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Diagóstico preocupante


A vitória do “sim” sobre o “não”, no referendo de 23 de outubro, sobre as armas de fogo é preocupante. Ganhou o “não”, mas deveria ter vencido o “sim”. Eu votei a favor das armas, mas o ideal seria uma sociedade sem armas, desarmada de instrumentos e de espíritos, o que é, pelo menos nos países que conheço inviável.

O resultado do referendo, por tudo o que ele representa, exprime a falência moral, mecânica e efetiva do Estado, do Poder Judiciário e das polícias. Trata-se da vitória do individualismo. E o individualismo, em uma sociedade moderna, é sempre um retrocesso.

Na sociedade primitiva, nas cavernas, nos grotões medievais, no faroeste, ou em nosso tempo, o cidadão sentia-se desprotegido, por isto se armava. Por todos os descaminhos verificados, hoje o povo revelou só confiar em si mesmo, no poder defensor de suas armas. Confia mais na frágil defesa de um revólver do que no aparelho coercitivo e preventivo/punitivo do Estado. Uma outra coisa que intrigou a nação, fazendo-a aderir ao “não” foram as razões da tentativa da proibição do comércio de armas e munições. A gente sabe que no Brasil, quando os governos, de todos os tempos e todas as geografias, aponta para o sabiá, ele quer atingir o tico-tico. Parece que foram gastos US$ 280 milhões no referendo; perto de R$ 600 milhões de Reais. Será?

Na última semana antes do pleito, ante uma pergunta que todos faziam, o Ministro da Justiça (??!) Márcio Thomaz Bastos que “...meu interesse não é desarmar o bandido, mas os cidadãos!”. E esta resposta fica mais complicada em termos éticos, quando somos informados que o Dr. Thomaz Bastos foi o advogado vitorioso dos play boys de Brasília que incendiaram mortalmente o índio pataxó. O fato é que os cidadãos se sentem desprotegidos, num país que tem magistrados na cadeia, parlamentares cassados por improbidade, policiais presos aos magotes, tudo revelando que a ética foi definitivamente para o espaço.

E agora, José, confiar em quem?

Apelar para quem, quando sua residência, comércio ou automóvel for presa dos bandidos? A polícia nem sempre aparece... o Judiciário, o mesmo que libera criminoso “por engano”,  perdeu sua credibilidade... apelar para quem? Para o “sobrenatural de Almeida”, como dizia Nelson Rodrigues, ou chamar o Chico Buarque, a Fernanda Montenegro ou o padre Marcelo? O Chico mora em Paris; a Fernanda não usa arma, mas anda de carro blindado, com seguranças fortemente armados. É a farsa dos hipócritas que queriam enganar os ingênuos. Eu publiquei várias matérias sobre o assunto, a favor do “não”. Fiquei feliz ao escutar: “mudei meu voto depois que li teu artigo!”.

O cidadão consciente sabe que o ideal seria uma sociedade totalmente desarmada. Mas, diante das atuais circunstâncias de nosso país, é impossível abrir mão de uma arma para a defesa pessoal, da família e do patrimônio. Já que não houve aprovação popular, que se libere, para as polícias e para os civis a compra de armas melhores, como as pistolas 9 milímetros, .40 e .45 e que se deixe de lado essa bobagem “armas de uso privativo”. Isto, na realidade não existe em país algum.



Farsa

Será que o povo já viu farsa maior que encaminhar “recurso” contra multas de trânsito, seja no âmbito municipal ou do Detran? Eu não conheço ninguém que tenha a notificação anulada. O percentual de agraciados, o que caracteriza a farsa, deve beirar os 10%.

A mentira, a má-fé ou a incompetência do agente, em geral despreparado ou tendencioso, conta mais que a verdade e as provas do contribuinte. Eu fui vítima dessa fraude duas vezes: uma em Canoas e outra em Porto Alegre. Em função dos esquemas existentes, é inútil recorrer. Trata-se de uma pró-forma safada e ridícula.


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 02/11/2005
Código do texto: T66357
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão