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RODA VIVA

                         Circula pela Internet um bem articulado texto do professor paranaense Nailor Marques Junior onde ele se compara a um palhaço desencantado com sua platéia e como cidadão, decepcionado com os rumos da sociedade brasileira. Faz referências a fatos e atos corriqueiros  que desabonam a conduta de proeminentes personagens dos mundos artístico e político brasileiros.
Em sua experiência como professor, chega a questionar se não está ensinando no vazio. Isso lá no Paraná, aonde o desenvolvimento chegou primeiro, se comparado com o nordeste. Cá por estas plagas nordestinas, compartilhamos com o mesmo sofrimento do colega. “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu” e de repente uma tristeza nos invade a alma ao constatarmos que os valores éticos, pressupostos básicos de uma cidadania plena, vão pouco a pouco se afastando do cotidiano de nossos alunos, passando a prevalecer a lei de Gerson – o importante é levar vantagem em tudo, como  frisou o professor Nailor e levar vantagem implica em cultuar a esperteza como forma de se chegar à fama,  em detrimento da sabedoria. Culto, aliás, que cresce desvairadamente na sociedade com um todo em função do florescer de nulidades nos diversos postos administrativos, seja na atividade pública ou privada e isso tem desencadeado o crescimento de uma legião enorme de adeptos que por falta de uma disciplina até mesmo familiar, busca na forma mais simples, uma maneira de surrupiar o direito, o bolso e a boa fé dos que, por eles são chamados de otários.
Nós os professores, em todos os níveis de ensino, temos a obrigação cidadã de difundir entre nossos alunos a formação de uma consciência crítica sobre as reais vantagens da lei de Gerson se aplicada no convívio social. Precisamos nos desvencilhar da rigidez de um conteúdo programático, sem desprezá-lo, evidentemente, mas nele também incluir ensinamentos sobre o comportamento social e ético. Orientá-los como não se deixar envolver pela onda do imediatismo fácil, defendido e protagonizado pelos que, sem nenhum escrúpulo, solapam descaradamente, os direitos conquistados ao longo de cinco séculos de existência do circo Brasil.
Na sala de aula, ao discutirmos o texto referido com nossos alunos, um deles asseverou que: “para modificarmos o comportamento ético da sociedade, precisávamos primeiro, modificar o quadro político nacional”, isto porque, ainda segundo ele, os nossos representantes no Congresso Nacional são os principais responsáveis pelos desmandos da sociedade. Concordando ou não com a opinião do aluno, indagamos se o mesmo era filiado a algum partido político. Sua resposta deixou-nos estarrecidos ao constatarmos que realmente, como frisa o professor Nailor, nós estamos nadando no seco.
Resposta do aluno: não sou e não serei nunca, pois sei que no dia que eu me filiar a um partido político, serei igual a todos os políticos. Todos os demais se mantiveram em silêncio como que aceitando e concordando com o que ouviram.
Com essas palavras o “nosso menino”, sem saber e sem querer, destroçou parte de nosso sonho, nos fez lembrar da letra da Roda Viva de Chico Buarque de Holanda e nos remeteu a buscar uma outra lógica para continuar sendo professor, ganhando muito ou pouco, mas primando pela prática e pelo discurso éticos sem macular a dignidade, apesar dos perigos.
                                                                  Rui Azevedo.
Rui Azevedo
Enviado por Rui Azevedo em 28/10/2007
Código do texto: T714085
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Sobre o autor
Rui Azevedo
Teresina - Piauí - Brasil
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Rui Azevedo