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Filme O Segredo - algumas reflexões

"Existe uma relação muito real entre o que você
contribui e aquilo que você recebe neste mundo."
Oscar Hammerstein II


Coisa interessante.
Certa pessoa pega uma idéia bastante conhecida das rodas de auto-ajuda, afirma que se trata de uma grande novidade, diz que tal idéia estava guardada a sete chaves desde a antiguidade, pega alguns testemunhos de pessoas comuns que prosperaram usando as técnicas contidas naquela teoria, re-lança este conceito em um produto com o nome x e recebe, em troca, milhões de dólares.

E quase ninguém se dá conta de que não há segredo em O Segredo.

Caro leitor, mesmo sob o risco de levar pedradas dos defensores do filme, gostaria de poder fazer algumas reflexões.

Iniciemos pelas técnicas de marketing utilizadas.
Primeiro: O nome.

Vamos ser honestos - é só alguém pronunciar a palavra segredo que inúmeras pessoas erguem as orelhas, atentas a qualquer movimento labial.

Segredo é algo mágico – trata-se de certo assunto que poucos ou apenas um tem conhecimento e que a partir de um dado momento poderá ser partilhado com a gente.
Rasgando o verbo, direi o seguinte – é fofoca.
E quem não curte uma? A maioria adora.
Aliás, costumo dizer que fofoqueiro é que nem mosca. São em grande número, adoram o lixo alheio, a gente espanta, mas sempre continuam zunindo por aí.

A segunda sacada da obra: Usar o nome de personalidades ilustres da antiguidade para firmar a teoria, ou seja, usam argumento de autoridade.
Acredito, realmente, que figuras célebres, tais como Leonardo da Vinci ou Isaac Newton conheciam a lei da atração. Porém, será que apenas a observância de tal lei lhes deu toda a criatividade de que dispunham? Não tiveram de suar a camisa para conseguir nada? Bastou exigir do Universo?

O terceiro ponto explorado é o Self-Made Man. Um tipo de ‘homem que se faz sozinho’. O povo adora ouvir as histórias de pessoas que saíram da miséria total e por seu próprio esforço conquistaram riqueza e glória. Dá aquele gostinho de “se ele pode, eu tambem posso, uai!”.

Incrível é que em nenhum momento se fala em trabalho.

Taí o pulo do gato.
Para que trabalhar? Basta desejar direito.
Aliás, é só esse o seu trabalho.
Segundo o filme, em pouco tempo, se aprender direitinho, pode ser que o carteiro apareça semanalmente com envelopes gordinhos, contendo cheques nominais. E olha que não estou falando de cheques sem fundos!

Falam em colares de diamantes, mansões exuberantes, bicicletas, carros caríssimos, amor perfeito e saúde física. Tudo conquistado através do pensamento voltado ao que realmente se deseja.

Sim, a lei de atração existe e pessoas mais positivas tendem a atrair resultados interessantes em suas vidas. Isso é provado, inclusive, pela ciência. Mas será que apenas este aspecto nos garante tudo o que o filme promete?

O que diz a medicina?
Cada caso é um caso – e deve ser analisado individualmente. Muitas pessoas com câncer terminal, mesmo sendo muito otimistas, não se curam. Será que elas não sabem desejar a própria saúde ou será que o processo atual da doença se deve a uma outra lei, chamada Causa e Efeito?

Eu fumo a vida toda, continuo fumando, mas meu pensamento é condicionado - só me imagino saudável. Isso dará conta do recado?

A ciência diz que não.
E é justo.
Não cuido do meu templo mais sagrado e exijo, do Universo, saúde. Onde há coerência?

Esqueceram de revelar neste filme que não existe apenas uma única lei a nos reger, mas sim algumas leis imutáveis que se complementam.

Aqui nos cabe uma pergunta: Qual será, então, o segredo da felicidade?

O segredo, caro leitor, é amar.

Tenho aprendido que só os que sabem o valor desta palavra é que conseguem mudar o mundo interior, contagiando, assim, o contexto exterior.

Só os que vivenciam este sentimento encontram paz duradoura.

Falo aqui não apenas do amor entre o homem e a mulher ou do amor entre pais e filhos, mas sim do amor ao Criador e à Sua criação.

Do amor desinteressado, do amor em sua maior expressão.

Quando amarmos verdadeiramente, os bens temporais tornar-se-ão secundários.

Nosso objetivo não estará situado apenas no progresso tecnológico, nem mesmo na fortuna ou no conforto da vida moderna. A proposta será, em verdade, converter os benefícios desses recursos para todos, sem exceção.
A meta será valorizar mais o 'ser' do que o 'ter'.

E a vida terá, então, um outro sentido.

 
 “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência: ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei”.
Trecho da carta de Paulo aos coríntios

Claudia Gelernter
Enviado por Claudia Gelernter em 18/09/2007
Reeditado em 18/09/2007
Código do texto: T657558
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Sobre a autora
Claudia Gelernter
Vinhedo - São Paulo - Brasil, 49 anos
37 textos (19151 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 18:58)
Claudia Gelernter