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Extra! Extra! Brasileiros são os que mais acreditam em propaganda!

"É bom ter dinheiro e as coisas que o dinheiro pode comprar; mas é bom, também, verificar de vez em quando e se certificar de que você não perdeu as coisas que
o dinheiro não pode comprar."
George Horace Lorimer




Li esta notícia hoje, no BBC Brasil.
O povo brasileiro, entre outros 47 países pesquisados, é o que mais acredita em propagandas.


Já os Dinamarqueses, seguidos dos Italianos e Alemães são os mais desconfiados. Cuidam para não se deixarem levar pelas técnicas que seduzem. Buscam, por detrás dos anúncios, a verdade camuflada em belas palavras coloridas. Já não acreditam (ou nunca acreditaram, até porque os europeus têm uma cultura mais filosófica) no que os anúncios pregam: que o produto é tão importante que sem ele, você - homem coisa - não é nada.

A mercadoria é que é tudo. Ela é quem te faz feliz, forte, perfeito.


As propagandas da cerveja são um bom exemplo disso: tudo é maravilhoso quando você bebe o produto da marca certa (a que pagou para que aquele comercial fosse produzido e veiculado). A única coisa errada está em não beber.


Esta ideologia, altamente fortalecida pelos meios de comunicação e principalmente pela propaganda, “coisifica” o homem e dá alma às coisas. Agora, sem a cerveja, você se tornou um ser quadrado, sem chances com mulheres loiras de peitos enormes, sem motivos para ser feliz.


Triste constatação a desta pesquisa.

Nós, brasileiros, temos facilidade em engolir ilusão. Ficamos encantados com os jingles engraçados, trememos dos pés à cabeça diante daquela propaganda do tal carro prateado, brilhando, sendo guiado por uma mulher monumental; suspiramos por um tênis produzido por mão-de-obra escrava, que nos promete um ingresso seguro nas turmas mais “descoladas”.


E os objetivos vão sendo alterados conforme os últimos lançamentos do mercado. Muitas vezes, sacrificando a própria família com a ausência justificada pelas horas extras, nosso propósito de existir e de trabalhar passa a ser a conquista daquela ‘coisa com alma’.

Como é importante o ter!


Tempos atrás, um pai de família de classe média sustentava cinco filhos, trabalhando fora, sozinho. A esposa cuidava da casa e dos filhos, os filhos estudavam nas escolas e a vida – simples, porém, de qualidade – seguia sem grandes percalços.


Uma TV era suficiente, afinal naquela época todos jantávamos juntos e íamos para a sala no mesmo momento. Importante citar que a TV não era o centro desta sala, mas sim o diálogo. Um carro dava conta de carregar todos para seus compromissos, pois eles eram em menor número. Nossas casas não tinham chaminés, nem home theater, nem salão de jogos ou de festas. Mas tinham calor humano gerado pela energia dos membros presentes.


Bendita época em que a psicologia pouco contribuía para que a propaganda tivesse tanto êxito.

Vivíamos com pouco – e éramos felizes.


Sim - tínhamos sonhos de conforto e segurança.
Não há pecado nisso e nem devemos fazer nenhum tipo de apologia à pobreza. O que acontece é que hoje em dia o altamente supérfluo tornou-se o altamente necessário; o dispensável tornou-se indispensável; o meio tornou-se fim.

E não se iluda, leitor amigo – a cada piscina construída, uma pessoa fica ainda mais miserável; a cada carro luxuoso comprado, outros tantos passam a andar à pé; a cada nova jóia, outros ficam mais famintos e passam a mendigar o pão.

Afinal há o acúmulo de riqueza e quanto maior este acúmulo, maiores as diferenças sociais.


Assim é o sistema que nos governa, cuja ideologia o sustenta e encobre e no qual a propaganda tornou-se a ferramenta mais poderosa, fazendo-nos crer na ilusão de que só somos se temos e se não temos, nada somos.
Claudia Gelernter
Enviado por Claudia Gelernter em 04/10/2007
Código do texto: T680534
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Sobre a autora
Claudia Gelernter
Vinhedo - São Paulo - Brasil, 48 anos
37 textos (18856 leituras)
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Claudia Gelernter