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"Reflexão Sobre a Minha Vida" = Artigo autobiográfico=


Recebi ontem um e-mail no qual a emitente afirmava o seguinte: “Você nunca foi capaz de um ato de amor, de sensibilidade, ternura, solidariedade, carinho com o seu semelhante. Você é assim só na poesia...”
Minha primeira reação foi de indignação. A segunda foi rir. Quem escreveu o tal e-mail estava, por certo, confundindo-me com alguma estátua ou robô. Só mesmo um objeto inanimado poderia passar a vida sem praticar um ato de amor, de sensibilidade, de ternura ou solidariedade. Cada maluco que me aparece...
De certa forma o e-mail teve o seu lado bom: obrigou-me a refletir sobre minha vida presente e passada. Vi-me forçado a fazer um balanço mental sobre o que já vivi até hoje e cheguei a algumas conclusões:
Sobre o amor-Sempre amei muito e intensamente. Sempre dei amor querendo, é claro, receber amor em troca. Se o recebia, tudo bem. Caso contrário, caía fora. Caía fora porque amor vale muito e devemos investi-lo com cautela. Amar sem ser amado é para masoquistas;
Solidariedade: Se o que sinto ao presenciar os dramas alheios, aquele tremendo nó na garganta, aquele amargor que me enche de lágrimas os olhos, aquela vontade de poder ajudar muito e depressa, não for solidariedade, não sei, então, o que significa tal palavra; ( se bem que dizem que mineiro só é solidário no câncer...);
Sensibilidade: Está aí uma coisa que eu sei que tenho, mas que é preciso dosar para não exagerar. Exagerou, desmunheca...;
Ternura: Ser terno é coisa que muitos homens acham ser coisa de boiola. Não penso assim e sei que se pode ser terno, delicado, carinhoso ao extremo, sem comprometer a masculinidade, a virilidade, a macheza;
Carinho com o semelhante: confesso que sempre preferi dar carinho à “semelhanta”, mas, falando sério, tenho plena certeza de que sempre fui carinhoso com minhas irmãs, namoradas, mais tarde com minhas amantes, esposas, sobrinhas, netas, noras, pais, etc. Enfim, dei sempre carinho a quem fez e faz por merecê-lo de mim. Mesmo que não fossem, às vezes, carinhos físicos, carinhos de outras maneiras, das muitas outras maneiras que existem de praticá-lo;
“Você é assim só na poesia”: essa frase é um quase elogio. Há que ser muito bom artista, excelente poeta, mais do que ótimo escritor, para conseguir transmitir na poesia o que não se é. Mas, infeliz/felizmente, a frase é mentirosa, assim como todo o e-mail.
Mais tarde, já de cabeça fria, fui pesquisar sobre o estranho e-mail e cheguei à conclusão de que uma certa moça cometera, pela segunda vez, um engano ao enviar um e-mail à namorada. Não era a primeira vez que eu recebia dela um e-mail enviado à sua parceira. O primeiro foi delicado, amoroso, cheio de frases carinhosas. Este segundo foi raivoso, ou seja, as duas brigam e quem leva a sapatada sou eu...Pô, Sapatinha, se você dirigir tão mal quanto encaminha seus e-mails os pedestres estarão correndo um risco absurdo.
Fernando Brandi
Enviado por Fernando Brandi em 25/10/2007
Reeditado em 25/10/2007
Código do texto: T709245

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Sobre o autor
Fernando Brandi
São Paulo - São Paulo - Brasil, 70 anos
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