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Ave César

                                                                                 JANJÃO
Fui ter conhecimento de Idibal Piveta, há uns 2 anos atrás, por intermédio do jornal do Deputado Estadual, Renato Simões. Na oportunidade o informativo trazia matéria referente a entrega do Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, á comissão de presos e desaparecidos políticos da Ditadura Militar. Idibal participou do evento, como ex-preso que foi do regime militar e como integrante do TUOV (Teatro União e Olho Vivo), que na solenidade apresentou um Show musical.

Despertou em mim curiosidade sobre aquela figura e seu grupo teatral. A partir dali, busquei através de pesquisas e contatos com amigos saber mais do advogado Idibal Piveta. Sim advogado, que nos anos 70, defendeu com fervor presos e perseguidos pelos ditadores.

Uma das primeiras fontes que encontrei foi no site do Itaú Cultural, que retrata as cenas teatrais dos anos 60 e 70. Lá encontrei muita informação sobre o TUOV e seu fundador César Vieira, mais nada sobre Idibal Piveta. Para mim a questão estava fechada, se tratava de 2 pessoas.

Ao pensar na programação da semana de luta pela Reforma Agrária, fechamos que importante seria fechar as atividades com o grupo teatral, que comecei a admirar sem conhece-los. Sabia que tinham 38 anos de ação teatral, de resistência as elites e a um teatro convencional e que desde a fundação em 1967, tem como principio compromisso com as causas dos pobres e excluídos.

Liguei para alguns amigos e gabinetes parlamentares. Depois de vencer algumas dificuldades, consegui o telefone de Idibal Piveta. De novo a dúvida. Mas não seria César Vieira o contato para agendas do grupo?. Bem as duvidas terminaram, pois no primeiro contato, pude não só saber que Idibal e César eram a mesma pessoa, como constatei sua simpatia e simplicidade.

Trouxemos o TUOV para Limeira, onde apresentaram o espetáculo "João Cândido do Brasil- A Revolta da Chibata", uma bela peça sobre uma parte de nossa História Abortada pelas elites dominantes.

Mas Idibal e César Vieira, se encontraram por culpa da dona Censura dos anos de chumbo. Praticamente com todo seu trabalho censurado, Idibal não teve outra forma, há não ser adotar um pseudônimo, para driblar os censores. Por um tempo assinando com o nome artístico, o regime não se deu conta, que era o advogado da militância e do movimento de luta contra a ditadura.

Preso por mais de 100 dias em 1971, César Vieira não fez nenhuma concessão aos golpistas de 1964, continuou firme e forte em seu propósito de lutar por liberdade. O teatro foi e é nos dias atuais, seu espaço de comunicação com os pobres e excluídos de tudo, bem como do acesso a cultura.

Os temas de suas obras, todos tem como preocupação principal a conscientização de classe, o estimulo a participação e organização social. Seu teatro não se limita, ao espetáculo. Vai alem, propõem auxiliar a população carente em seus problemas sociais.

O grupo não tem fins lucrativos, utiliza o que eles mesmos intitulam de "Tática Robin Hood" apresentando-se para platéias convencionais e com estes recursos, montam espetáculos em igrejas, associações de moradores, sindicatos, praças, ruas, por preços bem populares. Tudo no grupo é feito de forma coletiva.

Ninguém no elenco vive de teatro, cada um tem seu emprego, que nada tem haver com artes. O TUOV, tem desde dona de casa, passando por funileiro, estudante e até profissionais liberais.

Premiadissimos, nacional e internacionalmente, o grupo já se apresentou em vários países, entre eles: Cuba Socialista, Angola, Nicarágua Sandinista e Europa.

César Vieira o Dramaturgo e Idibal Piveta, o advogado de esquerda, são como afirma o escritor Antônio Cândido "As duas partes da mesma luta contra a injustiça, a discriminação, a desigualdade, ora nos tribunais, ora na pagina escrita e na ação dramática".
dialetico
Enviado por dialetico em 11/10/2007
Código do texto: T689918
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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