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Polícia Neles

A classe de trabalhadores do Brasil paga uma carga tributária absurdamente alta para ter direito a alguns serviços públicos assegurados pela Constituição Federal, entre os quais os serviços de segurança. É público e notório que ninguém pode se negar a pagar os impostos cobrados, especialmente porque alguns deles já são descontados na própria folha de pagamento dos salários.
Receber os serviços relativos ao pagamento efetuado é que são elas. Um exemplo disso é que um considerável número de policiais, cujos salários são pagos com dinheiro do contribuinte, se comporta como fosse donos da razão, esquecendo-se de que são meros empregados do povo e que o trabalho deles é justamente garantir a segurança dos cidadãos.
O caos em que se transformaram os aeroportos de todo o País é um exemplo muito claro de que as polícias não estão nem aí, para defender o direito daqueles que pagam seus salários. No último dia 3 de julho, por exemplo, todos os noticiários divulgaram que em São Paulo, a Polícia Federal foi chamada pelas empresas aéreas, a fim de conter os rompantes dos passageiros que se exaltavam nas reclamações porque não podiam viajar.
A PF atendeu prontamente o chamado para conter os “exaltados”, quando deveria assegurar que o direito de quem comprou passagem para viajar fosse respeitado. Diante das circunstâncias, fica claro que as Polícias existem, não para garantir o direito do contribuinte, mas para puni-lo; castiga-lo defendo os interesses do empresariado ou daqueles que detêm o poder.
Um outro exemplo a ser citado comprovando esta verdade, ocorreu quando a população foi impedida de entrar na chamada “casa do povo” – a Câmara Municipal do Natal, por ocasião da votação do Plano Diretor da Cidade. Informada que os nobres representantes do povo iriam votar contra os interesses coletivos, a população se uniu com o intuito de assistir à votação a fim de pressionar os vereadores durante a votação. A Polícia, porém, estava lá, a postos para impedir o acesso do povo à sua casa.
A Polícia também foi ágil e rápida para mais uma vez impedir o acesso do povo à Câmara logo depois da votação, ocasião em que grupos representativos da sociedade se uniram para expressar sua vergonha pelas suspeitas de que os nobres representantes da população haviam recebido propina para votar o Plano Diretor atendendo aos interesses de empresários. Esta atitude comprova que a Polícia nada mais é do que uma guarda particular a serviço dos poderosos.
Não é de hoje que a Polícia teima em esquecer quem é seu patrão e isso ocorre quando se trata de defender os direitos dos cidadãos. Nessas ocasiões ela sempre chega atrasada. As páginas dos jornais estão repletas de notícias mostrando que a Polícia constrangeu algum cidadão devido à sua prática truculenta de agir. Desse modo, espanca, humilha, intimida, sem permitir, em muitos casos, que cidadãos de bem possam ao menos se identificar. No geral, a prática policial é “espancar primeiro” e perguntar depois.
Dão-se mal em raríssimas ocasiões. Em Natal, um grupo de policiais está sendo acusado de tentar subornar um cônsul da Noruega. Em Mossoró, a população ainda está perplexa diante da forma truculenta com a qual policiais espancaram covardemente dois flanelinhas que brigavam no centro da cidade, dando um exemplo claro de que nossa Polícia não está devidamente preparada para lidar com pessoas. Todos são inocentes até que sua culpa seja provada. Os policiais, porém, parecem desconhecer esta verdade.
Nadja Lira
Enviado por Nadja Lira em 17/09/2007
Código do texto: T656503

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Sobre a autora
Nadja Lira
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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