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Último Round: Máxima Poética, Mínimas Palavras

  Um livro de poemas para se degustar à vontade: comê-lo, fruindo o prazer estético e compreendê-lo, interpretando-o, dialogando em silêncio com o autor, à luz da sensibilidade e da razão crítica. Último Round - livro de poesia de estréia de Rogério Newton Carvalho de Sousa - é um presente que cabe no bolso, acalenta o coração e está predestinado  a ser uma referência na produção literária de expressão piauiense e brasileira.

   Lançado no último dia 09 de abril em Oeiras-Piauí - cidade natal do poeta -, em praça pública, com direito a performance teatral, Último Round é a síntese (os poemas são curtos) do trabalho de Rogério Newton com a palavra poética, ao longo de vinte anos. Cronista, com dois livros publicados (Ruínas da Memória, 1994 e Pescadores da Tribo, 2001), Rogério Newton já trouxera a público poemas esparsos em antologias e jornais (Baião de Todos, 1996 e Floretim, 1985), que nos davam o vislumbre do poeta que é e do homem, atento aos eflúvios da vida.

   Último Round é composto de 30 poemas mínimos (poemas-comprimidos à la Oswald de Andrade), que refletem a natureza do trabalho do autor e caracterizam suas preocupações estético-existenciais. Das muitas vozes que polifonam a poética rogeriana detectamos um time seleto, que vai de Ezra Pound aos Concretos, Bandeira e Geração Mimeógrafo, da qual faz parte. Todavia, Rogério Newton tem estilo e dicção próprios, que fazem dele uma "voz reconhecível" em meio a tantas vozes poéticas.

   Rigor estético, síntese, rimas raras, ricas, pobres, ritmo dissoluto, temas cotidianos e universais, Último Round traz pequenas obras-primas poéticas, perpassadas pelo desencanto romântico lírico consigo mesmo e com o mundo (Sou um homem / sincero / elevado / a / zero) e pela coragem épica de encarar a vida e o labor literário. Não é à toa que o poeta inaugura seu ofício literário em livro aos 44 anos, idade em que a maturidade existencial é um signo natural. O anti-épico pós-moderno "Ser/Res/Ser" ou o "fito/in/finito" são diminutas reflexões poéticas, que extrapolam ao campo literário e estão em intersecção com a filosofia e a religião. Rogério Newton diz poeticamente, com a expressão  mínima, máximas de vasto conteúdo.

   O projeto ético-estético do poeta está expresso em "ser campeão de poemas ao cesto", não um poeta bissexto. Diz do rigor e da responsabilidade com que o autor encara sua "profissão". Há, também, em Último Round, maestria, inventividade e originalidade, uma sensibilidade apurada em contemplar a natureza e os pequenos acontecimentos do cotidiano como veio poético, como em "Cigarra": Farpas de Canto/Na Estaca da Cerca, que indica a relação do poeta com o mundo e o canto, que fere e interfere em sua percepção estético-existencial.

   Máximas mínimas, cheias de anfibologias e metáforas inusitadas, ironia leve, à moda Zen, lirismo sintético e contido são as marcas estilísticas de Último Round. Que o leitor/internauta mergulhe, pois, no universo poético rogeriano, como se mergulha no mar revolto ou no rio tranqüilo da vida, para tirar as suas próprias conclusões. Eis, pois, o Round decisivo da luta boxeana que é vida, com o melhor do poeta.

 
Elias Paz e Silva
Enviado por Elias Paz e Silva em 20/09/2007
Código do texto: T661321
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Elias Paz e Silva
Teresina - Piauí - Brasil, 53 anos
491 textos (6901 leituras)
7 áudios (283 audições)
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Elias Paz e Silva