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A primeira rúpia



Esta história não é minha. Pertence ao folclore do Paquistão. Encontrei-a num livro antigo e fiz uma adaptação.

Às portas da morte, um homem rico chama o filho único e diz-lhe que ele só herdará a grande fortuna se apresentar uma rúpia ganha com seu trabalho. Rúpia é a moeda do Paquistão, e divide-se em cem paisas.

O rapaz saiu dali e pediu uma moeda emprestada a um amigo. Trouxe ao pai que a revirou nos dedos e jogou-a ao fogo, dizendo: “Isso não foi ganho com teu trabalho”. Mais duas vezes o rapaz usou a mesma artimanha e foi desmascarado pelo pai. “Como será - perguntava ele - que o velho adivinha ? Numa das vezes cheguei a sujar-me na lama e rasgar minhas roupas para enganá-lo, e ele descobriu. Vou ter que trabalhar, mesmo, para ganhar minha primeira rúpia!” E saiu pelas poeirentas estradas em  busca de trabalho.

Não foi fácil. Adiante ele encontra um condutor de elefantes, que pede sua ajuda para atravessar uns peregrinos que vão a Benares. Durante duas horas ele atravessa o rio carregando velhos, mendigos e doentes. Ao terminar, ganha 30 paisas.

Depois encontra um homem cegando trigo. Ele pede emprego e é admitido. Trabalha até à noite. Cansado passa no feitor para receber o salário: Mais 30 paisas. Exausto adormece no galpão. Na manhã seguinte, antes de sair o feitor cobra cinco paisas pelo pernoite e pelo pão.

Caminhando, encontra um homem amassando barro. Ajuda-o até o meio dia, fazendo tijolos, e ganha mais 15 paisas.  Caminha mais um pouco e vê uma mulher que vende algodão na feira. Ele fica ali ajudando-a a desencaroçar o algodão. Antes de ir embora ela lhe dá um prato de feijão vermelho, que ele come sofregamente, e mais 15 paisas. A remuneração tratada fora de 20, mas a mulher descontou cinco do feijão.

Na entrada da noite, ele encontra um homem ferido. Trata de suas feridas e leva-o a um posto médico. Reconhecido, o homem dá-lhe 20 paisas. O rapaz fica alegre, pois já tem uma rúpia para levar ao pai. Antes passa no mercado para tomar um banho, que lhe custa cinco paisas. Rapidamente passa num cambista e troca as 100 paisas por uma rúpia.

Chega em casa e entrega a rúpia ao pai. O velho sopesa a moeda em suas mãos enrugadas e joga-a ao fogo. O jovem se exalta: “Pai eu trabalhei dois dias para obter essa rúpia! Como é que o senhor joga-a no fogo?”

O velho olha o filho com carinho e diz-lhe: “Filho, hoje te tornaste um homem. Eu não sabia se aquelas moedas que anteriormente me apresentaste foram ganhas com trabalho ou não. Quando as joguei fora e não disseste nada, era sinal que não conhecias o sacrifício para ganhá-las.

Teu protesto de revolta agora demonstra que sabes o valor do trabalho para obter a primeira rúpia com teu trabalho”

Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 11/11/2005
Código do texto: T70349
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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10 e-livros (3490 leituras)
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Antônio Mesquita Galvão