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O Revolucionário da Bola

                                                                                  JANJÃO
No esporte Brasileiro e mundial, sempre tive uma predileção, por atletas considerados pela opinião pública como rebeldes, por terem condutas de sempre estar falando e fazendo o que querem e o que pensam.

Este rótulo pejorativo e com a nítida intenção de discriminar, os que não aceitam estar submetidos as regras de cartolas, foi e é utilizado com freqüência e já foi responsável pela destruição de varias carreiras.

Atletas como Paulo César Caju, Mario Sergio, Sócrates, Vladimir e outros, sempre me entusiasmaram por terem posições políticas e independentes, fugindo do padrão de jogador de futebol que nunca se posiciona sobre nada que se refere a sua profissão, nem tão pouco o que ocorre no País.

É por isto que quero com este texto homenagear um jogador que tive a honra de ver jogar. Estou falando de Afonso Celso, o Afonsinho, ex jogador do Botafogo carioca, do Santos e de tantos outros clubes.

Infelizmente o meio campista nunca foi convocado para a seleção Brasileira, o que se justifica pelo fato de suas posturas serem de confronto ao regime militar e a estrutura do futebol nas décadas de 70 e 80 do século passado.

Afonsinho dentro de campo era um gênio, no toque de bola e no drible, fora dela o gênio foi cassado, por suas escolhas não serem do agrado dos generais e dos cartolas de então.

Barrado no Botafogo em 1971, até de treinar, por se recusar a obedecer as ordens dos dirigentes do clube que o obrigavam a cortar a barba, impondo através desta medida, a cultura autoritária e repressora dos ditadores. O craque Afonsinho, não permitiu esta arbitrariedade e ao lado de seu pai, que na época se formou em direito, travou uma batalha judicial, para a garantia de passe livre, reivindicação que levou quase Três décadas para ser, implantada no Brasil (O passe livre, ainda que meia boca, com varias incorreções, foi aprovado em 1999, com a Lei Pelé).

Alem disto, foi o primeiro atleta profissional a ter o direito a Sindicalização em uma entidade de classe e também um dos primeiros Presidentes do Sindicato dos Atletas de futebol do Rio de Janeiro.

A vitória de Afonsinho na Justiça Desportiva nos Anos 70, foi a vitória pelo direito ao trabalho e por liberdade de expressão e de organização.
Esta opção, fez com que a ditadura o perseguisse, sendo fichado no SNI (Serviço Nacional de Informações), como subversivo e comunista. No entanto nada o impediu de continuar lutando por justiça e democracia.

E mais que isto, em um período de terror e do cala boca, questionar o sistema futebolístico de então, era bater de frente com os militares, que em 1969, exigiram a demissão de João Saldanha do comando técnico da Seleção, pelo fato de João ser militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), e utilizaram o esporte como um meio de propaganda do regime.
dialetico
Enviado por dialetico em 29/10/2007
Código do texto: T714509
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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