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Momentos


Cada momento da vida humana, por sua característica de irrepetível, e também por sua fugacidade, traz consigo uma mística e uma mágica que vão muito além de tudo o que se possa imaginar.

Há vida vivida na realidade, mas também vivida nos meandros do sonho e da fantasia. A fantasia, para muitos, é a solução par algo insolúvel. Os que me lêem recordam, falei aqui, há um ano e meio, mais ou menos, a respeito de um recital do compositor-intérprete Alberto Manzanero, que assisti em Porto Alegre, onde ele fala de paixões, amores não correspondidos e sonhos desfeitos, e que termina com uma frase interessante, embora um pouco existencialista: “Nesta vida, não existe felicidade, mas apenas alguns momentos felizes”.

Do autor, muitos recordam o clássico “...contigo aprendi, que existem nuevas e mejores emociones... aprendi a ver mayores mis contadas alegrias, y a ser dichoso yo contigo aprendi...” . É igualmente dele outro clássico: “Esta tarde vi llover, vi gente correr y no estabas tu...”. O que agrada em Manzanero é sua exata leitura do drama dos desencontros  e a consciência da rapidez dos momentos.

Tanto assim que ele pervade o mundo da fantasia, ao confidenciar “Voy apagar la luz para pensar em ti, y así dejar volar a mi imaginación, ahí donde todo lo puedo, donde no hay impossibles... “. É curioso como a emoção das lembranças, sejam de fatos vividos ou de meras fantasias, faz disparar a adrenalina e disparar o coração. No desprezo aos momentos, alguns chegam a perder o todo. Ora, para que não pode obter um prato cheio, as migalhas da fantasia tornam-se uma inexcedível riqueza.

Se alguém não tem para si outra pessoa, do jeito que gostaria de ter, alguns breves momentos, seja de recordações, simples conversa ou mesmo de fantasia, já serve. Afinal, a vida terrena é, e disse muito bem Manzanero, um somatório de momentos felizes, muitos para uns, poucos para outros: “Qué importa vivir de ilusiones si ahí soy feliz”.

O fato marcante é que tanta gente, corre atrás de devaneios, apenas porque tem medo de encarar a realidade e decidir-se. A namorada disse “...eu continuo a pensar em ti, como ave que voa e volta...” Ele respondeu “...por que não expandes esse amor? Quando amanhecer, seca as lágrimas e vem...”  Em muitos casos, buscar o ótimo pode nos afastar de desfrutar o bom, mesmo que seja por alguns instantes. Alguns sofrem porque ambicionam o muito; outros, são felizes porque aproveitam simples momentos...


(artigo publicado em 01/04/99, no Diário Popular, de Pelotas/RS, p. 3)




Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 10/11/2005
Código do texto: T69836
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão