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MENINOS DE RUA



Há poucos dias atrás estávamos eu, esposa e filho de 8 anos, visitando a exposição das tartarugas do projeto TAMAR, numa praia de minha cidade. Três "meninos de rua" apareceram também por lá, eram inquietos, falantes, perguntavam sobre tudo, o meu filho que é um tagarela nato, foi logo se aproximando deles e passou a fazer parte do grupo, com perguntas e as vezes com respostas a uma e outra pergunta dos meninos.

Notei que algumas mães, disfarçadamente iam retirando seus filhos de perto dos meninos e ao mesmo tempo, olhavam com um certo ar de repreensão para minha esposa, provavelmente recriminando-a por permitir que nosso filho conversasse e brincasse com aqueles "meninos de rua". Notei também a insatisfação das crianças e um pouco de revolta no olhar de algumas, porque não queriam deixar o local naquele instante. Percebiam as crianças, que estavam saindo por conta daqueles meninos de pés no chão.

As nossas crianças logo se tornarão adultas e com elas crescerão também, o desprezo, a indiferença com os mais necessitados ou com os menos favorecidos, como prefere a sociedade burguesa chama-los, talvez por achar mais elegante.

Nas comunidades carentes os "meninos de rua", vão cada vez mais, sendo afastados dos olhos de nossos filhos, colocamo-nos como se fossem os lados ruins da sociedade.

Afastados pela sociedade de sua condição primária de
“ser humano”, eles vão sendo tratados como seres inferiores, sem direito ao lazer, cultura, educação e até mesmo a alimentação. A sociedade, muitas vezes esquece que os "meninos de rua" também crescerão tão qual os nossos filhos, mas se tornarão homens revoltados com tanta indiferença, com tanta desigualdade, com tanto despreparo, que não conseguirão mais, reconhecer na sociedade à sua semelhança.

Acabarão por nos agredir, machucando-nos, matando-nos, abatendo-nos como se animais fôssemos, porque certamente para eles, não passaremos disto.
Está mais do que na hora, de olharmos com outros olhos para aqueles que são iguais a nós, possuem as mesmas necessidades, almejam a mesma felicidade e que por um motivo qualquer, não conseguiram acompanhar a evolução social e econômica da minoria de nossa sociedade.
Não podemos exigir compreensão, se não os compreendemos, não podemos exigir respeito se não os respeitamos.





























paulo cesar coelho
Enviado por paulo cesar coelho em 04/11/2005
Reeditado em 31/03/2009
Código do texto: T67253

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Sobre o autor
paulo cesar coelho
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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