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REFÉNS DAS GALINHAS

                           


 Quando eu era criança, lá na casa da vovó no interior de São Paulo, lembro-me que vez ou outra, sumiam alguns pertences do quintal, que hoje na cidade grande, são apenas lembranças.
E foi assim que me familiarizei com o termo tão conhecido, que passou socialmente a significar pequenos furtos: Os “LADRÕES DE GALINHAS!”.
Coitadas das galinhas! Sumiam quase sem cacarejarem, à espreita da noite, ou aos olhos desavisados dos tempos de parco consumismo!
De manhãzinha, apenas suas penas espalhadas pelo galinheiro, denotavam que alguém havia sumido com as “penosas”.
E logo se  justificava com piedade... ”Ah, são só ladrões de galinhas!”, dando-nos a conotação de que eram pobres coitados atrás do seu sustento.
E talvez o fossem mesmo. Hoje sei disso. Mas os tempos mudaram.
As cidades cresceram descontroladamente, os fatores sociais se agravaram, a droga, a miséria e a deseducação fomentaram senão toda a violência que presenciamos, ao menos  grande parte dela.
A sociedade de consumo, cujo capitalismo fomenta ambições quase sempre desproporcionadas aos parcos proventos dos trabalhadores, deixa às suas margens muitas expectativas que lançam mão do crime para serem satisfeitas.
E assim, as GALINHAS MUDARAM...NÃO SÃO MAIS AS MESMAS!
Afinal, tempos modernos, urgem por penosas modernas.
Mas, embora globalizada, a humanidade sempre sucumbe ao seu sistema de organização.
E assim, hoje, CONSCIENTIZADOS , infelizmente somos obrigados a nos esconder, a nós... e às nossas  poucas GALINHAS, sob pena de sermos depenados e degolados pelas mãos insensíveis da violência.
Necessitamos de abrigos que ocultem a simples condição social mais digna, e não por isso privilegiada, dos que conseguiram algumas GALINHAS A MAIS...por MÉRITO PRÓPRIO.
Será que me faço entender?
Não se trata de ser baleado no farol, seja por um ROLEX, POR UM CARRO IMPORTADO, OU POR UMA GALINHA  tipo “um celular” ou por poucos reais! O mérito é outro!
O que espanta, é que pagamos um preço alto por carregar nos bolsos simplesmente um tostão a mais...vindo do TRABALHO.
E , se por acaso a galinha é um “ROLEX”, (uma penosa refinada)...AH, AÍ SIM ESTÁ JUSTIFICADA...A PENA!
Afinal, quem mandou SE ATREVER a ter uma jóia advinda do seu próprio sustento?- num país cuja maioria é  sustentada pelos impostos dos  bolsos de quem trabalha, ou seja... dos SEUS  bolsos às TAIS BOLSAS!
Na minha ótica, eu advertiria... o real perigo sociológico é subliminar...
CUIDADO COM AS BOLSAS!
Pois a mensagem parece ser que o criminoso é quem ganha a vida honestamente, pertença a que classe social pertencer.
O perigo talvez proposital...é nivelar por baixo, porque as alturas pertencem a poucos que exploram a tragédia social que se descortina a olhos vistos E QUE NADA DE EFETIVO FAZEM PARA CONTROLÁ-LA!
Enfim, uma sociedade refém até das parcas e magras galinhas!
MAVI
Enviado por MAVI em 15/10/2007
Reeditado em 15/10/2007
Código do texto: T695225

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Sobre a autora
MAVI
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
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