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Carta ao Senador RENAN CALHEIROS

Sr. Renan Calheiros:
Muito embora o cargo de Presidente do Senado lhe confira o direito de ser tratado como Excelência, não o farei porque o sr. é indigno de tal tratamento. Quando muito o tratarei de “senhor” apenas por questão de educação de minha parte.
Três meses se passaram. Três meses de improdutividades com inúteis discussões e investigações inócuas em busca de comprovações comprometedoras que possivelmente o condenassem, relegando o interesse do povo a segundo plano. Mas desde já sentia-se no ar o cheiro de “pizza”, tamanha era a sua impáfia irônica ao afirmar veementemente não ser culpado de nada.
A despeito de “purificar a honra da casa”, ilustres senadores disputaram um lugar na Comissão Parlamentar de Inquérito para investigá-lo. Foram gastas muitas horas à cata de provas que pudessem extirpá-lo da Presidência do Senado. Enquanto isso, o senhor julgando-se todo poderoso, estufava o peito diante de repórteres e câmeras afirmando: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
Lembro-me da minha infância, quando de férias visitava a fazenda do meu avô. Criado na capital, eu me extasiava diante da exuberância da natureza. Certa manhã, passeando pelos campos com meus primos, notei espalhado pelo campo os excrementos do gado. Curioso e munido de um graveto comecei a mexer naquela massa ressecada e estranha. De repente um peão da fazenda falou: “menino! não mexa na bosta do gado. Se você mexer nisso ela começa a feder!” Imediatamente afastei-me e joguei longe o graveto pois realmente já sentia um odor desagradável. Perguntei ao peão porque antes não fedia. Ele respondeu que era porque ressecava por causa do sol, mas por baixo apodrecia e ao remexer exalava um cheiro desagradável. Daquele dia em diante nunca mais esqueci a lição e sempre que andava no campo evitava me aproximar dos extercos.
Essa minha lembrança da minha infância é oportuna para ilustrar a indignação que toma conta não só de mim mas de todo o povo brasileiro ao constatar a forma vil com que o sr. e seus comparsas atiraram no lixo a ética de uma casa que deveria ser símbolo de honestidade e representatividade pública que é o Senado Federal. A despeito de permanecer no cargo de Presidente do Senado o sr. não mediu esforços para conseguir seu intento. E conseguiu. Pergunto, sr. Renan Calheiros: o que devem pensar os seus familiares ao descobrirem agora o tipo de homem que o sr. realmente é;
O que deve pensar o querido povo de Alagoas que inocentemente o elegeu e que agora o sr. decepciona; será que o sr. espera reconhecimento? respeito? Não, sr. Renan. O senhor não é digno sequer de que seu nome seja pronunciado e se possui algum caráter ou um pouco de respeito e dignidade, deixe o cargo e se exile em algum canto escondido onde ninguém mais possa ter notícias suas.
Quanto mais vejo noticiários sobre política relembro do exterco do gado. Política é assim: quanto mais se mexe, mais fede.

VALDIR BARRETO RAMOS
Cidadão e eleitor desiludido com os políticos do Brasil

* Esta crônica está no livro "Ponto de Vista" a ser lançado brevemente com artigos, contos e crônicas. É proibida a cópia ou a reprodução sem a minha autorização. Visite meu site: www.ramos.prosaeverso.net  
Valdir Barreto Ramos
Enviado por Valdir Barreto Ramos em 18/09/2007
Reeditado em 30/07/2009
Código do texto: T658528
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Valdir Barreto Ramos
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 62 anos
1012 textos (238696 leituras)
5 e-livros (3796 leituras)
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Valdir Barreto Ramos

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