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Teste de honestidade

Era dia de prova, a classe estava em total alvoroço. Sem exceção, os alunos preparavam a “esperta cola”. Queriam se dar bem na avaliação, passar de ano, receber o diploma...
O professor adentrou o recinto, chamando a atenção de todos os alunos para sua presença, e bradou em alta voz:
- A avaliação da noite de hoje será um tanto diferente. Irei entregar as provas e me retirar da sala de aula, vocês ficarão sozinhos, trata-se de um teste de honestidade, quem quiser colar, olhar na prova do colega, estará à vontade, não haverá punição para ninguém. Obedeçam as vossas consciências. Boa prova a todos!
A classe ficou estupefata com a surpresa daquela avaliação de honestidade. A “esperta cola” perdeu o sentido, desanimando todos de prosseguir com o intento de tirar vantagem, afinal, o professor lhes tirara aquilo que mais os estimulava: a sensação de esperteza por estar passando alguém pra trás.
O folclore japonês situa Ebisu como o deus da sinceridade, representando a honestidade e o trabalho. Impossível ser honesto sem ser sincero, impossível ser honesto sem se afeiçoar ao trabalho.
Um grande amigo, mestre na arte de vender, costumava aconselhar: “Ser honesto dá muito trabalho, mas vale a pena. Se você não tem mercadoria para entregar, diga ao cliente a verdade. Se o produto ainda está em processo de produção, diga a verdade, não invente, não enrole, seja simplesmente sincero. No começo você escutará reclamações, os clientes irão resmungar, muitos inclusive não irão lhe procurar, contudo, cedo ou tarde sua postura honesta irá se impor e todos lhe darão credibilidade”.
Imprescindível ampliar horizontes na questão da honestidade. Muitos reclamam dos políticos, da corrupção, das fraudes em licitações, dos empresários que lesam trabalhadores. Todavia, cabe uma reflexão:
- Será que somos de fato honestos? Será que somos retos, dignos, falamos somente a verdade, não nos comprometemos com a hipocrisia? Por que será que enfrentamos graves problemas sociais envolvendo educação, saúde, cultura, habitação? Por que muitos jovens chegam para ocupar vagas no mercado de trabalho e nada sabem? Será que buscavam apenas o diploma e nada queriam de conhecimento?
A realidade é que fomos permissivos com certos deslizes morais e deixamos que se enraizassem em nossa sociedade. Fazemos vistas grossas ao adultério, as falcatruas, a sonegação de impostos, a mentira e corrupção. Uma mentira aqui, uma sonegação acolá, uma colinha para tirar nota...
Uma vez só! Ah, todos roubam! Se eu não fizer outro faz!
E assim vamos levando nossa vida, procurando tapar a desonestidade dos grandes e poderosos com a nossa desonestidade. Ah, mas ser honesto dá trabalho. Ser honesto requer melhoria íntima, labuta para vencer más inclinações, esforço por não se deixar cair na tentação de experimentar o bolo da corrupção. Ser honesto dá trabalho, caro leitor, mas como disse o amigo, é recompensador porque nos acaricia com a doce brisa da paz de consciência.
Pensemos nisso.
Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 06/10/2007
Código do texto: T682772
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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Wellington Balbo