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Máscara negra


Era uma dessas noites de carnaval...

O homem saiu para se divertir. A mulher lhe deu carta branca. Eles viviam uma “relação aberta”. Eram modernos...

Ávido por uma festa, ele, faceiro que nem ganso novo em beira de taipa, chegou ao sofisticado ambiente, uma dessas boates da moda, movida à dólar, lá pela meia-noite. A orquestra atacava furiosamente alguns sambas e marchas dos carnavais passados.

Ele deu uma olhada no ambiente, até que seus olhos de caçador pousaram na morena mais bonita do salão. Ela vestia um tipo de maiô prateado, laminado, com meias de rede, estile vedete dos anos 50, um salto altíssimo, tudo ornado por uma magnífica cabeleira e uma máscara negra, rodeada de lantejoulas. Que corpo!

O herói não tirou mais os olhos dela. Foi paixão de primeira. Ele pode notar que a moça não tinha par fixo. Ela estava com um grupo de pessoas, dançando ora com um ora com outro. Decidido a enfrentar aquela parada, ele foi ao balcão, tomou um “caubói” em seco, para dar coragem e “regular a lenta” e partiu para a conquista.

Foi se chegando, matreiro como cachorro comedor de sabão e enturmou, dançando em roda da moça, e depois foi ao ataque. Em princípio ela relutou em dançar com um desconhecido. Mas, como tudo é carnaval, ela se deixou levar na brincadeira.

Ele colocou o braço em cima do ombro dela que, vigorosamente, abraçou sua cintura, e saíram pelo salão, cantando: “Mamãe eu quero mamar...”.

A esposa tinha ficado de dar uma passada ali, mais tarde, talvez acompanhada pelo primo Ricardo (?!). A filha também prometeu que, se fosse possível, ela viria lá pelas duas da manhã. E lá se foi ele saracoteando com a vistosa morena.

Ele notou que ela, para falar com ele, fazia uma voz de falsete, para disfarçar. A primeira coisa em que ele pensou foi na esposa. Não, não podia ser. Essa era mais “boazuda” que a titular. Além disso, mais liberal. Seus beijos eram de desencaminhar seminarista.

Pensou na filha. Também não. As mãos denotavam tratar-se de uma mulher mais madura, de seus trinta ou trinta e cinco anos. Mas - pensava - para quê se preocupar; a noite é uma criança.

Na hora de partir, chega a filha com uma amigas. Vê o pai e começa a rir. O homem encara a garota: “Estás rindo por que? Ela é tua conhecida? Colega de faculdade?”

Entre risos a moça revela: “Não, é o Bebeto, meu cabeleireiro!”

Nada como a música, uma “máscara negra”  e algumas doses de uísque para criar um clima...

Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 11/11/2005
Código do texto: T70346
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão