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Ataque Virótico


Pra ser bem sincero eu gostaria muito que o Brasil fosse atingido por uma espécie de virose especial. Dizem que o ciclo de uma virose dura sete dias, o que significaria uma semana de virose nacional. Mas esta virose, longe de afastar alguém do trabalho ou de debilitar as pessoas mandando-as para os hospitais, seria potencialmente benéfica para a nação.
Começaria com sintomas de bondade transbordante, com atitudes de gentileza em todos os âmbitos sociais. Portas de carros elegantemente abertas aos passageiros por motoristas simpáticos e gentis. Fila organizada e respeitada, aonde quer que se faça necessário. Idosos respeitados pelos mais jovens, nos redutos familiares ou nos ambientes públicos. Flores entregues em multiplicidade na mais pura valorização de um relacionamento interpessoal.
A virose se faria mais intensa na proporção em que as pessoas por ela acometidas ganhassem a habilidade de ser aquilo que são, e de respeitar aquilo que os outros são. De não viver, enquanto acometidas pela bendita enfermidade, a síndrome do ter antes do ser. Desta forma um efeito colateral de honestidade e integridade as tomaria de súbito, um desejo intenso de fazer aquilo que é certo e não apenas aquilo que é politicamente correto. Fraudes seriam abandonadas, comissões indevidas devolvidas, os noticiários recheados de boas notícias e sorrisos verdadeiros.
Os dois últimos dias desta virose seriam especiais, seria um ápice de esperança. Filhos perdoando pais, pais perdoando filhos, casamentos se refazendo, gente voltando a sonhar. Jovens acreditando que a igualdade de possibilidades estudantis se efetivará, mesmo que o seu ambiente de preparação seja público, e não escolas privadas. Que num ato sublime a lei de cotas raciais de acesso às faculdades fosse banida, uma vez que nesta sociedade “contaminada”, leis desta natureza não fariam sentido algum.
As últimas vinte e quatro horas seriam de suspense na nação. Os cientistas buscam incessantemente um antídoto, em especial aqueles pagos por setores da sociedade que, por anticorpos resistentes ao vírus da bondade ou por uma disfunção genética qualquer, não foram afetados por tal contaminação e gostariam imensamente que as coisas retornassem imediatamente ao estado “normal”. Um grupo de cientistas descobriria o antídoto, o remédio que faria com que toda a nação retornasse à rotina de suas mazelas e misérias. Prontos a anunciar a descoberta, hesitariam...hesitariam e renunciariam à vacina. Antes disso isolariam o vírus, mas o seu objetivo principal seria o de espalhar o mesmo pelos quatro cantos do mundo.
A bendita virose acima mencionada só seria possível se os nossos corações e mentes se fizessem contaminados pela Presença, Ética e pela Graça de Deus. Que ela se cumpra em nossa geração.
Abraços e Sucesso!!!
Fernando Alberto
Enviado por Fernando Alberto em 10/10/2007
Código do texto: T687907

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Sobre o autor
Fernando Alberto
Francisco Beltrão - Paraná - Brasil, 52 anos
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Fernando Alberto