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A Banalização da Dor

     Na sociedade atual, a velocidade na divulgação dos acontecimentos gera uma massa de informação impossível de ser convenientemente processada pelo homem. Nos dias de hoje, as tristezas são fugazes. Furacões, tsunamis, massacres, guerras, atentados, produzem impactos rapidamente absorvidos pela sociedade. As tristezas não duram o tempo necessário para amadurecerem e servirem de adubo para a construção de um mundo melhor. O furacão de hoje é substituído nos jornais de amanhã pelo extermínio de trabalhadores. O extermínio de trabalhadores de amanhã será substituído, depois de amanhã, pela destruição de uma cidade inteira numa guerra-que-eu-já-esqueci-o-nome. E assim, sucessivamente, nossas dores vão se tornando cada dia mais efêmeras. A dor da grande tragédia de hoje será substituída pela dor da tragédia maior de amanhã. Essa instantaneidade das tristezas coletivas transfere-se, pouco a pouco, para o plano individual. E a gente vai se habituando à infelicidade, à dor, à desgraça. E quando nos habituamos, deixamos de reagir... Estamos perdendo, individual e coletivamente, a capacidade de nos indignarmos.

     No início do século XX o nazismo dizimou milhões de judeus, perpetrando o maior genocídio da história da humanidade. Até hoje, esse crime é indignadamente lembrado pelo mundo inteiro.

     E as barbaridades cometidas em quase três anos de ocupação do Iraque? Quantos morreram? Como morreram? Morreram? Por que, mesmo, que os Estados Unidos invadiram o Iraque?

     Vivemos a era do espetáculo de alta rotatividade: a cada momento produz-se um novo
drama de curtíssima temporada, pelo menos na memória de seus espectadores.
Rosane Coelho
Enviado por Rosane Coelho em 02/11/2005
Reeditado em 01/04/2006
Código do texto: T66594
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Sobre a autora
Rosane Coelho
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (108 leituras)
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Rosane Coelho