nossa memória o conceito de democracia: “É O GOVERNO DO POVO, PELO POVO E PARA POVO”. Do povo continua sendo – foi o povo que elegeu seus nobres representantes; pelo povo, o senado não é – basta ouvir a voz rouca das ruas, como brada um senador de meu Estado, repetindo Ulisses Guimarães e que segundo sei, votou contra a cassação; para o povo, também não é, pois o povo fez um juízo, talvez prematuro, de que Renan deveria ser cassado (o senado se fechou e não permitiu que fizéssemos melhor juízo).
E agora, o que nos resta? Esperar que o senado acorde dos efeitos do barbitúrico governamental ou a deserção de parte dos trinta e cinco que foram a favor da cassação?
Aguardemos. O pessoal da “Ilha” nossos representantes,  é esperto. Eles sabem o que dizem e o que fazem, mesmo que em discordância com o que pensam alguns poucos brasileiros. Eles sabem também, que somos nós, das zelites, que fomentamos o desejo de liberdade, pelo menos no raio de nosso alcance.
Vou mandar o presente artigo para alguns dos nossos senadores – aqueles que julgo mais coerentes com o pensamento democrático e mesmo que não façam referência a este artigo na tribuna, aguardarei uma resposta, para que possa repassar a todos os “recantistas”.
Se eles não responderem, teremos aí um indicativo: tudo continuará como era antes. Se responderem (repassarei) é um bom sinal, algo está mudando na sonífera ilha – no senado brasileiro.

Rui Azevedo – 16.09.2007
Rui Azevedo
Enviado por Rui Azevedo em 17/09/2007
Código do texto: T655717
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Sobre o autor
Rui Azevedo
Teresina - Piauí - Brasil
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Rui Azevedo