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Dia do orgasmo


Sem justificar os porquês, alguns jornais apontaram o dia 31 de julho como “dia do orgasmo”, colocando um adendo apimentado e óbvio: “Programe-se”.

Ora, orgasmo é uma coisa que faz parte da vida das pessoas, e como tal, não carece de programação. Especialistas afirmam que o prazer influencia a produção de serotonina e dopamina, substâncias que acalmam o cérebro, espalhando uma sensação de bem-estar por todo o corpo.

Muitas pessoas tornam o orgasmo uma coisa complicada, ponto crucial das relações entre um homem e uma mulher. Saber que é capaz de proporcionar prazer a uma mulher, a ponto de vê-la agitar-se e até gritar é algo que excita um homem, sendo uma ponderável massagem em sua auto-estima. Uma mulher que não dá a resposta esperada, é uma porta aberta à indiferença, à infidelidade e até à separação.

Hoje, mais de noventa por cento das separações tem como causa problemas dessa ordem. De outro lado, essa conduta masculina gera uma obsessão nas mulher, fato que agravado com a maneira superficial e simplista com que as revistas femininas tratam o problema, cria aquilo que se chama “ditadura do orgasmo”, ou seja, as mulheres querem experimentar essa sensação, a qualquer custo, e isto acaba provocando um bloqueio, com conseqüências imprevisíveis. Para elas e para a relação.

Tem gente – especialmente mulheres – que faz ou faria misérias e se dispõe a gastar o que não tem, para obter um orgasmo, pleno, relaxante, total. A tensão, a idéia fixa, o “custe o que custar” são fatores de bloqueio e de retração.

Há casos em que a patologia é manifesta, mas em outros, talvez a maioria, situa-se na linha do psicológico. O que às vezes prejudica é o folclore, em geral criado pelas revistas, em que a artista tal conta que teve um orgasmo assim-e-assado, que escutou sons de sinos e que a cama tremeu como uma base de lançamentos de foguetes. Pura fantasia.

Em geral, esses “depoimentos” das revistas são criados pelo pessoal da redação, para vender (a matéria sai com a manchete na capa, como “o orgasmo a seu alcance”), manter um público fiel e enganar incautos.

Conheço o caso de uma garota que disse para a mãe: “transei com o Paulinho, foi minha primeira vez, e não senti nada... será que sou anormal?”. Não, ela não é anormal, só mal preparada.

Algumas mulheres se enche de preocupações, se vai dar, como vai ser, onde é o “ponto G” e acaba não dando em nada.  Na verdade, o orgasmo feminino depende muito – ou quase que exclusivamente – do parceiro. Não se trata de quantidade (tamanho ou freqüência) mas de qualidade.

Essa qualidade passa pelo carinho, pela paciência, deixar à vontade, dar segurança, não cobrar nada, nem comparar. É uma coisa natural que deve acontecer com naturalidade, sem forçar e sem a pressão da expectativa. Nesse particular, é bom notar que existe muito folclore. É como a história da idosa que foi ao salão de beleza para se arrumar. A “coroa” estava verdadeiramente eufórica. Conversa vai, conversa vem, e ela escorregou que tinha um orgasmo por ano. Questionada pelas presentes, por que tanta euforia com apenas um orgasmo por ano, a velhinha revelou: “é hoje, é hoje!”.

Biologicamente, já ficou provado que o orgasmo, especialmente o feminino, nada tem a ver com a procriação. É uma questão de puro prazer. A esse respeito, já ouvi uma conceituada teóloga afirmar que Deus dotou o ser humano, homem e mulher, da capacidade de orgasmo, para fazê-los sentir um pouco do prazer da Criação.

Assim, entendo que – como as demais datas que se festeja – criar um dia para o orgasmo é bobagem. Quando um casal se ama, se conhece, se deseja um ao outro, e tem resolvidos seus traumas e problemas, todo dia é dia. É só querer...


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 11/11/2005
Código do texto: T70329
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão